Greve (1)
A longa greve dos funcionários e professores das universidades federais coloca para a sociedade a questão sobre qual o modelo de ensino superior a ser adotado. O governo alega que as universidades federais devem melhorar a sua eficiência. Um dos critérios de medição é o número de alunos matriculados para cada professor contratado. O governo diz que a média está abaixo de padrões aceitáveis. Alega também não ter os recursos para a concessão dos aumentos.
Os funcionários e professores das universidades federais acusam o governo de tentar sucatear o ensino público e gratuito para privatizá-lo. Alegam que as universidades oferecem um ensino de qualidade e, portanto, devem ser preservadas. Reclamam a valorização do ensino público e da universidade gratuita, através de melhorias das condições de trabalho, como o aumento de salários e a contratação de mais professores.
Quando se fala em alocação de recursos em um país carente como o Brasil, será impossível atender a todas as necessidades, por mais legítimas que sejam. A verdadeira questão é o estabelecimento de prioridades. Enquanto os professores têm razão em tentar garantir a todos os brasileiros o acesso ao ensino superior, não é certo que o ''acesso'' signifique gratuidade.
As universidades poderiam alavancar recursos das mais diferentes formas: através de mensalidades dos que podem pagar e de parcerias com a iniciativa privada. O governo deve continuar bancando parcialmente o ensino público, mas não deve ser o único patrocinador.
Não defendo a privatização do ensino superior, mas um sistema misto, com recursos advindos do governo, de alunos e da iniciativa privada. A nova universidade deve prestar contas à sociedade, agregar valores, voltar-se às questões mais relevantes para que tenha o apoio da sociedade e da iniciativa privada. Os cursos ofertados e o número de vagas devem refletir a demanda no País. Na economia do conhecimento, um grande país se faz com grandes cérebros, formados por um sistema de ensino de qualidade e de acesso universal. A sociedade brasileira não pode adiar esta decisão. Poderá ser tarde demais.
- ANDRÉ CAMARGO LOPES, empresário, Curitiba
Greve (2)
Gostaria de transmitir a George Hiraiwa, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), os meus cumprimentos pelo seu artigo publicado na Folha no dia 28. Concordo plenamente com o fato que a comunidade londrinense precisa resgatar a sua influência sobre as decisões do Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A UEL é uma conquista de Londrina graças a homens que tiveram a visão de enxergar a importância que essa universidade poderia representar para a nossa comunidade. O adiamento do vestibular é algo gravíssimo que envolve diretamente a nossa sociedade e deveria ter sido decidido por um conselho altamente representativo.
O ensino é um bem fundamental e não pode ser interrompido pelo interesse de poucos, por mais legítimo que seja. É como se funcionários da Sanepar ou Copel, insatisfeitos com os salários ou condições de trabalho, interrompessem o fornecimento de água ou energia.
Se o exercício da greve como manifestação é direito dos funcionários e professores, o acesso continuado ao ensino é direito do estudante. E nesse caso o direito ao ensimo me parece mais forte pois envolve direta e indiretamente um maior número de pessoas. Por mais nobre que uma causa possa ser, ela acaba se tornando injusta e politicamente incorreta quando prejudica a sociedade, afeta os mais fracos e fere um direito básico e fundamental como o do ensino.
- BRUNO VERONESI, empresário e presidente do Londrina Convention & Visitors Bureau, Londrina
Religiões
A história revela que as grandes tragédias e carnificinas ocorridas nos últimos dois milênios foram cometidas para impor uma religião ou em nome dessa. Entre elas estão as Cruzadas, ocupações da Palestina pelos cristãos ocidentais na Idade Média, a Inquisição e as Jihads, guerra santa iniciada por Abu Beker, sucessor de Maomé, da qual até hoje presenciamos resquício, através do saudita Osama bin Laden e outros grupos extremistas.
Infelizmente isso não é coisa de povos atrasados ou tribos selvagens como querem alguns. É estarrecedor o que vem ocorrendo em Belfast (Irlanda do Norte/Reino Unido, núcleo da civilização moderna e coração do capitalismo) entre católicos e protestantes. Até mesmo seitas (ou religiões) consideradas pacifistas, como é o caso do budismo, têm sua desavença. Exemplo acontece na Sri Lanka. Naquela região, budistas e hinduístas duelam em nome de suas religiões.
As religiões deveriam existir para convergir povos distintos e complexos em um interesse comum, a felicidade de todos. Lamentavelmente, o que tem ocorrido é exatamente o oposto. Cada religião se sente superior as demais. Impõem preconceitos, opressões, preceitos arcaicos e ultrapassados, suprimem liberdade etc. O que mais nos preocupa é saber que tudo isso está em ascensão. Dados revelam que os segmentos religiosos que mais ganharam adeptos na década de 90 foram os mais extremistas e radicais. Enquanto os templos se multiplicam, aumentam também o individualismo, o egoísmo, a indiferença, principalmente em relação aos mais desfavorecidos e excluídos.
Ao contrário do que muito dizem, não nos falta religião. O que mais se vê atualmente são igrejas e seitas. Se Deus, God, Alá, Jeová é o mesmo, por que tantas religiões? Será que sem elas não seríamos mais felizes? Se há mais de 2 mil anos as religiões somente trouxeram desavenças, opressões etc., por que não as abolir de vez e deixar que cada indivíduo pratique a sua própria fé? Tudo indica que não será através da religião que chegaremos a paz.
- SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, relações públicas, Londrina
Sombra
É engraçado como não se pensa duas vezes antes de se deteriorar o bem-estar das pessoas objetivando o lucro financeiro. Não é preciso ser demasiado inteligente para perceber que essa aberração acontece o tempo todo, em todos os lugares, na minha cidade.
Eis um dos fatos: muitas ruas de Londrina não têm sombra. Tiraram-nos o prazer impagável da sombra. Justo nós, que vivemos em um clima onde o sol machuca nossa pele e nossos olhos durante praticamente o ano todo. Nos dias não raros de calor escaldante, não podemos andar pelas ruas debaixo da agradável sombra das árvores, pois essas ''malditas'' estavam tirando o precioso espaço da publicidade.
As placas de publicidade! Pessoas pagam, empresas investem para tê-las ali. Cortem as árvores! Coloquem as placas bem grandes, visíveis, reluzentes. Contornando o Colégio Vicente Rijo, na Avenida Higienópolis, não há sombra. Não há arvores. Todas foram cortadas. As placas estão lá, intactas, intocáveis. No centro da cidade, próximo ao Bosque encontramos árvores, mas só lá. Parece um detalhe, uma reclamação mesquinha, afinal, não é um problema tão grande, mas o seu significado é: o lucro justifica o detrimento do bem-estar das pessoas. Cortem as placas!
- RAFAEL PITTA, universitário, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Esclarecimento
- Em relação à notícia ''Conta do Banestado em Londrina lavou R$ 16 mi'', a Folha esclarece que o Ministério Público Estadual apurou que em 30 contas fantasmas do Banestado foram lavados, no período de maio de 1998 e janeiro de 1999, R$ 150 milhões - parte desse valor desviado da Prefeitura de Londrina.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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