Eleições


A Folha publicou, dia 11, que Lula faz pressão para fugir das prévias do PT e já garantiu que não vai disputar com o senador Eduardo Suplicy e com o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, a preferência dos próprios ''companheiros'' de partido sobre quem será o candidato à Presidência em 2002.
O impasse está criado. O presidente do PT paulista já afirmou: ''Não tenho dúvidas que se avizinha uma crise, porque Lula não está blefando''. E o pior é o que pensa Sílvio Pereira, secretário do partido: ''Vamos inscrever Lula na prévia à revelia dele''. Dá para acreditar nisso? Claro que sim, é a política brasileira.
Lula afirmou que não vai ''brigar'', mas que só será candidato se houver, da parte do PT, o mesmo interesse. Prévia é briga? Votação é algo perigoso? Ou é medo do eterno candidato de perder mais uma vez e agora dentro do próprio partido? Lula vai atropelar a democracia interna? Será que Lula vai se impor assim como fizeram os demoníacos generais do golpe de 64? Lula vai dar uma de Stalin? Democracia se faz por eleição, escolha, e não imposição, ditadura. ''O que é isso, companheiro?!''
Esse é o ''PT light''. É a democracia de Lula, ou melhor, a democracia cubana a qual o ''presidente de honra'' do partido se referiu quando foi até a ilha do ditador Fidel para passar horas agradáveis em Varadero, complexo turístico onde o povo cubano não pode ousar conhecer, pois no paraíso de Castro só é permitida a entrada de turistas munidos de dólares americanos. Enquanto isso o povo. É ''companheiro, a luta continua!''


- ANDRÉ LUIS ARRUDA PLÁCIDO, relações públicas, Londrina


Imunidade


Emenda constitucional aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, que limita imunidade parlamentar, de autoria do senador Ronaldo Cunha (PB), agora deve ser votada e aprovada ainda este ano pelo Senado Federal. A proposta acaba com exigência de autorização prévia do Legislativo para que parlamentar seja processado criminalmente.
Na atual situação, os deputados e senadores são protegidos pela diplomação como parlamentares; assim diz o artigo 53 da Constituição Federal, parágrafo 1º: ''Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançavel, nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Casa''. Sem dúvida alguma, a emenda que altera esse instrumento é uma grande vitória da sociedade, põe fim a burocracia e obrigação de pedir à Casa autorização para processar o parlmamentar criminalmente, ainda se faz necessário ressaltar que essa mudança vai resultar no avanço da garantia de igualdade de direitos.
Lamenta-se que essa emenda constitucional só agora entra em pauta final, pois se essa tivesse em vigência há pelo menos dois anos, alguns velhos conhecidos da política paranaense assim como deputados e senadores da República já estariam sendo processados criminalmente e com esforço do Ministério Público já estariam condenados e presos.
Enfim, a mudança do instituto da imunidade é tardia, mas servirá para muitos parlamentares refletirem e agirem com probidade, pois se não o fizerem, os corruptos conhecerão as trevas e a solidão junto a uma cela fria, tal como o cidadão comum.


- JONATAS CÉSAR DIAS, universitário, Londrina


Espírito


O espírito está no mundo sem ser do mundo. Só assim torna-se compreensível porque há tanta desproporção e tanta semelhança entre o mundo da matéria e o mundo do espírito. Desproporção, porque enquanto a matéria promove diferença e conflitos, o espírito anseia por identidades, e semelhanças, pois a matéria é inconcebível sem o mundo do espírito: dessa forma, o mundo é a cifra de nossa espiritualidade.
Foi assim que se tornou comum entre os filósofos gregos a idéia de uma ''alma do mundo''. Esse reconhecimento de um possível espírito imanente à matéria não deixa de representar um certo antropomorfismo, ou a tendência de explicar a realidade por meio de categorias mentais humanas, pois, consciente de si mesmo por meio do ser humano, o espírito se nos apresenta como racionalidade, criatividade, sentimento e liberdade, paradigmas que, mesmo não o querendo, acabamos por transferir a toda a realidade.
Isso faz surgir um aparente desacordo entre as dimensões cosmológicas e aquelas humanas, um conflito de proporções entre tempo universal e humano, entre o espaço infinito e aquele limitado de nossas possibilidades físicas, a incompreensão da dissolução e transformação de todas as coisas.
Não obstante, essa decepcionante desarmonia entre ser humano/universo não deve nos deixar acabrunhados, pois, ao lado de nossas aparentes fragilidades, foi-nos dada, ao mesmo tempo, a capacidade de reconhecê-las, mas, sobretudo, sublimá-las, ao considerarmos ambas, produto da transcendência de nosso espírito, algo que sai de si mesmo para tentar compreender o que aparentemente o ultrapassa.
Implícita a essa idéia da transcendência do espírito está aquela de uma abertura para a fé, consequência natural do reconhecimento de uma limitação, uma diferença de natureza que nos causa estranheza, só compensada por uma experiência estática que pode ''sentir'' interiormente uma possível unidade (Deus). Descobrir que tudo tem um sentido, eis o maior desafio que se apresesnta ao nosso espírito.
Da constatação da imanência do espírito, torna-se possível, também, a ilação de uma transcendência do espírito, fruto do descompasso, da desproporção que se verifica, ao compararmos as duas realidades.


- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor universitário, Curitiba


Considerações


Sobre a reportagem publicada no dia 12, na página 3, (Folha Cidadania), ''Cássio é denunciado'', a reportagem da Folha não considerou:
1- Que as contas da coligação do PFL de Curitiba relativas a campanha do ano 2000 foram aprovadas no início deste ano pela juíza Jocci Machado Camargo, da 1 Vara Eleitoral;
2- Que o Ministério Público recorreu da sentença da juíza e solicitou as contas de todos os partidos e coligações que participaram da última eleição;
3- Que, depois de examinadas, as contas tiveram parecer favorável do Ministério Público;
4- Que após os procedimentos do MP, o juiz Expedito Reis do Amaral da 1 Zona Eleitoral de Curitiba, no dia 7 de novembro, confirmou a aprovação das contas de todos os partidos.


- Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura Municipal de Curitiba


N.R. As informações acima prestadas pela Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba foram veiculadas pela Folha, em reportagens publicadas sobre o caso ao longo da semana.

Correção
- Na entrevista publicada ontem com o professor Pedro Ricardo Dória, omitiu-se, involuntariamente, a informação de que o governador Jaime Lerner elegeu-se prefeito de Curitiba, em 1988, na campanha que ficou conhecida como a ''dos 12 dias''. Na chamada de primeira página sobre a entrevista, a palavra ascensão foi grafada errada.

- Também na primeira página, o londrinense Roney Marckzak é violinista e não violonista, como foi publicado.


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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