O LEITOR ESCREVE
Cavernas, helicópteros e governos
Em algumas coisas, enfim, estamos no Primeiro Mundo. Primeiro, que acho interessante termos uma caverna para inaugurações, visitas políticas, etc, etc. É mais seguro, barato (no Afeganistação, qualquer imobiliária a ''Bin Laden'' está na moda tem todos os tipos para alugar, vender, o que é bem útil para o nosso, que tanto viaja...), e pode usar tecnologia virtual: não precisa andar escondido. Cem PMs devidamente ''encachorrados'', afinal, custam uma grana. Não teria vaias. Poderia contratar uma galera simpática. Luz, a Copel fornece, essas coisas...
Ele já pertence à história: inaugurar uma cadeia sem presos, cercado de 100 soldados e cães, descendo e subindo aos céus de helicóptero, me parece, no mínimo, surrealista. Parece mentira. Pena que tenha sido verdade.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Paz sem fronteiras
Não poderia ser melhor a denominação escolhida para o encontro, realizado recentemente em Foz do Iguaçu, para desagravar a empreendedora comunidade da região das três fronteiras Brasil, Argentina e Paraguai objeto de suspeições de abrigar simpatizantes de grupos terroristas. O evento, do qual participaram milhares de pessoas, foi uma síntese daquilo que deveria ser o ideal em todo o mundo.
Ali estavam, irmanados, representantes das diversas religiões, correntes políticas, empresários, trabalhadores, demonstrando, verdadeiramente, seus sentimentos de harmonia, solidariedade e paz.
Emoldurada pelas Cataratas do Iguaçu, aquela região é uma prova viva da possibilidade de coexistência pacífica entre pessoas de diferentes raças, credos e nacionalidades, ao abrigar não só os naturais dos três países que ali se confrontam, mas imigrantes vindos de todas as partes do mundo, em especial, integrantes da comunidade árabe.
O expressivo desenvolvimento da região, nas últimas décadas, transformando as cidades e impulsionando sua economia, deve-se a diversos fatores. Os recursos da natureza, a presença de Itaipu, expressiva demonstração da criatividade e do poder de realização do homem e o movimentado pólo comercial radicaram milhares de pessoas e atraem outras tantas como turistas ou participantes de eventos, em sua bem montada estrutura de hotéis e áreas de lazer.
Mas tudo isso não seria possível sem a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade, com sua cooperação, capacidade de trabalho e demonstração de que as diferenças individuais não são empecilho para uma convivência pacífica e harmoniosa.
O Brasil é um país em desenvolvimento que apresenta muitos contrastes. É uma das maiores economias do mundo. Contudo, ainda convive com inúmeros problemas, a começar pelo baixo nível de renda de grande parte da população, a violência urbana, a precária assistência à saúde, o desemprego.
Mas possui uma dádiva e uma grande lição para dar ao mundo todo: a cordialidade e a tolerância de seu povo, que a todos acolhe com simpatia e respeito aos seus valores culturais.
- ARDISSON AKEL, presidente da Federação das Associações
Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap)
Uma sociedade sem identidade
A sociedade moderna brasileira denominada ''sociedade com grandes conhecimentos'' elegem, contraditoriamente, os governantes que aí estão. Esses governantes estão cada vez mais impedindo um processo natural, que nada mais é que a integração entre as pessoas. Cada vez mais a sociedade fica à margem, pois o isolamento e a solidão entre as pessoas é uma realidade.
A Internet nos coloca em contato com milhões de pessoas. Podemos adquirir objetos, comidas, assistir a qualquer filme sem falar com ninguém. Tudo chega via on-line.
Os governantes estão submetendo seus governados a um hábitat virtual, caracterizando dessa maneira a ausência de um contato pessoal entre os homens. Estão destruindo nossos ethos, causa primordial para o ser humano. Quer dizer, nossos principais valores regidos pela ética estão sendo trocados pela segregação social, ou seja, o gueto.
Os governantes ocultam da sociedade seus atos e decisões. O não-cumprimento das promessas deixam as pessoas desacreditadas. O tipo de sociedade que os líderes governamentais vêm desenvolvendo nos últimos tempos coloca em xeque a essência da humanidade.
Vejam só o que está ocorrendo com o povo: quanto mais tecnologia para se produzir bens materiais e de serviços, mais excluído e condenado a morrer antes do tempo ideal. Temos consciência de que a tecnologia não pode ser extinguida e nem descartada. Na verdade, há necessidade de coerência dos nossos líderes.
Para os brasileiros não interessa o nosso representante maior fazer belos discursos mundo afora, pois o mesmo não consegue fazer nem os seus deveres de casa. Sonhamos com os verdadeiros valores estruturais dos governantes, que nada mais são que honrar suas promessas. Respeitar, principalmente, as diferentes culturas existentes nessa sociedade tão discriminada e isolada pelo cordão da impunidade, da desonestidade e da incapacidade administrativa.
Os governantes, ao assumirem seus postos, comportam-se como se fossem Deus, esquecendo de honrar seus compromissos com o gueto e não com a elite dominante. E cabe perguntar: o que está faltando para iluminar e corrigir os governantes? Será Deus? Ou será...
- GILBERTO JORDÃO, professor universitário, Maringá
Direitos autorais
Com relação ao artigo ''Direitos Autorais Dificultados'', do sr. Thomas Korontai, publicado no dia 19 deste mês, gostaria de dizer que fiquei espantada com suas declarações.
Sou psicóloga, dublê de escritora e, em função disso, necessito fazer contatos com o Escritório de Direito Autoral (EDA), no Rio de Janeiro, para resguardar meus trabalhos. Ainda no mês de outubro encaminhei quatro obras para registro, com uma cópia rubricada e um requerimento para registro e/ou averbação (idêntico ao que venho usando desde 1997). Mediante o pagamento de R$ 17,00 (valor que foi alterado em dois reais, desde 1997), para cada uma das obras, em cerca de 20 dias recebi, em minha casa, os respecivos certificados, que me dão o direito total sobre os trabalhos. Sem nenhuma complicação.
Aconselho o sr. Thomas a manter um contato direto com o EDA e verificar quais os reais motivos das dificuldades.
- NINA GRAÇA DE OLIVEIRA CARDOSO, psicóloga, Londrina
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