O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Parque temático
Achei excelentes duas idéias, uma do prefeito Antonio Belinati e outra do Beto Carrero. Não há dúvida que o lazer, chamado de indústria sem chaminé, não só é o caminho do futuro, como recebe os maiores estímulos no primeiro mundo de verdade, onde está a grana, que tanto buscamos e de que tanto precisamos. Por todos os motivos e argumento, o negócio é o lazer, as diversões naturais, ar puro, o sol, o luar, o céu limpo o ano todo, o ambiente verde, a plantação, os animais, a pesca, os acampamentos, as quedas dágua. Por falar nisso, alguém já conseguiu contar quantas quedas maravilhosas existem no município e em Tamarana? Já me aconteceu, no sul do município, em janeiro, sair da fazenda de um amigo, lareira acesa e gostosa, e após 40 minutos estar em Londrina e ligar o ar condicionado.
Há muitos anos, Pedro Palumbo foi pioneiro na idéia de um parque temático aqui, e que na época não foi compreendido. Estava muito à frente do seu tempo. Mas esteve certo o tempo todo. Agora, no Parque Arthur Thomas, não dá mesmo. Aquilo é intocável, imexível, leitoa-do-delegado, vespeiro de mutuca. Ele deveria ser ampliado, que os netos agradecerão. E ficam duas idéias para dois parques temáticos, um pro Beto, que pode ser o Termas, do qual sou sócio, e que está pintando uma de Encol aquática. A outra seria a Aviação Velha, que espera o seu descobridor final, uma vez que Belinati já acendeu a idéia. Se eu tivesse grana partiria para os dois. Dentro de pouco mais de um ano teremos três shoppings pra ninguém colocar defeito, além do que já ostentamos. E essa gente toda vai se divertir onde? Gente, lazer. Gente, lazer. Parques, circo, roteiros ecológicos, fazendas de turismo, quedas dágua, frio na serra a meia hora daqui. Puxa, está na hora de se acordar para a infinita riqueza que até agora está por aí, parada, à espera de gente de visão. A hora está meio passada... Podíamos fazer um Metronorte turístico com as represas, com Maringá, Guaíra, rodeios, pacotes fantásticos abrangendo até Foz. Não está na hora de acordar? Gente, lazer dá muita grana, o ano todo.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Paraíba
O puro de raça, ariano Edmundo, que na verdade é mestiço, ofendeu a todos nós que, de alguma fonte, temos sangue nordestino. Como filho de pai cearense, cabeça-chata, como chamavam os piauienses aos filhos do Siará Grande, para lembrar estudos de Gustavo Barroso sobre origem da expressão cabeça-chata, assumi também as dores de milhões de paraíbas que, Brasil afora, são ofendidos quando alguém usa esse gentílico com sentido pejorativo, como amiúde ocorre.
Não se aceita mais, muito menos de um futebolista, cuja maioria dos colegas vem da mais modesta cepa da sociedade brasileira, esse tipo de agressão. Edmundo não é modelo de coisa alguma para ofender esses milhões de paraibanos que ajudaram a forjar o Brasil, nos mais modestos ofícios. Não por incompetência, mas por falta de oportunidade. Quando tem oportunidade, o paraibano é genial. Estão aí Chico Cézar, ELba Ramalho, Assis Chateaubriand, gênio na área de comunicação social (formou um império de televisões, rádios, jornais), Celso Furtado, José Américo de Almeida, dentre centenas de outros talentos, que provam que ser paraibano não é sinônimo de burrice, nem de miséria, sim triste e cruel preconceito contra uma área infelicitada pelo sol inclemente e por solo árido, na maior parte.
Isso não pode servir para o menosprezo e a chacota de gente de conduta agressiva desse aristofânico e briguento Edmundo. Quem é ele para ofender todo um Estado? É ridículo que a imprensa tenha dado tanto espaço a esse tipo de agressão verbal. Uma coisa é fato. Quando Edmundo for ao Nordeste, que se cuide. Não se ofende um cabra-da-peste sem ouvir resposta à altura. Ou teria ele falado em nome de todos os racistas do Sul que não gostam de nordestino? Ou daqueles para quem o Sul é meu país, como se isto aqui fosse uma republiqueta fracionável. Tenho receio que Edmundo seja apenas o porta-voz mais eloquente, grandíloquo, de milhões de sulistas que gostariam de se livrar do Nordeste, a que chamam de fardo. Essa manifestação do chamado Animal (para as negas dele) cheira-me a voz de um segmento camuflado. Tomara que não.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Sem-terra
Qualquer cidadão percebe que não é a terra a solução do problema do MST (Movimento dos sem-terra). Tomemos como exemplo os últimos acontecimentos do Pontal do Paranapanema, onde insistem os militantes do movimento impedir o funcionamento dos bancos. Tudo isso em represália à falta de recursos para manejo das terras já colocadas à disposição, provando com isso que a terra não soluciona seus problemas. Querem invadi-la e viver na criminalidade, destruindo o que não lhes pertence, barbarizando a sociedade do campo com suas formas desumanas e violentas de agir. Assim não chegarão a lugar algum.
Necessário se faz ressaltar que o Judiciário se tornou poder desarmado diante do problema. Cumpre seu papel, porém existem inúmeros mandados de desocupação de áreas ilegalmente invadidas, a mercê do cumprimento. As autoridades têm consciência de que um confronto traria mal maior. O bom senso campeia deste lado e favorece a desordem do outro. O que mais preocupa é desmando provocado não por aqueles que se expõem aos combates e a prática de crimes, mas sim dos manipuladores de massa que, sob pele de cordeiro, ocultam suas garras de lobo.
- JOSÉ MARIA DA SILVA, advogado em Rolândia
Diana
A morte da princesa Diana traz à tona a discussão do papel da imprensa, principalmente quando ela invade a privacidade pessoal. Fotógrafos, cinegrafistas, redatores, editores, enfim, todos os envolvidos, guardadas as proporções, são responsáveis pelo horrendo acontecimento. No entanto, nenhum deles é mais responsável do que o consumidor de informações, aquele que quer saber de tudo, muitas vezes sem saber para que, o que nos faz complementar o ditado: Saber não ocupa lugar com ...mas tem um preço, pago, às vezes, por quem nada tem a ver com isso. Como um daqueles, eu me penitencio. Perdoe-me princesa Diana. Eu também ajudei a matá-la.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro





