O LEITOR ESCREVE
Lerner
Talvez sua excelência (em respeito ao cargo, que é maior que a pessoa) o governador paranista não tenha percebido que a Prefeitura de Londrina tem novo ocupante.
Nossa cidade é tão importante para a capital que ''eles'' não se lembram nem mais da cara do prefeito. Também pudera, se a vice-governadora, que se diz pé-vermelho, não soube e nem sabe respeitar seus milhares de eleitores, por que se exigirá respeito de alguém que só sabe da existência de nossa cidade quando é para vir pedir votos? Chega.
Depois dessa atitude vergonhosa por parte do governador, só nos resta, em nossa mínima dignidade, levar bem mais a sério nossa total independência em relação à capital. Se até a cor da terra que pisamos é diferente, por que temos que aturar tamanha desfaçatez? Londrinenses, vamos mostrar ao ''dirigente da capital coxa branca et caverna'' (leia-se Lerner e apaniguados) que não será com alguns tostões para a reforma do Cine Ouro Verde que nos dobraremos ou que seremos mais uma vez iludidos. O curitibano pode até ter motivos de orgulho de seu administrador. As pessoas de bem do setentrião paranaense sentem vergonha. Basta.
Me autorizem, londrinenses, a dizer ao governador: o dinheiro que seria usado em projetos culturais em nossa cidade, use vossa excelência para viajar mais vezes ao exterior, porque quem sabe, com excesso de cultura, adquira também, um pouquinho de educação para com aqueles que um dia vossa excelência veio pedir votos.
Mais vale um susto que um bom conselho, diz o ditado popular. No caso exposto, susto é tirado de letra. Essa turma de bobo não tem nada. O menos esperto conserta relógio de pulso dentro de uma piscina, no escuro, usando luvas de boxe!
- TADEU ARILSON STULZER, advogado, Londrina
Greve
Pelas inúmeras cartas publicadas à respeito da greve da UEL, percebe-se que esse é um tema ao qual a comunidade londrinense está atenta e apreensiva, e não só os estudantes e professores, que seriam os diretamente envolvidos. Uns pró-UEL, outros pró-governo, uns contra os dois, outros a favor de ambos.
Discute-se quem é o bicho-papão dessa greve: se é o governo, que insiste na desculpa mais do que desgastada da Lei de Responsabilidade Fiscal ou se é dos servidores, cujo discurso demagógico ''da luta pela universidade pública e gratuita'' já não convence como antes.
Para alguns doutrinadores do direito do trabalho o direito à greve é o ''direito de causar prejuízo''. Não sei quanto ao aumento dos salários, mas pelo menos essa meta foi alcançada pela greve: prejuízo é o que não falta. Prejudicados os funcionários, que vêm passando por inúmeras dificuldades com a ''novela'' mensal que o governo faz para pagar os salários durante a greve. Prejudicados os alunos, que tiveram violentamente interrompido seu direito constitucional à educação. Prejudicado eu que, como a imensa maioria dos alunos, sou de outra cidade e vou ter que dispor de recursos extras para me manter durante uma provável reposição. E, prejudicado você londrinense, que está sendo privado dos serviços que a universidade oferece, e quem sabe talvez, da possibilidade de prestar o vestibular. (Ao menos nesta greve ainda não sofri nenhum prejuízo físico, já que na do ano passado os grevistas invadiram a minha sala de aula, coagiram minha professora a encerrá-la e, como toque final, quebraram uma porta de vidro na minha cara, resultando em alguns pontos na testa, mas que, por poucos milímetros, não me deixaram cego).
Bandidos e mocinhos à parte, fica a pergunta: será que a população de Londrina está disposta a ler mais essa carta sobre greve? Me parece que nosso povo já opinou suficientemente sobre o assunto.
Creio que predomina a opinião de que essa greve (a mais longa da história da UEL) já está passando da hora de chegar a algum lugar. O único assunto que ainda não encontra consenso é saber qual lado deve ceder: a indiferença do governo ou a intransigência dos grevistas.
- LUÍS PAULO SUZIGAN MANO, universitário, Londrina
Alca
Os países da América Latina, em termos econômicos, social e cultural, são bem parecidos entre si. A grande maioria tem como religião o catolicismo; na economia predominam a agricultura, o extrativismo, agroindústrias, com grande destaque para o setor primário; grande dependência do capital estrangeiro, infra-estrutura deficitária, etc.
Sem dúvida alguma, o que mais identifica os países da América católica é a questão social. Educação, saúde, habitação, segurança, distribuição de renda, empregos são os grandes desafios que os latino-americanos têm para transpor.
Obviamente que o tipo de colonização, a qual a América tropical foi submetida, contribuiu enormemente para tal situação que se encontra hoje essa região.
Embora, já se tendo passado aproximadamente 200 anos de sua emancipação política, na prática, as Américas Central, do Sul, assim também como o México, nunca deixaram de ser colônias.
De uma forma indireta, sempre estiveram submetidas aos interesses dos países hegemônicos do capitalismo, antes europeus, posteriormente dos próprios americanos.
Em nome do pan-americanismo, a América selvagem e antropofágica, assim vista pelos imperialistas, fomentou o desenvolvimento de seus irmãos calvinistas, fornecendo-lhes matérias-primas e mercados consumidores.
Hoje, em nome da globalização e da vanguarda neoliberal, articula-se um novo tratado espoliativo, cognominado ''Alca'' para consolidar definitivamente o novo imperialismo.
Infelizmente, alguns brasileiros subservientes aos interesses internacionais e beneficiários da economia neoliberal, entendem-se aí os tecnocratas do governo federal e os especuladores, defendem veementemente e a revelia essa integração.
A Alca beneficiará apenas a economia mais forte em detrimento aos outros países subdesenvolvidos ou, como modernamente são chamados, emergentes, os quais servirão somente para doarem seus recursos naturais e sustentarem a opulência e o esfomeado consumismo de seus vizinhos do norte.
- SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, relações públicas, Londrina
Caixa dois
O prefeito de Curitiba (Cassio Taniguchi) tem a obrigação de responder ao povo sobre as graves denúncias de irregularidades na campanha eleitoral. Se houve caixa 2, a Justiça e os vereadores devem tomar medidas enérgicas.
- CÉLIO BORBA, Curitiba
CORREÇÃO - No artigo de ontem do jornalista Walmor Macarini, por erro técnico foram omitidas estas linhas, no segundo parágrafo: ''Portanto, dificilmente as aparências enganam. Mas não se deve fazer julgamento sobre o estado vivido pelas pessoas. Porque não há seres superiores nem inferiores, apesar de as aparências mostrarem os diferentes tipos de personalidades, e na essência todos são iguais. ...Se um mendigo quer ser mendigo, devemos permitir que desempenhe livremente seu papel de mendigo, sem contudo considerá-lo um ser inferior''.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





