O LEITOR ESCREVE
Justiça
Nada é impossível de mudar? Mais um crime. Mais uma violência. Um homem matou uma mulher. Mais um caso de violência doméstica, briga de casal, como queiram. Onde estávamos? Por que não demos ouvidos aos pedidos de socorro? Era um pedido de mulher, mãe, filha, desesperada, cidadã. Onde estávamos? Morre a mulher Sueli, morre a mãe Sueli, morre a irmã Sueli, morre a filha Sueli. Jovem, sozinha, acuada cidadã Sueli.
Dizem as estatísticas: mais uma mãe que chora, mais filhos órfãos. E daí? é normal nos dias de hoje! Sueli queria viver em paz. Seu ex-companheiro não queria. Sueli queria liberdade. Seu ex-companheiro não queria. Até quando assistiremos à violência que por si só já é covarde? Até quando permitiremos que homens despreparados circulem fardados e armados pelas nossas ruas e que em nome da Lei torturem e matem?
Que lei? Que proteção? ''Polícia para quem precisa de polícia?'' Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singela, e examinai, sobretudo, o que parece habitual. Nós vos pedimos com insistência: nunca digam ''isso é natural!''.
Diante dos acontecimentos de cada dia, numa época de confusão, em que corre o sangue, em que o arbitrário tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, nunca digam: ''isso é natural!''.
Não deixemos jamais que morra dentro de nós o sentimento de indignação. Façamos desse sentimento um hábito diário de denúncia, pois nada é natural, nada é normal. Violência não é normal, violência não é natural do ser humano que preserva e defende a vida!
Perdoe-nos Sueli por não termos dado ouvidos ao teu pedido, perdoe-nos pela omissão, nós (a sociedade) te devemos justiça! Pois entendemos que, parafraseando o poeta: ''nada é impossível de mudar!''.
- LÚCIA IRENE REALI LEMOS, Londrina
Paraná
Fenômeno de bom gosto arquitetônico, amigo da cultura, das artes, do progresso. Tudo isso ouvimos falar de Jaime Lerner em vésperas de eleições. Porém frustrante e dos menos elogiáveis governos que o Estado do Paraná teve nos últimos tempos, o que correntemente julgam os eleitores atualmente.
Viajante compulsivo (agora na sua 42 viagem ao exterior enquanto governador), certamente terá um conceito diferente nos países onde busca idéias, ao tomar conhecimento do que ocorrre na cultura do Paraná.
Esse senhor curitibano parece querer desestruturar a gloriosa Universidade Estadual de Londrina, provocando a continuação, pela sua intolerância, de uma greve legítima e, pior, ameaçando o não-pagamento e não reajuste salarial defasado em sete anos, provocando constrangimento aos leais e competentes funcionários que atuam na UEL, sem falar no HU, no HC e nas perdas dos alunos. Como é fácil pedir votos, não é senhor Jaime?
Eu me formei na UEL e fui atleta da segunda melhor equipe de atletismo do sul do Brasil, que pertencia à UEL. Meu filho mais velho é estudante do curso de Direito e corre o risco de ter anulado, como já foi noticiado, o terceiro ano de seu curso. Meu outro filho se prepara para o próximo vestibular da UEL. Que estímulo os jovens paranaensess íntegros podem ter com tal estilo de governo que além da ameaça de retrocesso no desenvolvimento da UEL, frustra os pais, alunos e trabalhadores? Governo que loteou as principais rodovias do Paraná, impondo pedágios antipáticos à população? Um governo que pôs à venda o maior patrimônio que o Paraná possui depois de seu povo, que é a Copel? Por que esta ansiedade voraz de vender a Copel?
Senhor Jaime Lerner, certamente seu prestígio no seio da família paranaense desmoronou, principalmente no Norte do Paraná (e após certas alianças). Verifique. Peça o voto para quem quer que seja e sentirá o resultado do que tens feito ao interior do Paraná, além de suas obrigações.
Não haverá mais circo com máquinas de marketing em Londrina, com ou sem mutante, mesmo citando pequenas faculdades do nosso valoroso Estado.
- ANTONIO FUNFAS NETO, médico, Londrina
Seleção
Gosto de futebol como quase todos os brasileiros e já fui ''peladeiro''. Por isso sinto a necessidade de exteriorizar minha opinião a respeito da seleção brasileira do Felipão.
Entre os amigos e colegas de trabalho comentei que concordo com Armando Nogueira quando afirma, em comentário na Folha, que alguns pseudocraques que sempre são convocados, não entrariam na sua seleção. Realmente formar a base da seleção ou sua coluna mestre, com três jogadores do Flamengo: Juan, na zaga; Vampeta no meio-campo; e Edilson no ataque, é um acinte. O Flamengo está para ser rebaixado e esses jogadores não estão jogando nada. Como explicar isso? Será a mesma coisa da era de convocação dos jogadores do Palmeiras patrocinados pela Parmalat? Os patrocinadores são mais importantes que a escolha correta dos jogadores? E Marcos, é realmente o melhor goleiro do Brasil atualmente? Como explicar que Ronaldinho Gaúcho fique no banco e entre Zé Roberto, que há muito não é convocado? E, finalmente, a não convocação de nenhum jogador dos primeiros colocados no campeonato brasileiro: Atlético Parananese, Atlético Mineiro, Fluminense, Grêmio e São Caetano, tem alguma explicação lógica? Respostas com a CBF, Felipão e Cia.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Muros
O politicamente correto ainda na moda pede cautela para se falar de religião, seita, política, ou outra coisa parecida, ainda no momento tão bicudo que vivemos. O muro que os Estados Unidos construíram não é diferente do muro de nossas casas: achamos que estamos protegidos atrás dele e nos distanciamos da realidade. No caso americano, o espancionismo, a tirania e a arrogância formaram o alicerce do muro americano, o nosso muro aumentamos a cada vez que alguém é roubado ou sequestrado, preferimos blindar nossos carros, contratar seguranças, colocar guaritas em nossas casas, fazer curso de direção defensiva, ao invés de pegar todo esse dinheiro e investir na saúde e na educação, é a nossa ignorância falando mais alto.
Isso mesmo! saúde e educação, se os EUA proporcionassem a seus criados (o resto do mundo) saúde e educação talvez não tivessem sofrendo as consequencias de ter abandonado o resto do mundo, talvez se cada um de nós, ao invés de aumentar o muro de sua casa, ajudasse um pouco mais o seu semelhante não teriamos tanta preocupação de ir a um caixa eletrônico.
Parece que são coisas distintas o World Trade Center e nossa casa, mas não são, pagamos o preço da indiferença às vezes com nossa própria vida.
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
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