O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Decisão da juíza
A nação brasileira assistiu indignada à decisão da juíza Sandra Mello, da Justiça de Brasília, que na prática livra a cara dos assassinos do índio Pataxó. Riquinhos e filhos de autoridades de Brasília, que, no intuito de se divertir, jogaram álcool e atearam fogo no índio Galdino, que dormia num banco de ponto de ônibus, levando-o à dolorosa morte por queimadura. Estranha justiça brasileira, que condenou o Rainha, líder dos sem-terra, a 26 anos de prisão, apesar das fartas provas que o inocentavam, demonstrando claramente que sua condenação era simplesmente política. Estranha decisão da justiça mineira, que condenou o sr. SantAna, um dos envolvidos do Banco Nacional, a 4 anos e 6 meses de prisão em regime aberto, enquanto cerca de 52 mil pessoas responsáveis por pequenos furtos cumprem pena em regime fechado em penitenciárias brasileiras.
O PT de Curitiba manifesta indignação com todos esses casos e denuncia o caráter parcial da justiça brasileira, que sempre encontra os meios necessários para livrar e até inocentar os ricos e poderosos, enquanto pune violentamente os mais pobres e humildes. Que ninguém estranhe se, de repente, o índio Pataxó for responsabilizado pelo crime, sob alegação de que não deveria estar na hora e lugar, induzindo os pobres coitados riquinhos a lhe atearem fogo. Somente a indignação do povo brasileiro poderá pôr fim à impunidade dos ricos e poderosos que fraudam o País, assaltam os cofres públicos, assassinam trabalhadores e excluídos.
- PEDRO PAULO COSTA, presidente do PT, Curitiba
A Igreja e o MST
Por mais que a Igreja tente, não consegue explicar nem convencer o cidadão urbano a respeito da sua atuação na questão da terra. Parece até que a Igreja gosta de provocar polêmica em questões sociais. Isso já não vem de hoje. Desde o período de exceção, quando os militares tomaram o poder, a Igreja vem se notabilizando por tomar a frente dos movimentos sociais, guiada também por princípios oriundos da já enfraquecida Teologia da Libertação. A Igreja, internamente, compõe uma frente ampla, onde diversas tendências convivem não sem algumas divergências. O movimento de Renovação Carismática e a Opus Dei apresentam-se como de direita, enquanto as CEBS se caracterizaram até aqui por tendências esquerdizantes, especialmente por priorizar uma análise sociológica da realidade, usando textos bíblicos para justificar suas posições.
O Concílio Vaticano II trouxe uma abertura para o mundo, como nunca se viu na história do cristianismo. Houve um desatrelamento dos poderes temporais, especialmente na América Latina. Quando se diz que a Igreja não deveria se meter em política, usa-se argumento capcioso, pois, estudando-se mais a fundo, percebe-se que a luta da Igreja não se fixa no problema da terra em si, mas nos princípios de Justiça e fraternidade que traduzem o amor evangélico pregado por Jesus Cristo. Esses princípios, sempre que desrespeitados e quebrados, conferem à Igreja amplos direitos e até um dever de exercer seu múnus profético de denunciar e exigir Justiça. Vital é que se entenda que a Igreja luta sempre por princípios e não necessariamente por questões materiais. Enquanto ela se mantiver nessa ótica deve sempre ser bem-vinda sua atuação. Como Jesus e como Gandhi, sem violência, mas com firmeza inabalável.
- RENATO BERTIN, Londrina
Dia mais triste
Parabenizo a comunidade judaica de Londrina pelo brilhante trabalho publicado neste jornal dia 12, intitulado O dia mais triste do ano e em especial o rabino Abraham Shapiro pela clareza na colocação de suas idéias. É maravilhoso contemplar um povo onde cada simples indivíduo procura melhorar sua qualidade de vida própria com o fim de que a comunidade melhore, avance e se aperfeiçoe. Nós todos sabemos que entre os judeus é assim, de verdade. Este povo é sério o bastante para ter permanecido vivo, forte e inabalável até hoje. Onde estão todos os seus inimigos e perseguidores?
Solidarizo-me com o povo judeu pelos difíceis momentos que ele tem passado na questão territorial de Israel. No entanto, nosso conforto e consolo se fundamentam em que toda aquela terra pertence ao povo de Israel desde os tempos mais antigos. Foi Deus quem determinou isso. E assim será! Com bomba ou sem bomba. Com camicases (suicidas), terrorismo, protesto, ainda que o mundo inteiro esteja contra. Aquele é o lugar para onde todas as nações da Terra afluirão. Hão de agarrar à orla do manto de cada judeu e bradar: Mostra-nos o teu Deus - diz a profecia. Este povo é sacerdotal. É a raça santa. E ponto final.
Parabenizo também a Folha por ter-se mostrado realmente imparcial e pela abertura de seu espaço público a todas as tendências em nossa cultura local e regional.
- MARCOS DIÓGENES BAPTISTA DE ALENCAR, Londrina
Rebelião
É lamentável uma notícia como esta, das ocorrências no 5º Distrito Policial de Londrina. Ninguém gosta de estar preso, mas ficou pior agora com a destruição que eles mesmos fizeram nas dependências do distrito. Será que o público leitor e autoridades imaginam como ficamos por sermos vizinhos do 5º DP? Não moro na região, mas trabalho ali, bem na boca do vulcão. Sou uma das supervisoras de ensino que atuam na escola vizinha do distrito. Será que, passadas as eleições, as autoridades tornarão a pensar nas quase mil crianças que ali estudam? E nós, professores e funcionários? Muitos sentem o problema duplamente, pois moram nas imediações da escola. Está mais do que na hora de Londrina - e o Brasil também - começar a agir em vez de falar. O problema do 5º DP foi até alvo de programa político na campanha eleitoral, mas parece que após as eleições ele foi milagrosamente resolvido. Até quando? Até que crianças ou funcionários venham a servir de refém? Lamento, mas concordo com a declaração do juiz que lá esteve para negociações.
- VANDA DIAS TEIXEIRA DE CASTRO, Londrina





