O LEITOR ESCREVE
Barreiras
Simplesmente ridículo, inadmissível, impopular, antidemocrático, e tantos outros adjetivos que podem ser atribuídos à atitude do nosso governador na inauguração da Casa de Custódia, conforme publicado na Folha ontem. Todo aquele aparato, cães, tropas de choque, 150 homens para manter a ''tranquilidade'' de um e, diga-se de passagem, de um homem público.
A segurança foi nitidamente excessiva, tanto que impediu que convidados e autoridades participassem do evento. Mas, afinal, só o governador bastava para tal desiderato. Prefeito, vereadores, imprensa, todos eram dispensáveis.
É vergonhoso um homem que ocupa uma posição pública dificultar o acesso à sua pessoa. Ora, ao que consta, vivemos em um país democrático e não em uma monarquia. Logo, o direito de greve existe e deve ser respeitado, mesmo porque existe o julgamento necessário para cada movimento.
Os manifestantes chamaram muito mais a atenção tendo sido literalmente barrados do que se estivessem próximos do ''senhor feudal''. Aliás, a chegada de helicóptero foi cinematográfica, digna de uma estrela.
Mas de acordo com o julgamento do Excelentíssimo Senhor Governador, ''as autoridades que quiseram participar do evento puderam fazê-lo'', era só percorrer quinze quilômetros, sendo metade deles de terra batida, e poderiam compartilhar da emoção daquela inauguração com tão ilustre autoridade.
O nosso prefeito teve uma atitude coerente e racional, pois ele foi, no mínimo, subjugado pela autoridade máxima do Poder Executivo do Estado, que não julgou sua presença importante para o evento. Assim, ele, que tinha mais o que fazer na prefeitura, retirou-se do local.
Algumas regras de conduta e boas maneiras são convenientemente esquecidas por alguns governantes, tornando-os pessoas mal-educadas, arrogantes e antipáticas e, ainda assim, estes mesmos governantes acreditam que não são impopulares.
Talvez seja mesmo uma inversão de valores, de valores básicos que impedem de cumprimentar o dono da casa em que se chega. Se cada povo tem o governo que merece, é hora de repensar. Será que é esta a educação que queremos para o nosso povo?
- RENATA SILVA CASSIANO, advogada, Londrina
Nota de Repúdio
O Conselho da Comunidade Negra de Londrina vem a público explicitar nota de repúdio ao Programa ''No limite'', levado ao ar no dia 18 de novembro do corrente ano, pela Rede Globo de Televisão (o assunto foi abordado na edição de ontem da Folha). No programa a participante Claudia Lúcia fez afirmações racistas e preconceituosas contra a raça negra.
As palavras da referida participante demonstram extremo preconceito em relação aos elementos afro-descendentes, chegando ao cúmulo de verbalizar características inerentes à raça negra como inferiores ao da raça branca. A fala da participante constitui-se em verdadeira agressão e é ofensiva a todos os afro-
descentes, pois explicita a inconcebível idéia de inferioridade da raça negra.
Tal situação, além de causar constrangimento, é ofensa grave a todos os cidadãos negros brasileiros que constituem o percentual de 45% da população brasileira, conforme dados recentes do IBGE.
A Constituição Federal em seu art. 5ø, inciso XLII, estabelece: ''a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei''.
A Lei nø 9.459/97 pune os crimes de racismo com penas de 5 (cinco) anos de reclusão.
A Rede Globo, na condição de maior de veículo de comunicação televisiva do país, não pode e não deve permitir que atitudes como a acima mencionada sejam veiculadas, sob pena de reiterar a prática dos crimes acima, estando passível das penalidades legais.
A propagação de tais manifestações além de ser vexatória e lamentável, é criminosa, ainda mais em se tratando de um meio de comunicação tão importante como a Rede Globo, que acreditamos deveria ser mais consciente de seu papel na construção de uma sociedade mais justa, reconhecendo os valores inerentes à diversidade racial da população brasileira.
Requeremos, pois, à Rede Globo a concessão de espaço compatível ao utilizado pela matéria acima referida, no mesmo horário, no próximo domingo, para que haja direto de resposta às agressões veiculadas, e desagravo aos cidadãos afro-brasileiros que foram indevidamente agredidos no que há de mais valoroso, que é a sua própria existência.
- EDMUNDO SILVA NOVAES E MARTINIANO DO VALLE NETO, do Conselho da Comunidade Negra, Londrina
Extinção
A criação do Instituto de Pesquisas e Planejamento (IPPUL), há alguns anos, foi uma das grandes conquistas de Londrina. Órgão de gerenciamento do Plano Diretor, deveria legitimar-se como coordenador de todas as secretarias, articulando e harmonizando possíveis arritmias.
De fato, as verdadeiras atribuições do IPPUL são extensas. Das chamadas diretrizes de ordenamento: qualificar espaços e paisagens, revitalizar, definir áreas de expansão a reforçar centralidades, enfim tornar a cidade atrativa e justa.
Sustentabilidade, durabilidade, plano diretor, estatuto da cidade, agenda 21, o tempo é de redefinição de paradigmas de nossas cidades. Sob esse aspecto, a não inclusão de temas urbanos no encarte de prestação de contas 2001 da prefeitura: ''Londrina no rumo certo'', publicado há alguns meses, evidenciava silêncio preocupante.
Recente evento realizado pelo IPPUL, chamado de 1º Encontro Nacional de Institutos e Secretarias de Planejamento Urbano trouxe à cidade representantes de importantes e exemplares instituições.
Pena que não tivesse sido feita ainda a lição de casa. Tarefas como a discussão de questões essenciais à cidade, como a revitalização do Centro, do Igapó, do Lago Norte, se avolumam. Encontro nacional e desencontro local.
O IPPUL é um órgão essencial à cidade, apesar dos percalços. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), em Londrina, manifesta-se fortemente contrário à extinção e incorporação do IPPUL a outras secretarias.
- HUMBERTO YAMAKI, arquiteto e presidente do IAB-Londrina
Aniversário da Folha
Por ocasião da passagem que marca os 53 anos de fundação, manifestamos nossos efusivos cumprimentos.
Parabenizamos os funcionários e equipe de jornalistas desse jornal paranaense que, ao longo desses anos, conquistou a preferência do leitor, estando sempre presente em grandes acontecimentos em nosso Estado.
- NEY LEPREVOST, vereador, Curitiba
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





