O LEITOR ESCREVE
O compromisso em que o Paraná apóia o Hospital de Clínicas (HC) e que tem o seu início em um ato cívico, no próximo sábado, às 11 horas, no pátio do hospital, traduzida em cerimônia simples e despojada, com a participação de vários setores políticos e comunitários de todo o Estado, tem um significado fundamental para o nosso Hospital-Escola.
Será o ponto de partida para mais uma tentativa de algumas, no sentido de resolver de forma definitiva problemas estruturais e fundamentais do HC. E começa mais uma vez com a união das forças políticas e entidades do Paraná.
Com este ato cívico, de cidadania, o Paraná quer dizer que ''apóia o HC'' e vai unido procurar soluções definitivas para alguns dos problemas básicos do hospital. O hospital da única universidade federal do Paraná (a primeira do Brasil) enfrenta seriíssimos problemas financeiros. Vale lembrar que Minas Gerais tem cinco universidades federais.
No ato cívico de 1º de dezembro, os ''Amigos do HC'' pretendem mostrar e consolidar a união dos paranaenses em torno do hospital, que atende entre 800 mil e um milhão de pessoas por ano.
Impossível enumerar as adesões recebidas, de todos os setores e do interior do Estado. São 193 estações de rádio noticiando o apoio e algumas delas irão retransmitir o Hino Nacional, a ser executado pelo Coral da universidade, no encerramento do ato cívico.
Entre os inúmeros apoios declarados e oficializados estão: a Federação das Indústrias; Hospital Evangélico; Assembléia Legislativa; Força Expedicionária Brasileira; Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas do Estado do Paraná; Câmara Municipal de Curitiba; Academia Paranaense de Letras; Centro de Letras; além de dezenas de prefeituras, senadores, deputados, movimentos católicos e evangélicos, agnósticos, Movimento PróParaná. Enfim, é eclético e plural o apoio, como é a característica dos ''Amigos do HU''.
Todos têm a convicção que essa união prepara o campo para uma estratégia a ser seguida pelo Paraná unido, num segundo passo, para procurar solucionar com esta base alguns dos problemas fundamentais do Hospital-Escola.
- FERNANDO MIRANDA, presidente da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (AAHC) da Universidade Federal do Paraná, Curitiba
Pré-natal
A gravidez e o parto são eventos sociais que integram a vivência reprodutiva de homens e mulheres. É um processo singular, uma experiência especial no universo da mulher e de seu parceiro, que envolve também suas famílias e a comunidade.
Toda gestação traz em si mesma riscos para a mãe e o feto. No entanto, em pequeno número delas (cerca de 15%), esse risco é maior e o caso é então incluído entre as gestações de alto risco. O pronto reconhecimento desses casos, associado à existência de retaguarda de serviços com maior complexidade para o adequado acompanhamento, são decisivos.
O pré-natal é o momento mais apropriado para a preparação ao parto e detecção de possíveis intercorrências. Entretanto, a grande maioria das mulheres inicia o pré-natal tarde, não o fazem regularmente ou só o procuram quando agravam-se patologias.
O controle das urgências e emergências maternas oferece a oportunidade de interrupção do processo. Para isso, são fundamentais o pronto-atendimento e a precisa avaliação feita pelo obstetra.
É de suma importância o reconhecimento das repercussões da gravidez sobre as doenças pré-existentes. Há necessidade de adequado estabelecimento das condições clínicas maternas e a correta valorização da evolução da doença através de parâmetros clínicos e laboratoriais. O feto também é avaliado.
Aspecto quase esquecido, por receio ou desconhecimento, é o componente emocional dessas mulheres. Assim como, organicamente, a gravidez representa desafio para condições maternas, também do ponto de vista emocional, surge como um desafio adaptivo.
A gravidez e o nascimento são, historicamente, eventos naturais. É fundamental para a humanização do parto o adequado preparo da gestante para o momento do nascimento, e esse preparo deve ser iniciado precocemente durante o pré-natal.
A atenção adequada à mulher no momento do parto representa um passo indispensável para garantir que ela possa exercer a maternidade com segurança e bem-estar.
- VERA ARAÚJO GARCIA E BOZA, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa), Curitiba
Pobres de espírito
Muitas vezes, a ignorância e o desconhecimento nos levam a aceitar e a propagar erros. Exemplo: desde crianças, somos ensinados que o termo ''pobre de espírito'' se refira às pessoas desprovidas de raciocínio sensato, bom senso ou lógico uso das faculdades mentais, passamos a considerar os que não se apegam aos bens terrenos, como alienados.
Por obra e misericórdia exclusiva do Senhor Jesus, me vieram à mente as ''Bem-Aventuranças'', e algo - como uma centelha de luz - explodiu, pedindo passagem para que este texto nascesse. E agora? Como persistiremos neste erro conceitual?
Mais uma vez a palavra se revela. Os pobres de espírito são aqueles que não se deixam contaminar com as riquezas deste mundo, que preferem se alimentar das que vêem do reino dos céus, com mostruário farto de suas propriedades nas Escrituras Sagradas.
Ao contrário do que pensam estudiosos ou meros aprendizes como eu, em que exista contradição nas Escrituras em Jr 5:4: ''Eu, porém pensei: Deveras estes são uns pobres; são loucos, pois não sabem o caminho do Senhor, o juízo do seu Deus'' - há plena confirmação - porque o versículo afirma que os loucos e pobres são aqueles que não sabem o caminho do Senhor, pois a pobreza do homem sempre foi e será, o seguir suas próprias vaidades e convicções, se opondo às receitas simples e básicas que vêem do Altíssimo.
Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, que veio em carne, é a expressão pura e plena da desvinculação dos bens terrenos. Andava por todos os lugares com a simplicidade que veste um ''filho de carpinteiro'', pregava a mansidão e desapego dos bens terrenos, ensinava a simplicidade, e a ação de Graças ao Pai (Aba).
Quando entrou em Jerusalém, utilizou-se de um jumentinho que nunca havia sido montado, não de bigas ou cavalos imponentes. Ele, que tem sob seu domínio principados, potestades e dominações, se despiu desde o nascimento de sua glória, para viver e morrer como nós e sem nunca haver pecado, mas recebendo em si todos os nossos pecados.
Desvinculou-se das manchas que este mundo impõe a todos os que são súditos e servos das riquezas, e subiu, ressuscitado que foi por seu Pai, o Senhor Deus dos ''pobres de espírito''.
- LUIZ EDGARD BUENO, escritor, Londrina
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