O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Insegurança
No futuro os clones de seres humanos nascerão com no mínimo dez dedos em cada mão, para terem lugar garantido no competitivo mercado de trabalho desde a infância, já que trabalharemos só com computador. O cruzamento genético via Internet gerará seres que falarão mais de uma língua, principalmente o inglês, para não perder tempo com estudos na área e já garantir vaga no mercado de trabalho. A máquina fria, calculista, insensível, está transformando o homem à sua semelhança. Resta pouco de amizade, calor humano, feeling, feed-back e veio a ganância junto com a concorrência desvairada em nome de novos tempos e da globalização.
Já tínhamos os bancos para induzir o cliente a comprar seguros. Depois vieram as empresas de cartões de crédito, as vendedoras e telemarketing e, pasmem, as revendas de veículos que, como os bancos, até juntos, induzem sob a forma de livre e espontânea pressão, a embutir o seguro em veículos financiados, sem deixar claro a seguradora e, principalmente, o corretor responsável. Pergunta-se: Já não ganharam na venda do carro? Nos consertos e reparos em veículos direcionados por corretores? Os bancos já não embutiram juros e tarifas no financiamento? Sempre achamos que o mundo gira com cada um na sua. Atenção com o pós-venda, com o custo X benefício, com atendimento nos casos de sinistro/roubo, com a continuidade e a manutenção de seus bônus pessoais e intransferíveis, com a defesa de seus direitos perante as seguradoras.
- ADILSON ROBERTO DE SOUZA GUIMARÃES, corretor de seguros em Londrina
Pai infeliz
Dia 8 foi aniversário da minha filha, Cláudia Pelisson Stadler. Lembrei-me quanta alegria senti em ser contemplado, na Expo Presidente Prudente, com a notícia de que a minha menina ia nascer. Esqueci até de pegar a bagagem no hotel e vim quase voando a Londrina. A Polícia Rodoviária me parou a 160 km/h, compreendeu minha situação e me fez acalmar. Um dos policiais disse: Agora é que menos o senhor deve correr, pois precisa estar bastante vivo para sua filha que vai nascer. Eu já havia deixado tudo encaminhado: a melhor maternidade e os melhores médicos. Tudo isto para a minha querida e esperada filha Claudinha. Não era simplesmente um bebê. Era um sonho de seis anos que ia tornar-se realidade depois de tanta angústia e tratamento. Ela nasceu muito frágil e com problemas de saúde. Para que o sonho não acabasse levamos junto para casa a melhor enfermeira, que a atendeu para que nada faltasse.
Naquele dia eu também renasci. Mas, passados 17 anos, em relação a ela sinto-me o pai mais infeliz do mundo. Aquela pequena menina, por mentiras, calúnia, difamação dadas a meu respeito, em consequência de um divórcio financeiro, a colocaram contra mim. Agora não tenho mais importância na sua vida. Eu a perdoo pelos atos e fatos e tudo que tive de ouvir injustamente, pois fiz, faço e continuarei fazendo tudo que eu achar que seja certo ou errado para seu próprio bem. É um direito meu, embora as leis dos homens a afastassem de mim. Hoje, bens materiais como antigamente não posso oferecer no momento, mas gostaria que ela entendesse meu coração, que só bem a quer. Ela sabe que sou um pai que chora toda vez que a vê. Pena que neste momento amor de pai nada signifique para ela, para quem sou antigo, quadrado, careta e conservador. Mas tenho muito amor por ela. Sem medo de ser feliz.
- DAVI ROBERTO STADLER, Londrina
Renault
A Renault estuda seriamente pisar forte no freio do projeto de fábrica no Paraná. Fizeram as contas e voltaram a sonhar em ocupar o mercado brasileiro a partir da Argentina (Revista Veja, dia 10, página
21). E agora, José? Como fica nossa grana, dada de
mão beijada e em contrato secreto? Sr. Romanelli,
parabéns pelo abre-olhos. Há dois Paranás. Um
paga sempre agora. O outro usa e abusa.
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, médico em Londrina
Madre Tereza
O mundo ficou mais pobre com a morte da madre Tereza de Calcutá, uma vida inteira dedicada aos pobres e doentes e quase sempre no anonimato. É sempre assim. Nem todos entendem porque uma pérola é mais valiosa quanto mais rara e escondida. A Igreja de Cristo sempre viveu, através de séculos, de pessoas assim, preciosas e valiosas, sem necessariamente aparecer. Madre Tereza fez muito mais que visitar pobres, doentes, mas ela sempre repetia: Rezo por vocês.
Assim foi em Roma, num congresso em favor dos aidéticos, no Dia de Combate à AIDS. Conduzida à mesa diretora, sempre com o rosário entre os dedos, ela se dirigiu aos presentes e aos cientistas que procuram um remédio contra essa terrível doença do século: Rezo para que sejam descobertos os medicamentos para curar essa doença. Deus vos ajudará. É tanto o sofrimento... As pessoas feridas por esse mal não são amadas, são marginalizadas. E completou: Na ausência de tratamento mais eficaz, o amor é a medicina de quem não tem esperança. Madre Tereza foi como Maria, servindo aos outros e ao seu Senhor, sem esperar recompensa terrena. A Igreja de Cristo é feita de pessoas assim. Caridade é uma coisa, filantropia é outra. Ela vivia somente da caridade, sem buscar glória ou vaidade.
- VITOR NONINO, Londrina
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