Comércio internacional


Em novembro os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, terão uma nova oportunidade de reverter a posição desfavorável em que se encontram no cenário do comércio internacional desde a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC). A coesão que não se logrou obter em 1999, no grau necessário para obstar o apetite insaciável do Primeiro Mundo, poderá ser forjada dessa vez, na cidade de Doha, no Qatar, onde se realizará o encontro da OMC.
Embora não se possa esperar que os EUA de Bush amenizem suas pressões, particularmente nas questões de patentes, nem que a Europa flexibilize sua política protecionista para a agricultura, há pelo menos um fato novo a ser considerado: muitos países em desenvolvimento já perceberam o engodo embutido no acordo GATE Acordo Geral de Tarifas e Comércio, que deu origem à OMC.
Nos acordos internacionais geridos pela OMC, percebe-se nitidamente, a prevalência de interesses específicos dos países mais poderosos em detrimento dos mais saudáveis e generosos propósitos de promoção da justiça social. Imbuídos desse espírito, em 1994, negociadores representando cerca de 150 países assinaram os diversos acordos que deram forma à OMC. Dentro desse conjunto pode ser destacado o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips), que estabeleceu como objetivos a promoção da inovação tecnológica e a transferência e difusão de tecnologia para os países menos desenvolvidos, em benefício mútuo de produtores e usuários do conhecimento tecnológico, de forma conducente ao bem-estar social e econômico e ao estabelecimento de um equilíbrio entre direitos e obrigações. Através desse instrumento, as lideranças mundiais exprimiam, com vigor e entusiasmo, o almejado primado da justa partição dos benefícios oriundos da inovação tecnológica entre países membros.
Resta agora apostar as fichas no encontro de Doha. Trata-se de uma oportunidade ímpar para países como o Brasil, a Índia e a China, entre outros, de virar o jogo perverso que nos impõe custos e condições absurdas para o acesso à tecnologia avançada e aos mercados compradores de bens e mercadorias localizados no Primeiro Mundo.


- NELSON BRASIL DE OLIVEIRA, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina - Abifina, Rio de Janeiro


Vida real


Temos dia certo da nossa chegada. Todavia, nunca sabemos o dia de nossa partida. E nesse curto ou duradouro espaço de tempo vamos como em um filme reprisado, servindo de cópias, clones. Servindo de replay para o que fizeram nossos pais.
Seguimos com nossas vidas, vícios, hábitos e manias, que nos amarram e conduzem a caminhos quase sempre previsíveis. É o fumo que entra em nossos pulmões, deposita a nicotina e outros venenos e depois soltamos a fumaça, como se fôssemos pessoas de sucesso, que sempre levam vantagem. Porém, somos apenas marias-fumaça de carne e osso.
Bebemos socialmente e passamos a beber até solvente. Bebemos e passamos mal. Quando nos recuperamos, como tudo que é previsível em nossas vidas, bebemos para comemorar nossa estupidez que chamamos de alegria. Usamos drogas, cheiramos pó, éter, esmalte, cola. Se nos disserem que é bom, queremos saber de tudo. E para sair, deixamos os melhores anos de nossas vidas.
Vamos crescendo e fazendo nossos mundos particulares, que pouco têm de nós, porque temos medo de contestar, de termos opinião própria e vamos engolindo os conceitos que nos impõem. E vamos sendo incorporados a esse sistema chamado de sociedade.
A sociedade hoje é mais televisiva do que real. Ficamos sentados em frente da televisão, sendo manipulados pelo controle. E agora somos sonhadores, ricos, heróis, famosos. E nossa vida pouco importa. Importa mais é o capítulo da novela de amanhã. E quando desligamos desse cordão umbilical eletrônico, voltamos à nossa dura realidade e somos apenas nada.
Continuamos no ''porto'' e não aconteceu nenhum ''milagre''. Nunca conseguimos ''sair de baixo''. Somos uns ''filhos da mãe'' e nada temos de ''fantástico''. Somos apenas ''ratinhos''.
Nessa louca vida que vamos levando, quando menos percebermos, chega o dia da partida. Se conseguirmos nos soltar dessas correntes, nos tornaremos livres, independentes, autoconfiantes e irradiantes de uma luz renovadora, que contagiará a todos que nos rodeiam. Se isso não ocorrer, seremos apenas mais um filme reprisado e com um final, como sempre, previsível.


- MANOEL J. RODRIGUES, Londrina


Controle emocional


As empresas valorizam e dão preferência para profissionais que demonstrem controle emocional e possuam alta competência técnica. O mercado dificilmente abre espaço para quem não quer ou não sabe trabalhar em equipe e é mal- humorado. O trabalhador que sabe controlar e administrar suas emoções tem sido mais valorizado em processos seletivos e no meio empresarial. Naturalmente, o domínio de língua estrangeira e informática são pré-requisitos imprescindíveis na atualidade.
A Organização Mundial da Saúde estima que 25% das pessoas apresentam algum tipo de transtorno mental, como depressão e agressividade, entre outros. A melhor maneira de administrar os transtornos mentais é a produção do hormônio da endorfina, alcançado por meior de gestos simples, como cantar, sorrir, dançar, orar, ser feliz. Em geral, as organizações buscam profissionais criativos, audaciosos e que sabem assumir riscos. Em face disso o jovem que busca empregabilidade tem que se comportar com maturidade e dispor de planejamento estratégico pessoal bem estruturado.


- ROSEMERY VILLAR e MARITZA PINTO RIBEIRO, Curitiba


A causa


No trucidamento de personalidades da política (ou politicalha) brasileira, a que vimos assistindo, o que menos tem influído é o comportamento, alegadamente improbo, delas. E o que sobreleva é a circurstância de haverem caído em desgraça direta do onipresente usufrutuário dos palácios da Alvorada e do Planalto.
Os ilícitos de que ora são acusados, como pretexto para a implacável perseguição, são antigos e conhecidos ou novos e irrelevantes. E continuariam a ser negligenciados se não fora a transformação ocorrida no relacionamento dos agentes com o Poder Absoluto.
No estilo ''blitzkrieg'', soltam-se todos os cachorros, de uma vez, sobre as vítimas encurraladas e testemunhamos o estraçalhamento delas, em mutirão, pela Polícia Federal, Receita idem, TCU, mídia governista, Ministério Público e corregedores ou conselhos ditos de ética e decoro. Todos sempre souberam de tudo, mas não ousavam cumprir seu dever.
Os que continuarem nas graças do Chefão não têm porque preocupar-se: quaisquer que sejam as acusações, tiram-na de letra. Vigora o lema cínico: ''Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei''.


- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília (DF)


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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