Vitória

O adiamento do leilão de privatização da Copel representa uma explícita vitória do povo paranaense que resistiu heroicamente na defesa de seu patrimônio. Cerca de 98% dos eleitores do Paraná opinaram contrariamente à venda, durante um plebiscito, mesmo sem valor legal, exercendo a cidadania plena como jamais foi visto na história política do Estado.
As batalhas travadas em várias frentes, tanto jurídicas como políticas, mostraram a justeza das opiniões da sociedade. Mais de 400 entidades contestaram bravamente, sem titubear, o erro estratégico que estava sendo cometido contra o desenvolvimento social e econômico paranistas.
A Copel, mais do que nunca, representa a possibilidade de geração de riquezas e conforto permanentes aos cidadãos. A crise energética que abate o País e os reflexos dos atentados terroristas nos EUA na economia mundial reforçaram os momentos de incerteza entre as empresas interessadas em adquirir a empresa.
A guerrilha judicial desenvolvida com eficiência pelo Fórum Popular Contra a Venda da Copel, com provas cabais de irregularidades no processo de privatização, acabou afugentando os três consórcios inscritos no leilão. Nenhum deles depositou os R$ 400 milhões necessários para a habilitação no leilão.
Mesmo sem condições técnicas e políticas de realizar a privatização da nossa Copel, o governo do Estado já anuncia nova data para tentar vendê-la: 12 de novembro. Cabe-nos, portanto, ficar de prontidão para defender os símbolos da competência e da inteligência paranaenses.
Os profissionais da engenharia, da arquitetura e da agronomia, ligados ao sistema Confea/CREAs, começam a discutir amanhã, em Foz do Iguaçu, um projeto de desenvolvimento para o Paraná e o Brasil. Sem dúvida alguma, a Copel faz parte desta discussão que interessa a todos os cidadão que buscam mais justiça a partir de políticas de inclusão social.


- LUIZ ANTONIO ROSSAFA, presidente do CREA-PR e coordenador do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Curitiba


Ideologia


Em comentário publicado ontem, nesta seção, o médico Carlos César Cusmanich, de Curitiba, desenvolve inicialmente um meritório arrazoado em prol do ''jogo democrático''. A seguir, passa aos seus ataques costumeiros contra minha pessoa, pois não é a primeira vez que ele faz isso. Entretanto, considero-o um medico notável. Primeiro, porque sendo um grande leitor e colecionador dos meus artigos, é capaz de se recordar de coisas que já escrevi há tempos. Memória incrível! Segundo, porque sendo um especialista em geriatria, cultiva uma espécie de cacoete (com todo o respeito) através do qual se transforma em psiquiatra. A partir daí ele faz uma coisa fantástica: diagnostica-me à distância, atribuindo-me um desequilíbrio não muito bem explicitado.
E sua ''verdade'', ''honestidade'' e ''humanismo'' são tão elevados, que este ele é capaz de uma maneira, que só pode ser telepática, afirmar que: ''Certamente ela jamais leu a biografia do filósofo alemão Nietzche, seu ídolo''. Possivelmente ele se refere à excelente obra ''Nietzche - biografia de uma tragédia'', de Rudiger Safranski, que tenho em mãos.
Meu ídolo não é propriamente Nietzche, mas Nicolau Maquiavel. Todos meus jovens alunos sabem disso. O doutor também afirmou que fiz ''apologia de ACM para a Presidência da República, e de Rafael Greca como um dos políticos mais promissores do Brasil''. Como meu leitor obsessivo, o Dr. Cusmanich devia ter feito uma melhor leitura dos meus textos. Quando ACM estava no auge do seu poder, fiz uma análise de cunho político em que dizia de sua potencialidade para a Presidência, o que não quer dizer apologia.
Mais recentemente, critiquei a postura de ACM, e este artigo parece ter escapado ao doutor. Que pena! Quanto a Greca, de fato me referi a ele de forma elogiosa. Se não me engano fiz isto quando assumiu o Ministério de Esporte e Turismo. Infelizmente, aquilo não deu certo, o que não invalida a trajetória política anterior de Greca ou anula sua inteligência e brilhantismo.
Pena que inteligência e brilhantismo incomodem tanto o Dr. Cusmanich. Pena que sendo um leitor compulsivo dos meus artigos, só encontre nos quase 500 textos publicados na Folha, alguns dos quais de cunho literário, apenas erros, distorções e desequilíbrio. Mas quem sabe essa visão maniqueísta se prenda a algum distúrbio provocado pela telepatia, que desconheço? Melhor, porém não julgar o doutor. Afinal, nem conheço sua história de vida.


- MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA, socióloga, escritora, professora universitária e colaboradora da Folha, Londrina


Professor


Dia 15 de outubro foi o Dia do Professor. Não houve aula nem qualquer atividade de trabalho. ''Aproveitamos o dia'' para corrigir provas e trabalhos, colocar em dia o diário de classe e preparar algumas atividades para a semana.
Procurei na caixa postal alguma mensagem dos alunos ou ex-alunos, esperei uma ligação ou talvez um e-mail, julguei que a telefonista tivesse uma mensagem gravada, tive a ilusão de que a floricultura da esquina me enviaria algumas flores em seu nome, mas nada. Nenhuma manifestação de carinho, afeto ou simplesmente, uma amável lembrança.
Durante todos os anos de nossa convivência nada ficou, fomos e continuamos estranhos um para o outro, como um ''acidente de percurso'', pelo qual tínhamos que passar. Você cresceu, criou asas, trilhou outros caminhos, que bom!
É... profissão ingrata essa nossa. Somos esquecidos pelo governo, pela sociedade, e agora pelos nossos alunos e ex-alunos. Às vezes gostaria mesmo de ser substituído pelo computador, ao menos nos 15 de outubro de todos os tempos não ficaria agoniado, esperando uma mensagem de parabéns pelo meu dia.
Não quero choramingar no teu ombro, mas uma mensagem tua nesse dia seria muito bem-vinda, tiraria de mim a idéia de que sou apenas ''mais uma ferramenta'' que a sociedade utiliza para galgar os caminhos da vida. Ora, que pretensão a minha!


- ESMERALDINO FRANCO, professor, Santa Mariana


Comércio


A participação brasileira no comérico internacional é de 0,9%, mas há amplo espaço para crescer. Basta adotar política agressiva, ousada e inteligente. Essa é a hora de exportar, independentemente do quadro de desaceleração mundial. Se os grandes centros estão em compasso de espera, apresenta-se uma boa oportunidade para prospectar outros mercados. Para depender menos dos investimentos estrangeiros, recomenda-se elevar as exportações.
Os economistas mais conceituados insistem em bater na tecla da exportação. Há consenso de que as condições são favoráveis e especialmente ideais para turbinar a balança comercial, já que preços e câmbio estão, respectivamente, competitivos e lucrativos. Trata-se paradoxalmente, de um efeito positivo do dólar em alta. Diante de um consumo interno praticamente paralisado, sobram produtos para ser exportados, sem que haja qualquer ameaça de desabastecimento. Portanto, melhor momento que esse é impossível.
Por outro lado, ao mesmo tempo em que o dólar caro abre as portas para as exportações, o câmbio produz estragos na contabilidade interna. Só no último trimestre, a despesa financeira das empresas do mercado aberto duplicou em relação ao mesmo período do ano passado. O Comitê de Política Monetária tentou intervir ao manter a taxa de juros em 10% ao ano. No setor público, a situação é mais delicada. Diante da desvalorização cambial, que ultrapassou a casa dos 40%, a dívida interna engordou R$ 70 bilhões. Pelos cálculos preliminares, acredita-se que atingirá 57% do PIB, enquanto o governo pretendia deixá-la abaixo dos 50%.


- JÚLIO SÉRGIO CARDOSO, Rio de Janeiro


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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