Questionamentos


Escrevo para este jornal na esperança de que alguém possa elucidar uma série de questões que vêm me incomodando. Por que ninguém criticou a omissão do governo, representado nas universidades pelos reitores, com relação ao sucateamento e privatização da educação, antes de a greve começar? Por que ninguém, a não ser os servidores, havia antes questionado os baixos salários e a situação de miserabilidade que atinge o funcionalismo publico? Por que somente no mês de dezembro, um mês antes do vestibular, os formandos lembraram que em greve não há formatura? Por que o Ministério Público e os procuradores não questionam o Estado e a União sobre a destruição dos patrimônios públicos que eles vêm deliberadamente causando no Brasil? Por que estes mesmos o questionam sobre a viabilidade de realização do vestibular? Por que somente as entidades diretamente envolvidas com o capital têm assento nos Conselhos Universitários? Por que um prefeito é martirizado por estar na rua defendendo uma causa justa? Por que um bispo pode sacramentar o vestibular sem ser questionado?
Resumindo: por que as pessoas se importam mais com o vestibular do que com a saúde e a educação? A resposta pra mim parecia simples: porque no mundo globalizado e pós-moderno, os fatores monetários e individuais prevalecem sobre os interesses coletivos. Mas, não pode ser esta a resposta, já que R$ 90 milhões deixam de circular em Londrina por conta da defasagem dos salários dos servidores, quantia bem maior do que a resultante do movimento comercial causado pelo vestibular da UEL. Qual será então a resposta para tanta falta de coerência?


- RUBENS GOULART, estudante, Rolândia


Tempo de Esperança


''Alegre-se a terra que era deserta... criai ânimo, não tenhais medo...''(Isaías 35,1-3). Estamos em um momento muito oportuno para renovarmos o que há de precioso em nossa vida: as virtudes da fé, esperança e amor. Sim, é oportuno porque estamos celebrando momentos fortes de relação entre a fé e a vida de cada um, relação entre Deus e a humanidade, onde o que mais se sobressai é a verdade de um Deus que só quer amar e só quer amor. Amor é a atitude imprescindível que salvará a humanidade. Amor é a força que dá sentido aos acontecimentos da nossa caminhada. Amor é diálogo, é testemunho, é anúncio, é serviço desinteressado, é paciência, é estar pronto para tudo e para todos. É entregar-se nas mãos de Deus e colocar a ''mão na massa'', transformando fé em obras. É ser sal da terra e luz do mundo. Amor significa criar meios e caminhos para que Deus seja mais conhecido, amado e seguido; é criar meios e caminhos para que a humanidade seja mais humana.
Amor é fruto da fé. A fé nos impulsiona a amar a todos indistintamente... a todos mesmo! A fé e o amor nos levam à esperança. Esperança num amanhã melhor do que o dia de hoje. Vale a pena ter esperança numa nova página da nossa história. Vale a pena esperar que um dia não precisemos mais de greves nos diversos setores para que se consiga chamar atenção às nossas justas reivindicações. Vale a pena esperar que um dia não precisemos viver como reféns de um contexto marcado pela insegurança. Vale a pena esperar que um dia todos tenham chances de uma família, uma casa, um trabalho, saúde e lazer. Vale a pena esperar que um dia a mentira e a corrupção façam parte do passado. Vale a pena esperar que um dia aconteça a real solidariedade onde todos viverão como uma verdadeira família. Vale a pena esperar que no lugar de bombas, os homens lancem idéias e atitudes em benefício do bem comum.
Para que tudo isso não seja mais um sonho, mas uma verdadeira esperança, é necessário que cada um seja protagonista de uma nova página da nossa história. Se cada um fizer a sua parte, não tem jeito de não ter esperança num amanhã melhor.
De mãos dadas e corações unidos, caminhemos sempre para frente, aprendendo com os erros e acertos, olhando com santa expectativa para o futuro.
Estamos nas alegrias natalinas. Que a ciência avance e descubra maneiras de ajudar na dignidade humana, e que ao lado da ciência, avance também o nosso coração. Pois um dia na história, Jesus nasceu numa manjedoura de palha e capim. Hoje, nos tempos modernos, o ''Menino-Deus'' precisa nascer numa manjedoura de carne e de sangue: o coração humano!


- PADRE SILVIO ANDREI, Assessor de Comunicação da Arquidiocese de Londrina


A novela real de Silvio Santos


E chega ao fim a novela da vida real. Terminou o grande sucesso de audiência do SBT, ''Casa dos Artistas''. Quase sempre acho que devo bater palmas para o Silvio Santos, mas, desta vez, sou obrigado. Mesmo sendo este tipo de programa uma cópia de um programa Europeu. Silvio e sua genialidade ou genial equipe conseguiu enfim desbancar o líder de audiência nos últimos 30 anos, ''Fantástico''. Mesmo não sendo um fiel admirador global, me senti um
tanto quanto desolado ao ver o ''Fantástico'' e o ''No
Limite'' deixados em segundo plano. Sem mais blablablá, agora é só conferir os ex-participantes da Casa dos Artistas, em todos os programas, e em todos os horários, falando incessantemente e tentar sobreviver.


- MARCIO PARDO, estudante, Londrina


2002 e Brasil: país do futuro?


Como não podia deixar de ser, nos últimos dias do período legislativo discute-se a carga tributária brasileira. As manchetes não cansam de alardear os recordes de arrecadação e que a carga tributária bate recordes históricos e inimagináveis quando atinge 34% do PIB.
Nossa economia travada, andando aos trancos e barrancos, tem, no mínimo, três variáveis importantes sob o comando governamental: o custo tributário, o custo financeiro e o custo de infra-estrutura.
No primeiro, o que ocorre é uma brutal transferência de riquezas do setor produtivo para o custeio da máquina governamental. No segundo, o endividamento público obriga à manutenção de taxas de juros que são as mais altas do planeta. No terceiro, as deficiências no setor educacional (greves contínuas), estradas em péssimo estado (salvo as pedagiadas), portos ineficientes e caros.
A questão não enfrentada é até quanto a sociedade tem capacidade de assimilar e transferir para o setor público, comparação para com o que recebe em troca. O funcionalismo público, apesar de mal remunerado, absorve 50% da arrecadação federal e 60% dos Estados e municípios e aposenta com proventos integrais, ao passo que os empregados na iniciativa privada recebem as aposentadorias humilhantes que todos conhecem.
Essa dicotomia entre o público e o privado, a meu ver, é a grande questão a ser enfrentada pela sociedade brasileira na eleição presidencial do ano 2002. Aqueles que pretendem um Estado Maior na verdade querem tiranizar a sociedade, beneficiando o Poder Público e a burocracia dominante, sob a falácia que promoverão a distribuição de rendas, com benefício dos pobres e prejuízo dos ricos.
Nesse caso, teremos perdas de investimentos (a globalização é inimiga da ineficiência), o desemprego e o empobrecimento. Nossa classe política, infelizmente, tem aprovado tudo o que o governo quer em matéria tributária. A Constituição é alterada para legitimar tributos, antes considerados inconstitucionais pelos tribunais.
O ambiente de derrama fiscal deve ser coibido por uma ação firme dos ''órgãos de classe'' e pelos nossos representantes. Caso contrário, o Brasil continuará ''ad eternum'' como o ''País do Futuro''.


- VALMIR MARAN, advogado


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