Provocação


Semanalmente, a TV Cultura de São Paulo, que chega aos pés-vermelhos pela TV por assinatura, transmite um programa liderado por um dos poucos que merecem algum respeito na televisão brasileira. Antônio Abujamra sabe prender-nos com inteligência, sem recorrer ao banal. Com suas perguntas ácidas, Abujamra parte do princípio que todo ser vivo reage proporcionalmente à agressão recebida.
Pois bem. Um ótimo exercício para entendermos o que é provocação é andar pelas ruas de Londrina. A cidade é um bom palco para dar vazão a isso. Nada contra ela: há 16 anos acolhe-me com casa, emprego e amigos. Mas o que me chega aos olhos eu não posso filtrar. Ninguém o pode, e muitos fingem não ver.
Andar pelas ruas de Londrina é provocante. Refiro-me ao lixo que encontro em todo lugar; ao adolescente que atravessa o sinal vermelho e à madame ao volante enquanto usa o celular; ao gosto duvidoso de arquitetos da cidade e que me fere os olhos; às lonas e trapos de camelôs que encobrem um dos poucos lugares que contam nossa história; ao exagero de outdoors que nos impedem de ver o horizonte; ao corte de árvores com décadas de vida, para que suas copas não dificultem a visibilidade do nome de uma marca de automóveis. Placas que trazem o nome de uma empresa, em troca da manutenção de um canteiro de avenida, felizmente, essas não me provocam tanto, pois o mato fez o favor de encobri-las (incrível uma cidade que investe R$ 400 mil num filme não ter recursos para cortar a grama!). Nos loteamentos, diariamente encobrimos com cimento, asfalto e ferro a terra mais fértil do planeta. Um dia sentiremos falta.
Nesta semana em que comemoram-se os 67 anos de Londrina, em vez de cairmos no ufanismo ridículo de acharmos que nossa cidade é maravilhosa, e relembrarmos pela milésima vez a bravura dos pioneiros, vamos trabalhar para que um dia ela realmente seja bonita, justa e agradável!
Em casa, esperando estar livre de tanta provocação, abro os jornais e leio que políticos envolvidos em desvio de dinheiro público aguardam julgamento em liberdade, e que isso poderá demorar uns dez anos! Assim não dá! É muita provocação. Somos provocados a todo instante. Quando e como iremos reagir?


- MARCELO R. MACHADO, professor, Londrina


Conselho Tutelar


A eleição para o Conselho Tutelar que ocorreu no último domindo, dia 9, nos demonstra infelizmente que muito ainda temos que caminhar no que se relaciona à ética, à transparência e à cidadania.
Na Constituição de 1988, a luta dos setores organizados e comprometidos com as crianças e adolescentes do nosos país, culminou com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em oposição ao antigo Código do menor.
Essa nova política de proteção integral a essas pessoas em desenvolvimento especial tem como objetivo tratar cada criança e adolescente como portadores de direitos e deveres. A criação de organismos como o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e do Conselho Tutelar passariam a atuar como um porta aberta à comunidade para que se corrigissem distorções, defendessem e protegessem a nossa infância e juventude. E, em sincronia com toda a sociedade, fizessem um trabalho de conscientização para que toda a comunidade prestasse mais atenção e se envolvesse no combate ao abandono da nossa infância.
A prática que se viu nessa eleição, onde se encontravam, ao menos teoricamente, sessenta candidatos que representariam os compromissos em defesa da criança e do adolescente no nosso município, foi um desrespeito a toda essa luta.
É de se indagar se algumas pessoas que desconhecem qualquer código de ética e cidadania podem ser representantes de um organismo que se propõe, além das inúmeras tarefas, também a mudar hábitos e costumes, como diz Edson Seda num de seus livros.
As velhas práticas de compra de votos, de currais eleitorais, clientelismo e pressão sobre o eleitor estiveram presentes nessa eleição de forma assustadora.
Londrina, que vem lutando contra a corrupção, com muitas vitórias, deve repensar esse processo com muito zelo, pois o que está em jogo é algo muito mais sério do que o emprego de alguns candidatos perdedores e, sim, toda uma conduta ética e transparente que deverá permear não somente a eleição do Conselho Tutelar, mas todas as eleições dessa cidade, onde queremos ver nos representando pessoas de fato comprometidas com uma utopia, que é um futuro digno para a nossa infância, hoje tão abandonada.


- RITA BASTOS, socióloga, Londrina



Venezuela


As 49 medidas baixadas pelo ditador e nas horas vagas presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiram algo que nem mesmo seus maiores opositores imaginariam: unir a Fedecámaras (setor empresarial), a população e a maior central operária do país, a CTV, contra seu governo.
O visionário Chávez colocou sua roupinha de revolucionário ao estilo Chê e discursou para a ''maioria'' que foi até Caracas em cerca de cinquenta ônibus, enquanto a ''minoria'' dos 90% da população ficou em casa apoiando a greve. Contrariado, o grande líder avisou aos opositores que não iria dialogar e não aceitará manifestações.
Imoralidades, traição, lei e chantagem à parte, vamos ver alguns pontos das medidas pelas quais a greve aconteceu: 1) O Estado considera domínio público as propriedades localizadas a até 80 metros da costa; 2) O Estado decidirá quais atividades poderão ser exercidas em edifícios localizados a até 500 metros da costa; 3) Os ''camponeses'' que receberem terras desapropriadas não terão o título de propriedade, mas apenas o ''direito'' de trabalhar nelas. Tais terras serão ''propriedade do Estado'' a fim de que venham a ser de ''utilidade pública e interesse social''; 4) O Estado aumenta os royalties sobre o petróleo para 30% e passa a deter 51% das ações das empresas de exploração do óleo, submetendo assim as empresas privadas a um regime de controle, vigilância e limitação.
Para mostrar que é um ''líder democrático'' ao mais puro estilo Nikita Kruschev, ''el comandante'' anunciou que enviará o mais depressa possível ao Congresso uma nova lei de comunicação e informação a fim de criar sanções para os meios de comunicação.
Para encerrar, mais um pérola revolucionária do discurso de Chávez: ''A partir de hoje, novos acontecimentos ocorrerão na Venezuela. Não vamos aceitar que se confunda democracia com libertinagem. Querem o conflito? Terão o conflito. Vamos ao contra-ataque revolucionário''. Quá, quá, quá!


- ANDRÉ LUIS ARRUDA PLÁCIDO, relações públicas, Londrina


Primavera


Quem esteve presente na Acil nesta última segunda-feira pôde conferir um grande momento de Londrina (lançamento do livro ''Primavera de Londrina'', do jornalista Délio César). Não me recordo de ter visto em outras ocasiões tantas pessoas de valores morais e éticos reunidas para prestigiar um cidadão. Parabéns Délio, e que as primaveras sejam cada vez mais floridas nesta cidade maravilhosa.


- JOÃO MANELLA CORDEIRO, advogado, Londrina


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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