O leitor escreve
O leitor escreve
Invasão de terras
Leio o jornal e fico estarrecido com tanta invasão de terras, na maioria produtivas, destocadas, limpas e aptas ao cultivo. O deputado federal padre Roque disse que morreram 94 sem-terra, assassinados em conflito com fazendeiros. Será que são todos inocentes? Muitos são como ovelhas que vão para o sacrifício. Serão os fazendeiros todos criminosos, ladrões? Será que não é agora que nos querem roubar? O crime do fazendeiro foi acreditar em si mesmo, no próprio trabalho, no sonho de construir, no ideal e na vontade de enfrentar tudo independente, sem apoio de qualquer bandeira vermelha, sigla partidária ou religião que os apoiasse.
Agora aparece um monte de pessoas iludidas por bandeiras, partido e até apoio religioso por trás, que vão em massa invadindo terras dos outros, instigados por alguns de ideal nocivo. Concordo plenamente com artigo de
Ruth Slaviero Kaesemodel. Penso e agiria como ela. Também começo a ficar descrente da justiça. Até parece que voltamos ao tempo da Inquisição. Será que aquele deputado teve algum patrimônio invadido? Em caso positivo ele agiria diferente.
Todos aqueles que simpatizam com a idéia dos sem-terra devem dar o exemplo, doando seu patrimônio próprio ou comprando um pedaço de terra e dando-o de presente. É fácil dar esmola com coisa de outrem. Os que estão por trás jamais irão aparecer. Ficam no anonimato e faturam muito com tudo o que está acontecendo. Até o governo se omite. Afinal, alguma vantagem ele tem.
- MANFRED SCHERCH, Rancho Alegre
Dentaduras
Dizer que hoje caiu a demanda de tratamento odontológico por culpa do Plano Real é um equívoco. Em Londrina a queda de atendimento em consultórios particulares deve-se à grande concentração de profissionais em função da existência de duas faculdades de Odontologia, o grande número de entidades e o próprio poder público, que passou a oferecer assistência odontológica gratuita, sem falar do grande benefício que a fluoretação da água tem proporcionado à nossa população, com queda acentuada dos índices de cáries.
O que na verdade ocorreu após o Plano Real foi um momento econômico em que a população a princípio não acreditou na queda da inflação e aconteceu uma demora na acomodação deste tempo novo. Profissionais que trabalham exclusivamente com uma categoria social tiveram mais dificuldade de adaptação. Dizer que as camadas mais empobrecidas estão tendo mais acesso ao tratamento odontológico é uma verdade incontestável. As alternativas são muitas e, mesmo que o sistema de parcelamento nos consultórios particulares é uma praxe, que faz com que muitas pessoas que estavam fora do mercado voltassem a procurar o trabalho mais personalizado.
Dizer também que as classes média e alta não tiveram dificuldade de continuar com o mesmo sistema de atendimento não é verdadeiro. Esclarecer a opinião pública o que se passa pela assistência odontológica é um dever dos poderes públicos e também das entidadess envolvidas. A melhoria considerável sob todos os aspectos nos últimos 30 anos em que milito na atividade também é fato incontestável, graças aos esforços dos segmentos envolvidos. Atribuir este avanço a um único setor é no mínimo temerário. Atribuir também algum retrocesso não passa de conclusão afoita.
- WALTER COSTA BARROSO, cirurgião-dentista em Londrina
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