Professor

Um certo ex-professor, que chegou a um cargo público muito importante, disse para o seu povo que o mestre que não faz pesquisa é medíocre e está condenado a dar aulas pelo resto de sua vida. Esse ex-pesquisador acha que ensinar, transmitir conhecimento, é prova de incompetência e um grande castigo. Para ele só é competente quem inova, quem inventa. Já eu penso que dar aula não é nenhuma condenação. A condenação é ganhar um salário tão baixo por um trabalho tão nobre.
Eu, que sou professora de geografia, não sei se também aloprada, acho que o mestre tanto deve produzir ciência como reproduzir aquilo que outros pesquisadores e mestres também já criaram com competência. Porque se eu ensinar aos alunos apenas o que eu inovei, eles não vão entender nada das bases da ciência geográfica, já trabalhada por centenas de outros geógrafos antes de mim. Eu sempre pensei que a cultura evoluía a partir da transmissão do conhecimento acumulado pelas gerações anteriores, acrescida do progresso no uso das técnicas na geração atual. É justamente a capacidade de transmitir, de geração em geração o que já foi criado, o conhecimento já acumulado, que diferencia a humanidade das comunidades animais. Nessas, só muito raramente, as técnicas de sobrevivência se aprimoram em função de comportamentos inovadores. Geralmente, as inovações morrem com o indivíduo criativo, pois não há transmissão do saber. Que pena pra eles! Macaquitos!
Mas aquele ex-professor nada aloprado que virou gente da alta, viveu com os americanos e aprendeu com eles, diz que lá o professor tem que criar o tempo todo e que pesquisar é muito mais importante que ensinar. Só fica ensinando quem é burro. Mas não é assim que eu vejo esses gringos: eles sabem, e muito bem, ensinar o que interessa para o seu povo, para que o país avance. Eles se preocupam tanto com a pesquisa como com o ensino. Porque quem não aprende o que já foi feito, pode, por exemplo, reinventar a roda, sem perceber que ela já existe.
Eu acho é que esses gringos, esses bancos reguladores do ensino no quinto mundo, querem mais é que a gente fique inventando a roda, enquanto eles deitam e rolam em cima dos nossos recursos.


- MARIA EUGENIA M. COSTA FERREIRA, professora, Maringá


Maestro


Foi ao entardecer do final do ano de 1975 que eu me dirigi a um apartamento no edifício Taperinha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para fazer um convite a uma pessoa que se tornou muito querida para toda a minha família.
O então reitor da Universidade Estadual de Londrina, Oscar Alves, queria criar uma Orquestra Sinfônica na UEL. Acho que para isso tinha sofrido a influência de Marco Antônio Fiori, que viria, mais tarde, também ser reitor. Sabendo disso, meu marido, Ubiratan de Oliveira Alves, indicou o nome do maestro Othonio Benvenuto, que ministrava aulas no curso de Música na Universidade Federal de Santa Maria. Nome aceito, fui indicada para conversar com o maestro.
Tenho a certeza de que para ele foi uma verdadeira surpresa o convite, uma vez que não conhecia Londrina, nem cogitava mudar de universidade. Mas isso aguçou aquele espírito aventureiro e criativo.
Mais um aspecto a ser lembrado: como ele tinha estabilidade na UFSM, precisava ir perante o juiz de direito para pedir demissão. Se o maestro hoje se arrepende do que fez, é a mim que ele deve culpar, pois com uma procuração à mão fui até o cartório e assinei toda a papelada como se fosse ele.
Boas recordações. Muitas lutas, muitas discussões, muitas decisões. Tudo em função de um ensino de qualidade que se implantava na UEL. Com vasta bagagem cultural e didática, o maestro coordenou a maioria das propostas pedagógicas para o curso de Educação Artística, adaptando currículos e criando metodologias adequadas às necessidades e à falta de estrutura que reinava naquela época.
Tenho certeza de que não sou a melhor pessoa para falar sobre o trabalho musical do maestro Benvenuto, pois quase nada sei dessa área. Sei somente o que com ele aprendi pela vivência e convivência. Mesmo assim, quero deixar claro que ele fez aflorar nesses ''pés-vermelhos'' o sentimento de amor à arte à cultura.
Antes de receber seu telefonema convidando para participar da solenidade de reconhecimento do seu trabalho nessa cidade, já havia resolvido chegar até a Câmara de Vereadores para lhe levar mais um abraço, dos muitos que já nos demos. Não é um abraço de despedida, mas de votos de grande sucesso na nova empreitada que esse coração inquieto vai enfrentar. Maestro, muito sucesso, muita paz, muita saúde!


- LEANGE SEVERO ALVES, Londrina


Ensino


A Pontifícia Universidade Católica do Paraná chega à cidade de Londrina para servir e servir bem a população. Em conjunto com outras organizações, pretende ser mais uma alavanca para o desenvolvimento da região Norte.
Muita gente contribuiu para tornar realidade esse sonho. Cabe-me agradecer, publicamente, a todos. São pessoas de visão, comprometidas com o desenvolvimento e com o futuro. As lideranças políticas, religiosas, empresariais e comunitárias acreditaram, envolveram-se e comprometeram-se com o projeto. O resultado não poderia ser outro. As inscrições para o vestibular já estão abertas.
É importante ressaltar que o campus Londrina representa a abertura de mais oportunidades educacionais. Significa investir na cidadania e na democracia. A sociedade de amanhã será tanto mais evoluída quanto mais educados forem os seus cidadãos. Será tanto mais democrática e pacífica quanto mais diversificado for o leque de opções profissionais disponível aos seus cidadãos. Implantar essa unidade de ensino é demonstração inequívoca de que os Irmãos Maristas, mantenedores da PUC, valorizam e acreditam na juventude. É a melhor tentativa de assegurar um futuro melhor e mais próspero para a sociedade, pois a mocidade, principal benficiária, sempre foi e continua sendo a maior esperança da nação.


- CLEMENTE IVO JULIATTO, reitor da PUC-PR, Curitiba


Aniversário da Folha


A Folha de Londrina/Folha do Paraná é sem dúvida um dos melhores jornais do país. Nesses 53 anos tem sido um grande instrumento a favor da liberdade de expressão, do pluralismo de idéias, da verdade e dos fatos. Uma história bem-sucedida que começou com a coragem de nosso grande amigo João Milanez e que é motivo de orgulho para todos nós. Se hoje a Folha brinda seus leitores com um produto editorial e gráfico de primeira linha, é porque possui em seu quadro grandes profissionais deste belo ofício que é o jornalismo.


- FRANCISCO LUIZ GALLI, presidente da Sociedade Rural do Paraná, Londrina


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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