O LEITOR ESCREVE
Ensinamentos
Hoje, a Comunidade Bahá'í lembra o nascimento de Bahá'u'lláh ocorrido na Pérsia, atual Irã, em 1817. Ele era membro de uma importante família de nobres, mas sua figura ganhou destaque em 1852, quando foi preso por seu trabalho em defesa dos princípios de unidade entre as grandes religiões mundiais, igualdade entre os sexos, eliminação dos extremos de pobreza e riqueza e a defesa da educação universal.
Os escritos de Bahá'u'lláh abordam temas de causam perplexidade entre os pensadores e religiosos até os dias de hoje: a unidade de Deus, o papel da revelação divina na história, a relação entre os sistemas religiosos mundiais, o significado da fé e a bases da autoridade moral na organização da sociedade humana. ''Todos dos homens foram criados a fim de levarem avante uma civilização que sempre evolua (..) Que o homem não se vanglorie pelo amor à sua pátria, e sim pelo amor à sua espécie(...) Ó governantes da Terra! Reconciliai-vos entre vós e não necessitareis de mais armamentos a não ser o necessário para protegerdes vossos territórios e domínios'', disse Bahá'u'lláh.
Quando foi libertado da sua primeira prisão, Bahá'u'lláh foi banido de sua terra natal e seguiu para o Iraque. Foi no primeiro período de seu exílio, que ele redigiu duas obras importantes: ''As palavras ocultas'', uma seleção de máximas morais e ''O livro da certeza'', uma exposição da natureza e propósito da religião. Esses textos, por diversas vezes, falam de sua própria experiência espiritual. Bahá'u'lláh permaneceu em exílio e prisão até sua morte em 1892.
Os ensinamentos deixados por ele servem de consolo e guia para toda humanidade, que padece de males como a violência, a intolerância e as desigualdades.
- IRADJ ROBERTO EGHRARI, mestre em Engenharia Eletrônica e secretário de Assuntos Externos da Comunidade Bahá'í do Brasil, Rio de Janeiro
Terrorismo
As notícias são amplas e exaustivamente divulgadas pela imprensa e televisões e nos deixam atentos aos acontecimentos que se sucedem num ritmo vertiginoso. O fato é que o terrorismo, venha de onde estiver, precisa ser combatido com o máximo rigor e inteligência.
A ação humanitária correlata traduz uma preocupação importante no sentido de atenuar a miséria e a fome que há muitos anos abate povos incultos que se contaminaram e desenvolveram apenas instintos latentes, dirigidos agora uma ação política de seus governantes fundamentalistas (medievais).
Há uma consciência universal que, a partir de agora, ''o mundo será outro''. A ignorância, apanagio da incultura, escraviza o homem que, sem alternativa, se submete a ditadores, aitolás e quejandos. Alimentados, agora por príncipes árabes, que enriquecem com o petróleo. Amealharam grandes fortunas que manobram para sua permanência com grande poder de ação política religiosa (fanática). O povo é o grande perdedor. Perdem suas vidas em guerrilhas estúpidas de ideologias que, ele, povo, não tem estrutura mental para avaliar, o que para si, seria melhor. Empunha o fuzil ou metralhadora, ou armas mais sofisticadas, pela comida e pelo prazer de matar, fomentados por ódios gratuitos ou justificáveis.
Haverá sempre uma palavra de ordem. Na Idade Média seria o combate aos infiéis e surgem as Cruzadas e a Inquisição. Surgem as testas coroadas prestigiadas por esse ou aquele poder reunindo, sob uma bandeira comum, povos de tradições e raças diversas. A revolução que se anuncia seria a da ciência, e surge Francis Bacon, Spinosa, etc. Para regular a sociedade, estabeleceram códigos. Se os dez mandamentos eram a base, houve exagero na sua aplicação com o estabelecimento dos dogmas, sem o cumprimento do qual o pobre vivente estava sujeito as chamas do inferno.
- JOÃO DIAS AYRES, médico, Londrina
Trânsito
O nosso trânsito tem se mostrado cada vez mais assustador. Diariamente recebemos informações, especialmente veiculadas pelos meios de comunicação, sobre acidentes, ferimentos e mortes próximos das nossas casas e, às vezes, envolvendo inclusive conhecidos.
Quando pensamos em trânsito, logo nos vem à cabeça imagens negativas, sensações pouco agradáveis, ligando esse fenômeno social com dor, disputa, estresse, conflitos, agressividade, ferimentos e morte. Alguns obviamente não alcançam tal nível de percepção, pois há, em geral, uma insensibilidade à dor alheia.
Não é a toa que algumas pessoas têm medo de dirigir, pois o quadro que o trânsito nos apresenta é pouco agradável. Hoje, é difícil que motoristas que diziam há algum tempo gostar de dirigir não evitem a direção por estarem muito cansados ou estressados.
Esses sentimentos se manifestam das mais diferentes formas: medo de fazer rampa ou baliza, de se acidentar, de assaltos no trânsito, de trafegar em rodovias, etc. As pessoas que têm esses medos sofrem intensamente não só pelo medo em si, mas também sofrem a discriminação da sociedade, da família e dos amigos.
Na nossa cultura, dirigir não é só guiar um carro. Estão ligadas de forma intensa a revelação das capacidades e a forma de vida daquela pessoa. Sabemos que existe a cultura de que dirigir é para todos, que é um direito, que é simples, fundamental.
Assim, as pessoas que sofrem com os medos e insegurança em relação ao trânsito ainda sofrem com a falta de compreensão por parte do seu meio mais íntimo (família e amigos), da sua problemática.
É possível viver em harmonia com o medo, podendo transformá-lo em um amigo, que nos dá sinal de sua presença para nos prevenir de um perigo real. Existem serviços de orientação psicopedagógica para o trânsito, para atender pessoas com tais problemáticas.
É preciso salientar que as pessoas portadoras dos medos relacionados anteriormente talvez possam ser as mais conscientes em termos de percepção de riscos à vida, talvez as menos insensíveis aos perigos reais que o trânsito oferece, aos quais a maioria da população se mostra inconsciente.
- ADRIANE PICCHETTO MACHADO, professora, Curitiba
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