O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Índio Galdino
O homicídio, por queimadura, do índio Galdino, em Brasília, constituiu-se num episódio desumano e estarrecedor. Os autores, jovens nascidos em famílias de grande prestígio social e econômico, foram localizados, presos e indiciados. Pela maneira cruel como cometeram o delito, usando grande quantidade de álcool, que derramaram sobre a vítima, ateando fogo em seguida, houve o enquadramento deles no chamado crime hediondo e que os levaria a julgamento por jurados. Todavia, ao analisar o processo, a juíza desclassificou o crime, de homicídio doloso para lesões corporais seguidas de morte. Seu entendimento foi o de que os réus não queriam o resultado letal. Foi a sua convicção.
Mas, pelas particularidades do evento, como é que ela pôde chegar a tal conclusão? Como pôde afirmar, categoricamente, que os delinquentes não tinham a intenção de matar? Ora, se quem provocou combustão numa pessoa, transformando-a em tocha humana, não tinha a intenção de matá-la, quem teria? Parece que a ilustre magistrada baseou a sua decisão em informações fornecidas por uma bola de cristal ou perscrutou o íntimo de cada um dos criminosos, como se fosse vidente. O sensato seria que os rapazes fossem a julgamento pelo júri popular. Só assim haveria a verdadeira justiça.
- DARIO LIVINO TORRES, magistrado em Curitiba
Mototaxistas
A situação criada pelo movimento dos mototaxistas, em Londrina, deve nos levar a uma reflexão mais profunda. Vamos aos fatos. O que está realmente por trás desse fenômeno? São somente alguns que resolveram mudar de profissão, e agora estão criando problemas? Claro que não. Isto é reflexo de um sistema perverso que está aumentando o abismo entre as classes sociais; ou, melhor dizendo, há um intenso processo de estratificação em andamento, proporcionando o aparecimento de uma nova classe social: os excluídos do processo produtivo.
Como fica, então, a questão dos motocilcistas neste cenário? Na realidade estes representam, em grande parte, a parcela dos excluídos, dos sem-emprego, vítimas deste sistema.
Numa análise mais apropriada, a grande tarefa hoje da classe governante é administrar com criatividade e assegurar o reenquadramento destes ex-profissionais ao mercado de trabalho. Uma necessária adaptação aos novos tempos.
A regularização dos serviços de mototáxi (com medidas de segurança), gerará de imediato 450 empregos diretos, proporcionando ao município uma válvula de alívio para as suas preocupações (atuais e futuras). É como se fosse uma nova indústria que surgisse, sem precisar absorver vantagens do município.
- RICARDO RODRIGUES DOS SANTOS, Londrina
Fliperama bancário
Eu sei que é para nossa própria segurança um detector de metais apuradíssimo já implantado num renomado Banco de Londrina. Até aí, tudo bem... Agora, ter de deixar qualquer espécie de metal na caixinha da porta tripla de vidro, tais como chaves, cigarreiras, isqueiro, fivelas do cinto e inclusive moedas, aí já acho uma espécie de protecionismo exibicionista e autoritário. Deixar a bolsa, a senhorita, senhora até pode, desde que esta seja totalmente revirada e revistada. Daqui a pouco vão pedir que as pessoas dispam-se, pendurem a indumentária num belo cabide e dirijam-se naturalmente até a fila. Sem contar que, após a inspeção eletrônica, o cidadão de bem deve retornar à fila, atrás da famosa linha amarela, e entrar novamente no corredor vítreo. Não, não culpo o guarda pela humilhação a que temos de nos submeter. Talvez não culpe nem o gerente, ambos meros empregados tendo de cumprir ordens que, além de suas costumeiras tarefas, têm mais esta, dever que seguramente lhes traz várias reclamações, olhares atravessados, cisos, palavras grosseiras e até insultos. A dois anos e meio da virada do milênio, falamos e respiramos modernismo, queremos e tentamos ser modernos, superar o minuto anterior... Retrógrado.
Mas confesso ter-me sentido mera rés, mera besta sendo criada por uma roleta. Seria uma boa sugestão, instalar vários assentos na parte externa à tripla porta de vidro e aço, pois vejo que virará moda as pessoas irem em pares aos bancos que se modernizarem. Assim, uma entra pela roleta eletrônica e a outra a espera com todos os seus pertences. Água, cafezinho e chá cairiam bem.
- JOSÉ RICARDO DORTH CAVALHEIRO, Londrina
Cumprimento
Parabenizamos a Folha pelo compromisso ao mesmo tempo jornalístico e social que claramente norteou a reportagem Municípios tentam frear mortalidade, publicada dia 10. A Agência de Notícias dos Direitos da Infância - ANDI - e seus parceiros celebram o nascimento de um novo perfil profissional de jornalismmo, mais preocupado com seu papel social na busca de soluções.
- MARCO TÚLIO ALENCAR, coordenador de Projetos, Brasília
Cruzeiro, campeão
Agradeço-lhes pela resposta ao meu e.mail, dias atrás, onde critiquei a Folha pelo pequeno espaço ao futebol mineiro. Hoje é para agradecer-lhes e parabenizá-los pelo espaço dedicado ao Cruzeiro, campeão da Libertadores (com foto e tudo mais). Em nome da imensa massa azul mineira, o meu muito obrigado e parabéns ao excelente jornal. P.S. Um abraço ao meu conterrâneo formiguense Eder Lopes, recém-contratado pelo Londrina Esporte Clube.
- PEDRO FERREIRA DA COSTA, Formiga, MG
Correção
O ofício expedido para o Paraná Banco pelo Banco Central, anteontem, cancelando a operação de liberação para a conta de José Eduardo de Andrade Vieira, foi assinado pelo diretor do Departamento de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, não por Cláudio Mauch, como saiu em matéria da página 3 de ontem, da Folha Economia. O equívoco foi de material expedido pela Agência Estado.





