O LEITOR ESCREVE
Princesa do mundo
Era uma vez uma princesa cheia de vida, estrela matutina, cujo brilho, de repente, se apagou. Reencarnação das estórias vaticinadas por Shakespeare. Era uma vez, também, um mundo disforme cada vez mais identificado pelas máquinas, pelas instituições, pelos partidos. Mundo sedento para ter um rosto belo, mas que, de repente, se desfigurou ao se chocar contra a parede do mais profundo silêncio. Ela era a última das heroínas. Sua nobreza era prenhe da história de todos nós, plebeus, que habitamos esta aldeia cada vez mais global. Ela era linda como a glória da manhã, flor que para ser eterna precisa ter vida breve. Posso compreender, a partir de mim, porque o mundo está chorando. Eu também estou chorando. Não é por razões pessoais. Nunca a vi de perto a não ser glamourizada na tela da tevê.
A razão do lamento que o mundo em luto entoa não é a perda de uma benfeitora da humanidade. Não. Existem outros humanos que merecem mais o Prêmio Nobel. Madre Tereza de Calcutá, por exemplo. Não é por razões de charme que o mundo vive uma comoção internacional. Existem outras princesas até mais belas que nos disfarçam a dureza de viver entre as feras do nosso mundo cão. Michelle Pfeiffer, por exemplo. A razão é que os heróis, as heroínas, são o símbolo do nosso eterno desejo de sermos belos, audazes, defensores do bem, inspiram-nos a pensar que podemos ser reconhecidos, valorizados, amados. Os sofredores precisam de ídolos. De preferência as figuras que se tornam mitos.Personagens saídos dos livros, que narram a saga de quem encarna a esperança dos injustiçados.
Betinho, o ideal solidário, morreu e nós ficamos mais solitários. Darcy Ribeiro, o ideal sonhador, morreu e ficamos mais desencantados. Paulo Freire, o ideal educador morreu e ficamos mais desculturados. É certo que cada um desses companheiros que ia embora levava consigo um pouco de nós. Mas eles eram desmasiadamente mortais para que fossem pranteados como um deus. Tantas coisas boas eles fizeram pelos pobres, pelos analfabetos e pelo povo brasileiro que lhes valeram cotação para ser canonizados e imortalizados. Mas eles eram de carne e osso e conhecidos demais para que o mundo se transformasse num toró de lágrimas por causa de suas despedidas.
Com a princesa é diferente. Ela era distante de nós, mas preenchia um espaço inconsciente de nossos desejos. É por isso que o que se chora é um lugar vazio dentro de cada um. Choramos um sonho que se desfez. Choramos a luz do holofote que se apagou no palco da nossa existência. Choramos porque o final da peça é desprovido do ‘happy end’. Em seu lugar o script diz que a brutalidade dos fatos deve ter a última cena.
- CARLOS ALBERTO RODRIGUES ALVES, delegado substituto do MEC no Paraná
Pena de morte
O estuprador, que é criminoso, é condenado a dez anos de reclusão, no máximo. O filho gerado em decorrência de estupro não comete crime algum. No entanto, absolutamente inocente no caso, recebe a pena de morte dentro do ventre da mãe. O Código Civil, conquanto estabeleça que a personalidade civil do homem começa do nascimento com vida, ressalva ‘os direitos do nascituro’ (art. 4º). E qual direito do nascituro pode ser maior do que a vida? A Constituição Federal garante a ‘inviolabilidade do direito à vida (art. 5º, caput). A morte provocada de um ser humano - tenha ele uma semana ou noventa anos de vida - não é a mais flagrante violação do direito à vida, garantido constitucionalmente?
Isso posto, se a mãe não quiser ou não puder criar o filho concebido em consequência de estupro, o Estado tem o dever de fazê-lo e de proporcionar à criança os meios adequados para que ela tenha uma formação consentânea com a dignidade humana. Para tanto, deve valer-se de órgãos e instituições apropriados. O aborto abre uma fenda na consciência individual e avilta a moral coletiva da Nação.
- LÁZARO VALTER MONTEIRO, Mandaguari
Metronorte
Acho esta integracão, voltando ao antigo projeto Metronorte, de fundamental importância para todas as cidades do Norte do Paraná. As cidades neste eixo, de Ibipora a Mandaguacu (Talvez até Paranavaí/Cianorte/Campo Mourão), são extremamente semelhantes cultural, econômica e etnicamente. Não há por que se pensar em lutar pela ‘‘região de Londrina’’ ou pela ‘‘região de Maringᒒ. Isso enfraquece os defensores destas regiões, quando defrontados com a Região Metropolitana de Curitiba. A Metronorte já nasceria com mais de 1 milhão de habitantes e enorme poder político e econômico. Todo esse poder voltado para a mesma direção, trabalhando em sinergia, certamente trará excelentes resultados, tanto para a região quanto para o Paraná como um todo.
A ‘‘Folha’’ tem uma oportunidade ímpar de utilizar todo seu poder como meio de comunicação para empunhar uma bandeira que, com certeza, terá muitos seguidores que, se deixarem os interesses pessoais em segundo plano, poderão dar origem a um fato histórico que fará a diferença para nosso Estado no Século 21. Devemos também lembrar que a maioria das nossas cidades do Norte
têm a mesma origem - a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Não existe nada mais lógico, portanto, do que buscar esta integração.
- DIÓGENES F. MIYATA, Londrina
ERRATA
Ao contrário do que foi publicado ontem, na Folha 2, o filme em cartaz no Cine Teatro Ouro Verde, em Londrina, é ‘‘Ponette’’. ‘‘As Férias do Mr. Hulot’’ está em cartaz no Cine Guarani, em Curitiba.

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