O LEITOR ESCREVE
Justiça
Na semana passada, um fato policial ocorrido em Londrina me fez refletir sobre o sistema penal brasileiro. Um cidadão aparentemente de 25 anos de idade, há dois meses desempregado, entrou em um mercado próximo de sua casa e furtou, colocando em seu bolso, cinco tesouras de costura. Sendo flagrado pelos funcionários que chamaram a polícia, ele foi indiciado por furto.
Ao ser questionado, o homem afirmou que estava desesperado, tinha três filhos e essas crianças lhe pediram leite, estavam com fome. Então ele resolveu furtar as tesouras que valiam R$ 25 cada e que venderia por R$ 5. Constatou-se que o sujeito não tinha passagens pela polícia, mas mesmo assim ele acabou sendo indiciado e preso, ficando à espera de um advogado que, por pena, pudesse tirá-lo de lá.
Esse é mais um caso que comprova que a cadeia, ainda hoje, com raras exceções, é um instrumento que pune pobres miseráveis que não têm condições de se defender com advogados. Aliás, não têm o direito mínimo, que é de trabalhar para garantir sua sobrevivência e por isso acabam entrando na criminalidade.
Não queremos demonstrar que essas pessoas são inocentes. Sabemos que não o são e que precisam responder por seus atos, até porque como nos apresenta o ordenamento, ninguém pode alegar desconhecimento da lei.
Parece-nos que alguma coisa está errada, pois mesmo com grande esforço do Ministério Público em incriminar fraudadores, corruptos etc., ainda não equilibramos a balança da Justiça. Por enquanto, o que vemos é cadeia para os pobres, como esse que furtou para dar de comer aos filhos. Oxalá, um dia termos uma Justiça equilibrada para todos.
- JONATAS CÉSAR DIAS, universitário, Londrina
Ciência política
Já faz bastante tempo que os estudiosos da política fizeram a distinção entre ciência política e ideologia política. Lamentavelmente, a maioria dos políticos brasileiros ainda não aprendeu a fazer essa distinção, o que acarreta graves prejuízos e ineficiência na obtenção dos resultados sociais.
A ciência política é constituída por um conjunto de providências que são tomadas a partir dos dados concretos que embasam a realidade social de um país. Pelo seu caráter de formulação, forçam a tomada de decisões que se tornam inquestionáveis. Por outro lado, a ideologia política, pertencendo ao mundo do dever-ser, diz respeito àquele ideário de concepções que emolduram as estratégias de ação que, por sua vez, perderão qualquer sentido de coerência e eficácia em longo prazo, se não respeitarem a lógica e as condições inelutáveis da realidade.
Citemos exemplos dramáticos de confusões ideológicas que têm perpassado a nossa história política: a pouca importância que os nossos políticos têm dado à realidade dos fatos, torcendo-os para justificar os seus propósitos, demonstrando com isso imaturidade e nenhuma responsabilidade política; a falta de continuidade na ação política, pela mudança constante de perspectivas, planos e estratégias; promessas de mudanças radicais nas ações dos governos anteriores, causando descontinuidade nas ações públicas e sérios prejuízos à coletividade; o pouco compromisso dos políticos com os seus eleitores, que são solicitados apenas na época das eleições; irresponsabilidade no uso do dinheiro público, com baixo critério de compromisso ético com o povo e com a sua consciência; falta de vontade para implementar planos globais e de longo prazo que realmente venham contribuir para a solução das mazelas sociais; classe política extremamente corporativa, voltada, na maioria dos casos, para a defesa de seus próprios interesses.
A continuar o discurso político como está, pouca esperança podemos ter de que o nosso futuro possa ser melhor do que tem sido. O que o nosso País está necessitando urgentemente é de uma reforma política que estimule a participação voluntária das novas gerações, pela discussão mais participativa de nossos problemas.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor e membro da Academia Paranaense de Letras, Curitiba
Crise palestina
A Bíblia nos conta a história de Abraão, a quem Deus teria prometido o ''filho da promessa'', mesmo sendo Sarah, sua esposa legítima, estéril. Ao decorrer dos tempos, a escrava do casal (Hagar) gerou o primogênito de Abraão. A Palavra do Senhor cumpriu-se com o nascimento milagroso de Isaque, fruto de Sarah, que pediu ao marido que despedisse a criada e seu filho. Assim feito, Abraão enviou ao deserto aquele que seria a raiz da futura geração Palestina: Ismael, que após a morte do pai voltou para casa para requerer seus direitos, sendo-os negados pelo irmão. Começaria aí o conflito entre palestinos e judeus, que se intensificou após a inserção desse Estado no Oriente Médio, em 1948. Israel, hoje, nada mais é do que um protetorado dos EUA em prol dos seus interesses.
Na tarde do dia dos atentados terroristas nos Estados Unidos, em setembro, foram divulgadas imagens de palestinos comemorando o incidente. No decorrer daquela semana, muçulmanos sofriam fortes investidas na América. Retaliações se davam por agressões morais e até mesmo físicas. Uma agência teria vendido imagens de árabes comemorando um jogo de futebol da Copa de 94 nas ruas, como se estivessem vibrando com a explosão do WTC, hipótese confirmada por funcionários de um jornal americano.
O problema palestino deve ser revisto com seriedade pela ótica global. O mundo como um todo tem agido como se estivesse de olhos vendados ante a situação. Deveriam saber que o cenário apresentado será alvo de toda atenção.
O que parece supérfluo para ser analisado poderá custar caro para a humanidade se não nos voltarmos para o Oriente a tempo de evitar maiores catástrofes. Bin Laden, em suas aparições, tem evocado ao mundo a desocupação das terras santas. Não se trata de justificar abomináveis atos terroristas, mas o incidente na América é fruto da exclusão social provocada pela lógica do capitalismo e da intransigência.
A comunidade internacional deve estar atenta para o problema, e acima de tudo, agir. Até quando o mundo verá calado a política prepotente de intervenção das nações imperialistas? Até quando veremos nossos irmãos humilhados sendo expulsos de dentro das próprias casas? Até quando andarão suas mulheres nas ruas sob mira de metralhadoras enquanto seus homens as defendem com pedras?
- LUIS BALBINO, universitário, Maringá
Salário
A respeito da manchete publicada na edição de ontem da Folha, ''Prefeituras têm problemas com 13º'', o município de Curiúva, contrariando a regra, coincidentemente na mesma data, está efetuando o pagamento integral e antecipado do 13º salário de todos os seus 284 servidores, além dos 30 inativos e pensionistas, juntamente com a folha de pagamento de outubro, fato inédito nos seus 54 anos de criação.
Esse fato só foi possível graças à transparência e à seriedade com que administração (reeleita) vem conduzindo a coisa pública desde a implantação da Lei Fiscal. Reconhecemos que esse é apenas o início de uma caminhada e temos consciência das dificuldades que ainda teremos para resolver outras questões de ordem social e econômica do município, que necessita de obras, ações e investimentos.
- KEISHI ASAKURA, chefe de Gabinete da prefeitura, Curiúva
Correção
- Foto que ilustra a notícia publicada ontem na Folha do Consumidor sobre a falência da operadora Soletur é de Marlene Santa Maria Nakamura e não de Regina Stella Marfará, como diz a legenda.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





