O LEITOR ESCREVE
Greve
Vejo com indignação a forma com que muitos londrinenses estão reagindo à greve na UEL, mostrando-se contrários ao movimento grevista alegando que toda a cidade está sendo prejudicada, seja pelo funcionamento precário do HU, seja pela possibilidade de cancelamento do ano letivo e do vestibular/2002.
Mas será que mesmo com todos esses inconvenientes os servidores públicos não podem exercer o seu direito constitucional de greve? Será que não é responsabilidade do Governo Estadual oferecer melhores condições para o funcionamento das Universidades Públicas?
No caso da UEL, que tem um campus invejável, todo arborizado (só quem conhece sabe do que estou falando), é realmente uma pena ver todo o descaso do Governo.
Assim como eu, aluna do primeiro ano de direito, muitos calouros, após uma maratona de estudos e sacrifícios, esperávamos mais da nossa querida UEL. Se para nós ela já é especial, seria muito mais se as salas de aulas estivessem em melhores condições, se os laboratórios oferecessem equipamentos mais modernos, se os projetos de pesquisa e extensão recebessem maior apoio e principalmente se aos docentes fosse dado mais valor, remunerando-os de forma mais condizente com seu valioso trabalho, de modo que a UEL não perdesse seus melhores e mais graduados professores para as universidades particulares.
Nós, universitários, e com certeza todo o funcionalismo público, não aguentamos mais o discurso, desculpem o termo ''ridículo'', de que não há dinheiro, que de não se pode infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal ou de que será preciso vender a Copel para obter os recursos necessários. Se fosse assim, onde foram empregados os recursos da venda do Banestado, já que não foram utilizados na saúde, educação ou segurança?
Até quando eu, assim como tantos outros londrinenses, teremos que manifestar nossa indignação com o descaso para com a nossa universidade e nossa cidade?
- MARIA FERNANDA BORELLI DA ROSA, universitária, Londrina
Terrorismo
Os últimos acontecimentos que abalaram os Estados Unidos e o mundo têm dado ocasião para as mais variadas opiniões, algumas desprovidas de equilíbrio e bom senso. Os sentimentos vão do pavor ao regozijo.
A espécie humana perdeu a razão? Às vezes parece que a resposta seria afirmativa. Porém, ainda que os enlouquecidos sejam da raça humana, não é a raça humana que enlouqueceu.
Refletindo com calma, não penso que esses atentados abomináveis sejam fruto da luta entre o bem e o mal, ou entre os oprimidos e opressores, como muitos pensam. É a luta entre duas maneiras de ver o mundo e o homem no mundo. É o confronto entre duas culturas diferentes e que a globalização nada mais faz do que deixar ainda maiores as diferenças.
Na tentativa de compreender, e não justificar, é preciso relembrar o significado de filosofia, ideologia e religião. Três sistemas de conhecimento que, muitas vezes, se misturam, se confundem e criam conflitos desastrosos para o mundo.
A filosofia se apresenta como uma maneira de ver o mundo e as coisas com base num conjunto de idéias que estão sempre abertas em busca da verdade, aceitando questionamentos. Uma boa filosofia não envelhece; não se impõe, mas propõe. Já a ideologia, que se apresenta como um sistema de representações para ver o mundo, se apresenta como um sistema que não admite questionamentos.
É necessário, ainda, que se distinga religião de fé. A fé é a crença e aceitação de um ser transcendente e sobrenatural. Quando a religião ocupa o lugar da filosofia e se torna ideologia, as convicções, que deveriam ter fundamentação sustentável na verdade, passam a ser pontos de vista puramente subjetivos, terreno fértil para o fundamentalismo que incrementa fanatismos.
Como cristão, não posso me conformar com a violência e nem com a vingança. O ódio jamais serviu para construir o que quer que seja. Ódio, orgulho, prepotência são agentes de morte e dor. É preciso cultivar o respeito e o diálogo, despindo-se de ideologias ou crenças fanáticas e procurar, a partir de agora, rumos de entendimento em que os er humano seja relamente respeitado em si mesmo, para quem não crê, e, como imgaem e semelhança de Deus, para aquele que crê.
- FREI EDUARDO QUIRINO DE OLIVEIRA, professor de filosofia, Curitiba
Coerência
Pra que coerência se a massa não pensa? Pra que defender o liberalismo econômico se é tão gostoso se dizer de esquerda, socialista marrom ou comunista mesmo? Minha filha, eu quero que ela faça um pós-graduação nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Mas sou favorável à política Taleban que está enfrentando o Tio Sam que tanto odeio. Mas não é o povo Taleban que faz com suas filhas o que eu nunca gostaria para minha? Mas pra que coerência se a massa não pensa?
No palanque e nas tribunas sou a favor das minorias. Defendo o direito das mulheres, dos negros e dos gays. Mas torço pelo Bin Laden que comunga com um governo que tortura mulheres, afoga crianças e executa gays sob a euforia de seus seguidores. Mas pra que coerência se a massa não pensa?
Achei bem feito para os Estados Unidos o que aconteceu, pois americano merece. Mas descubro que metade das vítimas do WTC são constituídas de descendentes de 70 países. Que quem foi atingido pelo terrorismo foi o mundo e não os americanos. Mas pra que coerência se a massa não pensa?
Odeio repressão, opressão e imposição dos poderosos, mas sou contra a livre concorrência, sou contra globalização e defendo a economia engessada. Mas pra que coerência se a massa não pensa? Digo que a pobreza do mundo se dá pela política neoliberal, que a culpa é sempre dos outros. Que o FMI, aquele maldito vilão, me emprestou dinheiro quando eu precisei e hoje quer cobrar. Não quero nem saber se o dinheiro foi desviado por políticas corruptas de governantes como ACM, Maluf, Jader, Belinati, Quércia, Collor, etc. O que me interessa é por a culpa nos americanos. Mas pra que coerência se a massa não pensa?
Como bom marxista digo com o peito estufado que a religião é o ópio do povo, mas dou total apoio a miséria imposta pelos governantes do Afeganistão que proíbem cultura, rádio, TV, internet, jornais, revistas, opção ideológica, diversão, arte, dizima monumentos da humanidade, etc. Tudo em nome da religião que é o ópio do povo. Mas, pra quê vocês sabem.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, universitário, Londrina
Distância
Sou londrinense e estudante da Universidade de São Paulo. Meus pais moram aqui em Londrina ainda e sempre que venho para cá procuro ler a Folha. Aproveito para parabenizá-los pelo site, porque agora, mesmo de São Paulo, eu posso ficar sabendo o que acontece no Paraná e aqui na minha cidade querida.
- SILVIO CAMARGO, universitário, São Paulo
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