O LEITOR ESCREVE
Helicópteros
Helicóptero é um aparelho de muita utilidade. Nos anos 80, o helicóptero em presídios servia para ajudar bandidos a fugir das penitenciárias. Escadinha, um famoso traficante dos morros cariocas, ficou conhecido usando o aparelho em sua tentativa.
Mais de 20 anos se passaram e o governador Jaime Lerner vem a Londrina inaugurar a Casa de Custódia. E resolve usar um helicóptero para sua chegada e saída, talvez porque ele goste das alturas ou se sinta protegido longe das pessoas do Norte do Paraná, que tantos problemas levam a nosso governo. Ou será a lembrança de Arapongas, cidade aqui pertinho onde o governador teve que sair às pressas com medo das manifestações.
Eu não sei bem o motivo dessa distância que manteve até o prefeito e alguns oportunistas afastados da inauguração da Casa de Custódia. Mas achei bem apropriado o uso do helicóptero pelo governador. É bem dele se manter no alto e afastado de boa parte da população que votou nele.
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
Arrecadação
Em tempos de greves generalizadas, é bom que não esqueçamos das demais atrocidades e injustiças cometidas contra o povo de nosso estado. O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) tem se revelado cada vez mais um órgão meramente arrecadador do estado, pois comete abusos e injustiças que não são sanadas em instância alguma, culminando em desrespeito sem precedentes para os cidadãos proprietários de veículos que são autuados equivocadamente.
São inúmeras as reclamações de pessoas que recebem notificações de autuação em sua residência informando que cometeram infrações em lugares e até cidades em que nunca estiveram. Recursos são devolvidos em ''tempo recorde'' pelo Detran com uma resposta padrão: não aceitam, indeferem todos sem justificativa e provavelmente sem análise. As pessoas não conseguem provas de que estavam com o veículo em outro local na data da autuação ou que jamais estiveram no local da multa e acabam pagando o valor e tomando pontos na carteira de habilitação, mesmo sem ter culpa.
Esse fato não é mais exceção, acontece todos os dias. O Detran comete um desrespeito com os cidadãos e motoristas paranaenses e se mostra cada vez mais incapaz de andar ao lado e no mesmo nível de seus respeitáveis cidadãos, andando sim ao lado de um governo que prima pela arrecadação em detrimento de boa prestação de serviços aos pagadores de impostos.
- RAFAEL PITTA, universitário, Londrina
Preservação
Como os animais torturados pelas ruas, servindo de escravos a protagonistas do lixo reciclável, as árvores também sofrem caladas e estremecem de dor antes de serem derrubadas por machados e serras elétricas. Elas enviam cargas elétricas de emergência antes de serem trucidadas.
Visto de minha janela, o álamo da esquina das ruas Conselheiro Laurindo com Silva Jardim abrigava ninhos de passarinhos, servia como plataforma de vôo e de regurgitação a pássaros que, diuturnamente, pareciam iniciar uma viagem com destino à Serra do Mar.
Ninguém ouviu o grito amedrontado da árvore vítima do machado sanguinário, da serra guerrilheira. Se pudesse mudar de lugar por meio de pés ou de asas, se tivesse o direito à defesa gratuita de um rábula de mercado, o álamo não teria entrado em óbito naquela manhã de domingo.
Ninguém, ninguém mesmo, reclama dos 120 decibéis das serras e dos motores que cortam, poluem e dizimam com ruídos o ecossistema urbano.
Fazem assim com as árvores, cujas vozes e gemidos são ouvidos de suas cascas, troncos e galhos. Fazem, igualmente, judiação com os animais que cambaleiam no asfalto de olhos tapados. Em nome de Alá violentam as mulheres de burka no Afeganistão destroçado. E ainda dizem que o ser humano é a morada da razão e do espírito da divindade.
- JOSÉ A. FIORI, presidente da Associação de Defesa do Direito ao Silêncio (Adds), Curitiba
A quem interessa?
''Incertezas fazem parte da vida. Na verdade não existem certezas absolutas. A partir de 11 de setembro desse ano, que marca no calendário cristão o começo do século 21, ingressamos numa nova e perigosa era de incertezas. A quem interessa isto?'' (O Sorriso de Shoshana - Maria Lucia Victor Barbosa, na Folha do dia 10)
Realmente sua coluna é maravilhosa, de sutileza ímpar, inserções oportunas e de fácil interpretação. Sou fã e admirador da escritora, socióloga e professora da UEL, hoje tão desprestigiada por nosso governo.
A abordagem global das incertezas da guerra contra o terrorismo é muito oportuna, mas nós londrinenses estamos vivendo no meio de outras, que nos afetam diretamente, como: as invasões de áreas particulares e públicas; os pequenos assaltos à luz do dia em ônibus, postos de gasolina, lotéricas, nas ruas, farmácias, etc.; formação de cartel dos donos de postos de combustíveis; o ressarcimento do dinheiro desviado das autarquias municipais no exercício anterior; as brigas entre o Executivo e Legislativo.
No estadual vou mencionar apenas duas: a desvalorização nacional do conceito da UEL (aí podemos incluir o Hospital Universitário e o Hospital das Clínicas) e a venda da Copel. A quem interessa isto?
No federal não dá nem para enumerá-las, podemos começar pelo Imposto de Renda que somente taxa o assalariado, aliás, na minha opinião salário nunca foi renda e sim pagamento por serviços prestados. Renda é quando você obtém lucro no arrendamento de um bem.
A poupança ''corrige'' por mês a correção monetária de 0,0264 (outubro) e a CPMF é 0,038 (se não tivesse 0,5% de juros ficaríamos devendo), a Previdência Social, o desemprego, a aposentadoria (quando ocorre perde os vales de alimentação, transporte, refeição, educação, etc., isto tudo deveria ser salário).
A desestatizacão das empresas brasileiras ao capital estrangeiro, à qual damos o nome de globalização; não seria melhor chamarmos de falta de patriotismo?
Acreditem, tem muito, muito mais. O tempo passa e vamos nos tornando velhos, a memória nos falta, o stress aumenta, a esperança acaba e as incertezas cada dia aumentam mais e mais. A quem interessa isto?
- AUREO GARCIA LELLIS, administrador de empresas, Londrina
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