O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Excepcional
Sou professora do Centro de Atendimento Profissional para pessoas portadoras de deficiência mental, do Colégio Hugo Simas, e fiquei indignada com reportagem no programa Acontecendo, sobre o ocorrido, na loja Scalla, com meu aluno Valério M. Rosa. Estamos na Semana Nacional do Portador de Necessidades Especiais e um caso desses só entristece por saber que ainda existem pessoas com tamanho preconceito, que leva até a chamar Valério de débil mental. Débil mental é o indivíduo que precisa de cuidados psiquiátricos, o que não é o seu caso. Ele é portador de deficiência mental, onde um atraso ocorreu no seu desenvolvimento intelectual e isto não impede que ande pela cidade, que tenha vontade de entrar em lojas, ver e sair sem nada comprar.
Nosso trabalho com esses alunos visa o bem à sociedade, criando oportunidades de uma vida independente, podendo até trabalhar para o sustento da família. Como pode um indivíduo deste deparar com sujeitos sem a menor dignidade em lidar com seres humanos, ricos e pobres, asseados e sujos, educados e ríspidos, pois sua profissão exige educação e respeito em primeiro lugar? Como esperar que os donos de tantas redes de lojas admitam funcionários como estes? Poder-se-ia justificar com o pouco pelo trabalho. Pessoas sem capacitação são admitidas, pois não se pode exigir muito.
Apesar de deficiências, são pessoas de bem, educadas, com senso crítico e com sentimento. Tenho certeza de que aquele rapaz guardará por muito tempo esse episódio injusto. E com a justiça de Deus, pela sua bondade infinita, talvez por não terem na família algum portador de deficiência, um dia sentirão vergonha do que fizeram e possam pedir perdão, procurando pensar sempre antes de um ato tão mesquinho e vergonhoso como esse. Que país é este, onde a sociedade desconhece os indivíduos que a ela pertencem?
- ANA LUCIA STELLIN MONTENEGRO, Londrina
Impunidade
Qualquer pessoa, em sã consciência, sabe que, se os envolvidos na morte do índio pataxó não tivessem intenção de matá-lo, teriam desistido antes de comprar combustível para incendiá-lo. Até adquirir o combustível e retornar ao local onde estava o índio, houve tempo suficiente para o arrependimento e não teriam cometido o crime. Porém, não desistiram e desta forma justificaram a intenção de matar o pataxó. Portanto, os envolvidos deveriam ser condenados por homicídio doloso e não culposo, como sentenciou a juíza.
As leis no Brasil protegem de certa forma os infratores. Temos vários exemplos das injustiças no País. E menores que, amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, cometem diversas infrações, desde pequenos furtos até homicídio, levando terror às ruas, às casas e à própria família. Vemos diariamente nos jornais e revistas matérias sobre menores que furtam, matam e cometem barbaridades e quando são detidos pela Polícia se transformam em santinhos. Choram, pedem a presença da mamãe e do papai e, juntos, fazem cena de novela que todos conhecem.
Lógico que os pais vão inocentar o filho e repetir o mesmo depoimento do anjinho. Qual a mãe ou o pai que quer ver seu filho atrás das grades? Qual o menor que confessaria seus crimes diante das autoridades? Nesta ocasião ninguém é culpado. Mas tenho esperança de que um dia a justiça seja feita, que a lei seja aplicada rigorosamente, sem distinção de raça, cor e classe social, começando uma limpeza pelo alto escalão. Assim o Brasil seria olhado de outra maneira. Para isso os nossos governantes e outras autoridades deveriam pensar mais em suas atitudes, antes que cometam mais injustiças ou deixem de fazer justiça, deixando-nos cada vez mais desprotegidos.
- CLÁUDIO DE SOUZA ROLIM, Jaguapitã
Serviço público
Será que somente no futuro teremos governadores que nos permitam sentir entusiasmo para que possamos progredir com dignidade e prestar serviço público de qualidade? Pois o Estado só se faz conhecido através de ações e serviços públicos, que tornem a vida de cada um de nós mais fácil e menos penosa e não de propaganda que ilude. Na última eleição nós, funcionários públicos estaduais, pensávamos que havia chegado o momento, mas nos enganamos. Demos um tiro no escuro, mesmo porque do outro lado existia alguém que já conhecíamos. Tínhamos que tentar uma renovação. Deu no que deu. Conseguimos eleger um governador que só pensa em status, só pensa em beneficiar quem está ao redor do seu quintal ou quem mais tem força para pressionar, e que tenta de todas as formas dividir as categorias do funcionalismo.
Enquanto isso, nós, funcionários dos níveis médio e operacional do quadro geral, estamos há mais de dois anos sem um centavo de reposição salarial. Durante esse tempo, muitas coisas tiveram aumento. Será que esses 40 mil servidores não merecem um pouco mais de dignidade ou não temos qualificação para tal? Não há de ser nada. Se não temos a compreensão do Governo estamos tendo de colegas de outras categorias que, de certa forma, já foram beneficiados e compreendem a calamidade da nossa situação e apóiam nossas reivindicações. Em 1998 seremos mais de cem mil cabos eleitorais e não somente cem mil eleitores. Com esta força vamos realmente transformar o Paraná. E não será reajuste salarial à véspera de eleição que irá apagar da nossa memória o que estamos passando ao longo deste período.
- JOSÉ LÁZARO VILANI, Umuarama
Aborto
Meus cumprimentos ao ministro Carlos Albuquerque por sua coerência com os princípios éticos em não ser conivente com a aprovação do projeto sobre a legalização do aborto, ora em votação no Congresso. Como médico, sempre aprendi que a ciência não deixa dúvida quanto ao status do embrião desde a fecundação: é um ser humano vivo. Para corroborar, recorde-se a conferência proferida pelo Dr. Jérôme Lejeune, a maior autoridade em genética da atualidade, descobridor da Síndrome de Down ou Mongolismo, no Senado Federal em 27 de agosto de 1991.
- MARCOS ANTONIO SANTINI, Londrina





