O LEITOR ESCREVE
Greve
Setenta e duas entidades de Londrina deixaram claro que são sabedoras do quanto a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é importante para o dinamismo desta Cidade. Londrina é referência no campo do ensino universitário, e por isso atrai uma enormidade de pessoas, aquecendo sobremaneira a economia municipal. A greve explicita a dimensão da importância da UEL, e em que medida ela contribui, direta ou indiretamente quando inserida em tantas outras instituições e entidades que constroem Londrina. O governo, e não é privilégio deste, mais uma vez ignora esse raciocínio.
A UEL através de seus professores e funcionários, após seis anos de tentativa de diálogo, teve que paralisar suas atividades.
O sistema universitário no País, hoje, é avaliado pelo próprio Estado. A UEL representou Londrina com dignidade, colocando-se como o segundo pólo universitário da Região Sul. Isso demonstra que equipes de professores e funcionários têm conseguido alicerçar uma tradição universitária que, inclusive, têm trazido outras universidades e várias outras instituições e iniciativas no campo do ensino para cá.
Além da formação básica de profissionais de nível superior, a UEL continua atualizando e especializando estes profissionais. Logo, à cidade convergem estudantes e profissionais de todo o país. A UEL também oferece aos profissionais, em especial aos londrinenses, um ambiente que proporciona atualização com qualidade, tornando-os competitivos no mercado, e fazendo com que a população de toda a região ou distante dela, venha usufruir seus serviços.
Os profissionais da UEL estão em greve pela defesa de sua sobrevivência e pela manutenção da qualidade de sua universidade e de sua cidade. Entre os funcionários, temos desde a mais extrema penúria dos que desempenham tarefas simples, até a perda de profissionais qualificados que acompanham atividades complexas na universidade, para as quais não se forma profissionais do dia para a noite. Em momentos de endurecimento como este, uma greve, é comum a insatisfação das pessoas, e justificável. Como acreditamos no que fazemos e na importância disso, sabemos que é necessário bom senso para percebermos que essa luta é uma maneira responsável de pensar no futuro da Universidade, da cidade e na atenção que ela merece. Se continuarmos perdendo profissionais por falta de remuneração digna, estaremos perdendo aqueles que constroem a tradição universitária, que tanto contribui para tornar Londrina referência.
Assim, quem não atende aos interesses da cidade é o governo, porque entre nós, trabalhadores da UEL ou não, há uma só vontade, a de que esta universidade e esta cidade sejam cada vez melhores.
- CRISTIANO SIMON E VANERLI BELOTI, professores universitários, Londrina
Guerra
Basta ter o mínimo de bom senso para perceber quantas são as contradições existentes na postura política-cultural norte-americana. Os Estados Unidos, que formam um país altamente desenvolvido em termos tecnológicos, econômicos, e do ponto de vista intelectual, ainda passa longe de poder ser legitimamente reconhecido por atitudes sábias.
Não soa no mínimo estranho e contraditório que um país, detendo as virtudes acima enumeradas, sobretudo alto grau de desenvolvimento intelectual, recorra à destruição de um país todo com o fim de assassinar um único mortal, magro, com 44 anos de idade e cerca de 65 kg? Será que Osama Bin Laden vale tantos investimentos financeiros como os que os EUA têm alocado na campanha militar do Afeganistão? Precisam matar tantos civis somente para fazer pressão a Bin Laden e sua organização. Antes dos atentados de 11 de setembro, o mundo pouco se interessava pela opressão perpetrada pelo Taleban, há muito tempo miserável e sofrido povo afegão?
Ainda que se fale em combater apenas efeitos, já que são convictos ser essa a solução absoluta para que se estabeleça a paz no mundo, é importante refletir o conceito de que não existe outra arma mais eficiente contra o terrorismo senão a inteligência, o que sem dúvida os Estados Unidos possuem de sobra, mas quando mais é necessário parecem preferir economizar. Sabedoria, então, preferem mandar para a cadeira elétrica ou aplicar uma injeção letal a empregar sabedoria e inteligência para promover a reabilitação e integração de potenciais ex-delinquentes e criminos à sociedade, conduta reconhecida humanamente razoável em países que se proclamam cristãos.
Os EUA são a maior nação evangélica do mundo. Mas demonstram ter assimilado muito mal os ensinamentos do Cristo, aquele que fala do perdão. Porque a condenação irredutível à morte e até mesmo à prisão perpétua, além de refletir ausência total de inteligência e de ''criatividade'' para regenerar seres humanos, demonstra ignorância de conceitos básicos relacionados à paz, como a tolerância e sobretudo a capacidade de perdoar, combatendo o mal, a guerra, o terror e incentivando a verdadeira solidariedade, não o assistencialismo-miojo pós-bombardeio.
- RICARDO GARCIA, estudante, Londrina
Poder público
Li, triste, a ultimação por parte da prefeitura, do decreto que transformou em utilidade pública o terreno a ser doado à Pontifícia Universidade Católica (PUC). Terminei de ler a reportagem com uma revolta enorme por saber que meu sobrinho jamais voltará a viver com sua família dada à irreversibilidade da lesão em seu cérebro, ocorrida pela interrupção de frequência na escola especializada em Cambé. O motivo da interrupção? A prefeitura não tinha verba para pagar o combustível do veículo que levava várias crianças.
Reconheço que o nascimento dessa criança especial ocorreu à revelia do poder público, mas é vergonhoso saber que faltaram míseros reais mensais para combustível e, no entanto, uma instituição milionária como a PUC ganha um mimo de vários milhões de reais.
Senhor prefeito, quando a PUC começar a lhe devolver esse enorme favor (não acredito que essa doação não tenha uma contrapartida particular) não se esqueça de ir visitar, de vez em quando, meu sobrinho Carlos Eduardo Stulzer Machado, na Vila Normanda, na ala do SUS. Há um ditado que diz: ''Deus perdoa sempre, o homem às vezes e a natureza nunca''.
Primeiro foi uma vice-governadora que se recusou a cumprir uma determinação do ministro da Justiça, Adib Jatene, que o Estado do Paraná era responsável pela manutenção dessa criança em escola especializada na capital, por ser a única à época. Motivo? Não havia verba, embora as agências de publicidade estavam e estão com as ''burras'' cheias.
Posteriormente aqui em Cambé, essa criança, em progressos mínimos, mas eram progressos, desenvolvia-se até que houve a interrupção do ensinamento e medicação.
Não quero esmolas ou qualquer outro favor de qualquer poder público. Quero e exijo que se faça justiça.
- TADEU ARILSON STULZER, advogado, Londrina
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