Terrorismo. Lembro ainda meus tempos de criança vivendo na Rua Cabral, em Curitiba, cidade ainda muito provinciana e de poucos recursos urbanísticos, esses existentes apenas no centro da cidade.
A cinco quadras da Praça Ozório já não havia calçamento e atrás da casa dos meus pais, na Rua Isabel, havia restos de grossos alicerces que chamavam Campinho. Terrorismo apavorando crianças, pois os adultos afirmavam que à noite ali apareciam fantasmas, a mula-sem-cabeça, o boitatá e almas do outro mundo.
Terrorismo do antraz. Já quando aconteceu o violentíssimo ataque aos prédios em Nova York, em seguida os informes norte-americanos davam conta de que fora agressão provocada pelo Afeganistão e de que havia o perigo da guerra química.
A partir daí, no noticiário internacional passaram a aparecer notícias de cartas com germes, cartas enviadas a algumas pessoas. Alguns detalhes que estimularam a imaginação de pessoas que desejam se divertir enviando cartas com algum pó branco, levando o fato para a imprensa que dá destaque e faz a população se manter em estado de alerta e medo.
Essa estimulação da imaginação pode levar pessoas maldosas a gerar mesmo alguns germes e enviá-los em cartas ou envelopes, quando não somente algum pó, e se divertirem ao ver a publicação pela imprensa que geralmente atribui o fato ao terrorismo.
Mas como fazer guerra bacteriológica com cartinhas pessoais para pessoas isoladas? A ação, se realmente fosse tal tipo de guerra, seria de ataque de massa em populações inteiras e especialmente contra populações dos países em beligerância.
O grande poder não tem Deus e não tem alma. O grande capital não tem ética. São conduzidos por interesses de dominantes e de interesses econômicos. Para motivar o povo a enfrentar batalhas, os que desejam a guerra ou o terrorismo exaltam os valores religiosos ou patrióticos, além das imposições das leis marciais. Hoje, comandantes permanecem em seus gabinetes, arejados e protegidos, ordenando as carnificinas.
As grandes agências de informações, que enviam notícias para os jornais e imprensa do mundo ocidental, estão nas mãos de grandes capitais. Aqui se intensificam os fantasmas do campinho da minha infância.
- FAHED DAHER, médico, Apucarana
Religiões
A Irlanda do Norte, país integrado ao Reino Unido, com apenas 14.139 quilômetros quadrados e população inferior a um milhão de habitantes, vive em constantes guerras religiosas entre católicos e protestantes. Impera o ódio e a morte. Isso nos leva a perceber os interesses religiosos-econômicos e a ignorância daquele povo.
Ora, se eles se matam por interesses religiosos, não se justificam as religiões. Dizem ter fé em Deus, em Cristo e tantas ''divindades'' mas não respeitam nem mesmo seus semelhantes. Religiões devem pelo menos acalmar os ânimos dos néscios. O para que os católicos dizem ser pontíficie ''representante direto de Deus na Terra'', com tanto poder, deveria interferir e pacificar o povo irlandês. Também as ''autoridades protestantes'' deveriam ser coerentes e seguir os caminhos da paz e da fraternidade. Provado está que as rezas e a fé do Papa e do povo não solucionam problemas humanos.
Aqui no Brasil, em regiões do Nordeste, há a seca milenar e por mais que o povo seja temente a Deus e com fé rezem muito, as chuvas não são suficientes para produzir fartura. Milhares de pessoas inocentes morrem de inanição. Buscar a verdade, a causa dos fenômenos sociais e naturais e solucioná-los embasados nos conhecimentos, na razão e na lógica é a solução.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
Fraternidade
O relacionamento cordial entre médico e doente é expressão de fraternidade. O amor do médico está presente em cada ação que pratica, no diálogo, no olhar amigo ou num gesto de compaixão, no aperto de mãos, na hora de informar e orientar. Assim a felicidade circula livre e espontaneamente em cada canto do hospital: enfermarias, quartos, apartamentos, unidades especializadas. Como é agradável quando todos os profissionais se ajudam e se querem bem! A par da recuperação física, a presença e a comunicação do médico inspiram confiança, amenizam o sofrimento e facilitam a pessoa a compreender melhor sua enfermidade. Por excelência, a medicina é uma profissão privilegiada que pode confortar, fazer crescer e proporcionar bem-estar. O modo de ver, de agir, de falar e de sentir o sofrimento do outro podem resultar mutuamente em um bem maior para a alma e para o corpo.
Em qualquer ocasião e situação, o amor ao semelhante precisa ser a prioridade, inclusive para desenvolver a dimensão espiritual e a transcendência. A enfermidade faz compreender outras páginas da vida. O médico e os profissionais de saúde têm poder tanto para resolver angústias quanto para resolver o problema de solidão que muitas pessoas cultivam, às vezes até inconscientemente. Ajudar a encontrar a paz é um ato de caridade e amor ao próximo. Ainda, o exercício da medicina facilita inspirar mudanças nos comportamentos e estilo de vida. Naturalmente, a recuperação plena da saúde requer participação e auxílio de um Ente Superior, aplicação correta de conhecimentos científicos e eficácia dos medicamentos, disposição, vontade e auto-ajuda do próprio enfermo. É certo, porém, que todos os médicos cristãos querem e fazem o melhor para o doente. Isso é amor.
- IRMÃ LOURDES MARGARIDA THOMÉ, diretora superintendente do Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba
Ameaça
É de elementar sabença que se alguém é, publicamente ameaçado de morte, todo e qualquer desafeto do ameaçado se sente autorizado a assassiná-lo, na certeza de que a culpa recairá sobre o imprudente autor da ameaça. O mesmo ocorre quando a própria vítima em perspectiva torna público que, se vier a sofrer atentado fatal, o principal suspeito deverá ser fulano. Há bastante tempo, os EUA vêm imputando ao saudita Osama bin Laden, que nunca se soube houvesse estado em território ianque, a autoria intelectual de todos os atentados terroristas que sofre, inclusive o de 11 de setembro. Chamam-no de seu inimigo ''número 1'' e, sem prova alguma de culpa, o condenaram à morte sem julgamento por duas vezes: em 1998 (Bill Clinton) e agora (George W. Bush). Assim, não fica facilitada a atividade terrorista de todos os inimigos dos EUA que não Bin Laden? Muitos deles não moram em território americano ou europeu? Não os há de nacionalidade estadunidense? Todos estão convidados a fazer misérias e colocar na conta de Bin Laden. E, assim, lhe desejam vida longa.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Correção
Ao contrário do que informa a matéria ''Seminário debate jornalismo de TV em Curitiba'' publicada ontem na Folha, o conferencista Paulo Henrique Amorin (TV Cultura) e Milles O'Brien (CNN) não participam do evento. Amorim foi substituído por Rui Miguel (Valor Econômico), Helio Gurovitz (Portal Exame) e Julio Wiziack (www.istoedinheiro.com.br). Já O'Brien terá em seu lugar Anna Hovind (CNN).
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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