O LEITOR ESCREVE
Greve
A respeito da opinião de Bruno Veronesi, publicada ontem nesta seção (sobre a suspensão do vestibular da Universidade Estadual de Londrina), devo admitir que devemos concordar plenamente com seu raciocínio, principalmente porque objetiva mostrar que além da importância fundamental que nossa UEL tem para o ensino de nossa comunidade, existe o valor comercial ou o valor capitalista da instituição.
Não interessa de forma alguma a humilhação crescente do servidor, que tem que recorrer à criação do Comitê da cidadania para conseguir cestas básicas, comitê este que antes se chamava ''Comitê de ação e cidadania contra a fome e a miséria''. Não interessa o sucateamento da instituição, suas dificuldades administrativas e tantas outras inerentes às instituições de ensino superior, e neste sentido as estaduais não estão isoladas.
O que importa para alguns representantes de nossa sociedade é que não aconteçam fatos como a suspensão do vestibular da UEL, pois, além de permitir de forma afunilada o acesso ao 3º grau, permite, à comunidade empresarial, a geração da mais valia, com o trânsito de tantos candidatos em nossa cidade e região.
Será que é difícil perceber que a suspensão do vestibular da UEL não deveria chamar a atenção comercial, mas, pelo contrário, indicar que é necessária uma discussão e uma maior reflexão sobre a universidade e sua autonomia e, principalmente, mostrar que o estado de greve que se instaurou é resultado da falta de negociação do governo do Estado que teima em ferir a Constituição Federal em seu artigo 37, incisos VI, VII, X e XI?
Se realmente ''o direito ao ensino parece mais forte, pois envolve direta e indiretamente um maior número de pessoas'', conforme relata Veronesi, está aí o melhor argumento para mostrar a importância dos professores e servidores de uma instituição pública de ensino, para com seus concidadãos. Os servidores teimam em ser e estar dignos, para exercer com qualidade os cargos públicos a que estão designados.
- JOSÉ CÉSAR DE CAMARGO, servidor público e universitário, Londrina
Eleições
No passado, quando o povo brasileiro não tinha o supremo direito de participar do processo eleitoral, pois o direito de votar e ser votado estava suprimido pelo regime político, milhares de pessoas, através do Movimento Diretas, Já, lutaram por este direito, alguns dando a sua própria vida. O que de fato marcou esta luta pelo direito de poder participar ativamente do processo político foi sem dúvida a vontade e sobretudo a esperança dos cidadãos em poderem participar das eleições.
Passado esse triste capítulo da história do Brasil, adveio a democracia. Enfim o poder voltava para as mãos do povo, de onde nunca deveria ter saído. Quanta alegria do povo, podendo votar e ser votado, um clima de efervescência de idéias. A cada comício, carreata, reunião política, o povo se interava mais sobre o que estava ocorrendo no País.
Atualmente parece que está tudo bem com a democracia, eleições diretas, voto secreto, direito do cidadão de votar e ser votado. A verdade é que a democracia está doente. O nome da doença é falta de confiabilidade no atual sistema de votação, que utiliza as famigeradas maquinetas eletrônicas.
A falta de confiabilidade é uma questão lógica, pois o atual sistema eletrônico de votação não permite recontagem de votos, os partidos políticos não conhecem por completo o software da urna eletrônica e pior a única garantia de que o sistema é confiável é uma garantia verbal dada pelo Tribunal Superior Eleitoral, por óbvio com o devido respeito, garantia totalmente insuficiente. O problema é que urna eletrônica é uma máquina, por trás da máquina há um homem, homem este que por natureza é corruptível, portanto precisa sempre estar sob vigia. Não seria melhor imprimir um comprovante do voto, para em caso de dúvidas se fazer uma recontagem dos votos?
Essas dúvidas sobre a confiabilidade do atual sistema eletrônico de votação, estão desestimulado muitas pessoas de disputar eleições, em especial os mais jovens. O povo brasileiro precisa ficar em estado de alerta, pois está em jogo a democracia. Por que será que dentre os mais de 45 países democráticos somente o Brasil adotou o sistema totalmente eletrônico de votação, utilizando as maquinetas de votar?
- FÁBIO HENRIQUE ALVES, universitário, Umuarama
Ideologia
Todos temos o direito de ter ou seguir qualquer ideologia, seja ela de direita, de esquerda, de centro ou do que quer que seja, desde que respeitemos o direito dos que não concordam conosco. Isso é democracia. Acima de qualquer ideologia, porém, está a verdade, a honestidade e o humanismo. Fazer oposição às idéias com as quais não concordamos, também faz parte do jogo democrático. Buscar fatos negativos, erros e corrupção, seja em quem apoiamos ou nos opomos é um dever cívico e é sempre benéfico à democracia.
Há, porém, pessoas que, seguidoras de uma determinada ideologia, acham que os fins sempre justificam os meios e aí mostram todo seu desequilíbrio. Cometem erros grosseiros; são parciais e tendenciosos; omissos quando lhes convém; amplificam os erros dos adversários e minimizam os de seus aliados etc.
Esse parece ser o caso da articulista desse jornal, Maria Lúcia Victor Barbosa, que nos brinda toda semana, com tais ''qualidades'' acima citadas. Em um artigo publicado em setembro, ela cometeu alguns erros grosseiros que cito a seguir: ''Asseguro-lhe que em Jonhson e em Nietzche, nem Stalin poderia diagnosticar distúrbios psíquicos''. Certamente ela jamais leu a biografia do filósofo alemão Nietzche, seu ídolo, que morreu completamente louco, vítima de sífilis. Sobre seus outros erros, basta citar um de seus artigos no qual fazia a apologia de ACM para a Presidência da República, e de Rafael Greca como um dos políticos mais promissores do Brasil. Meses depois, o último foi demitido pelos motivos que todos conhecemos, e o primeiro renunciou para não ser cassado.
- CARLOS CÉSAR CUSMANICH, médico, Curitiba
Correção - A Folha errou ontem no texto sobre o adiamento do leilão de privatização da Copel. Por descuido não foi incluída a palavra ''não'' no primeiro parágrafo da notícia, o que deu a entender que as empresas interessadas na compra haviam feito depósito de garantias junto à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Na verdade, as empresas não fizeram o depósito, como está explicado no decorrer do texto. O erro foi ainda reproduzido na primeira página do jornal. A Folha pede desculpas aos leitores.
- Na edição da última terça-feira, na página 5, da Folha2, nota que informa sobre exposição de pintura em Morretes apresenta incorreções: a cidade completou 286 anos ontem (dia 31) e não 268 anos no dia 30 como foi divulgado.
- Diferentemente do que foi publicado na edição de terça-feira da Folha2, o ator e diretor teatral Álvaro Sampaio foi premiado como melhor diretor da categoria infantil no Festival de Teatro do Centro-Oeste, em Guarapuava, com o espetáculo ''Ari Areia, um grãozinho apaixonado'', do Grupo Chaplin, de São Miguel do Iguaçu (PR).
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





