O LEITOR ESCREVE
Greve na UEL
Todos os setores de Londrina que têm alguma relação com o vestibular da UEL estão inconformados e, com total razão, com os desdobramentos das tentativas de negociação com o governo Jaime Lerner para pôr fim à greve. Representantes dos setores mais amplos e representativos da sociedade londrinense estiveram em Curitiba vários dias tentando negociar uma saída de bom senso para o impasse. Na primeira reunião, este grupo que representa a sociedade quase foi convencido de que o governo estava de mãos atadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Os representantes do movimento demonstraram que este argumento já é um absurdo se levarmos em consideração a forma como são feitos seus cálculos e, mais ainda, se considerarmos que a própria bancada que apóia o governo declara pública e diariamente a necessidade de uma reforma administrativa para enxugamento da máquina. Todos que acompanham este debate pela imprensa sabem que há um enorme gasto com altos salários para os cargos que ''prestam serviços políticos'' à administração estadual. Essa situação absurda é mantida às expensas das condições de vida dos funcionários concursados que prestam serviços à população diariamente nas escolas, hospitais, postos de saúde e outros, como as universidades. Até quando teremos que conviver com tal absurdo? É por isso que num momento como esse ficamos completamente entristecidos com a falta de sensibilidade que faz com que tenhamos que tomar atitudes como a continuidade da greve num momento em que a modificação das agendas de formandos e vestibulandos causam prejuízo a eles e à cidade. Temos certeza de que, informados e esclarecidos como são, jamais irão comparar sua situação de incômodo com o fato de que um hospital do porte do HU há tantos dias esteja fechado para nossa sofrida população, com exceção do estrito atendimento de urgência. Além disso, caros estudantes e população em geral, uma prova de vestibular em situação tão adversa poderia ter algum furo que colocasse em questão sua seriedade e aí sim trazer um prejuízo incomensurável para a UEL e Londrina juntas. No ano passado os mesmos trabalhadores encerraram sua greve com uma promessa vaga do governo como a que hoje apresenta. Naquele momento acreditamos e foram indicados representantes que fariam parte das comissões que estudariam e negociariam modificações para evitar essa situação. Eles estão até hoje esperando a convocação para iniciar os trabalhos. No nosso lugar você acreditaria novamente ?
- CRISTIANO SIMON é professor da Universidade Estadual de Londrina
Benesses e descasos
Não é demais lembrar aqui certos benefícios que o governo concede a uns poucos privilegiados, em prejuízo de toda a população. É o caso do grande negócio dos pedágios. De um lado, menos de meia dúzia de espertos se tornam sócios do governo do Paraná (numa empreitada em que a população entra com o dinheiro, e esses apaniguados, com o lucro). De outro, o ''resto'' da população arca com os prejuízos do sucateamento da saúde, da educação, etc., pelo descaso do governo. Para aqueles, a facilidade do reajuste das tarifas acima da inflação (quem paga que se dane!). Para a população, aumento de impostos, de gastos com tarifas, da inflação, etc.
Agora, época de festas de fim de ano, é oportuno fazer alguns cálculos: quanto vale o nosso salário? Um professor do Estado (categoria que reúne o maior número de trabalhadores), com nível superior, ganha R$ 4,27 por uma hora-aula. Um trabalhador que recebe um salário mínimo por mês obtém R$ 0,90 por hora. E quanto custa uma tarifa de pedágio, na estrada para as praias, por exemplo? R$ 5,50. Mais que uma aula do professor, mais de seis horas do trabalhador de salário mínimo. E em quanto tempo ganham esse valor os donos de pedágio? Em média, em 1 minuto. Não sou contra a empresa privada e o lucro, desde que construídos com ética e trabalho. A questão é que os apadrinhados proprietários das concessionárias não investiram nada; e mal tapam os buracos nas pistas. Cadê o direito à liberdade de ir-e-vir se não há alternativa de estrada? Ganhando tudo pronto, o único ''trabalho'' que os ocupa é, com todo o conforto e segurança, contabilizarem seus lucros fáceis.
- JOSÉ ANTÔNIO TRINDADE, Curitiba
Governo do Estado
Governo do Paraná: a política de dois pesos e duas medidas. Teve o descaramento de autorizar aumentos absurdos ao pedágio e aos índices dos impostos sobre combustíveis, energia, telefone e outros produtos. Por outro lado, não é capaz de negociar um único percentual de aumento ao salário dos professores e outras categorias de funcionários públicos, há anos sem reajuste.
O Paraná está numa crise sem precedentes, tudo por incompetência política, de gente que não sabe governar a não ser vendendo os bens do Estado. O pior é que o povo está totalmente desamparado em termos políticos. Não há quem o defenda e lute por seus direitos. Os deputados estaduais são totalmente subservientes ao governo, com raras exceções.
Esse governo do não-diálogo, mais de uma vez Papai Noel das concessionárias de pedágio (votado pelo povo e devotado pelos deputados), é que José Cid Campêlo Filho, secretário de Estado do governo, veio defender contra o editorial da Folha. Ele não é capaz de perceber que o governo que ele resguarda com palavras é o mesmo que o povo sente na pele e no bolso e já não suporta mais carregar. Felizmente a Folha, orgulho dos londrinenses, não é capacho do governo, como acontece com muitos outros meios de comunicação do Estado; não é alguém de um governo desacreditado que vai questionar a sua credibilidade.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina
Nitis
Irreverente, inteligente, envolvente, Nitis Jacon transcende tempo, línguas, culturas, épocas. A montagem das ''Troianas'' de Sartre, que radica em Eurípedes, encenada em Londrina por formandos do curso de Artes Cênicas da UEL, é celebração de otimismo, boa vontade, espírito crítico. A intervenção final da diretora suscita espaço dialético no qual jovens atores matizam aquele inesquecível minuto de fama. Despreocupada em oferecer espetáculos argentários, caça-níqueis ou de mera badalação, Nitis é autêntica, livre que está dessa fétida indústria cultural que nos esmaga, como previra Adorno. Tivéssemos em Londrina apenas mais uma Nitis e a cidade renasceria num ambiente mágico do teatro entronizado como força canônica, quando a arte liberta e emancipa.
- LARISSA E ARNALDO GODOY, Londrina
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