O LEITOR ESCREVE
Greve (1)
Quem é o maior prejudicado com a paralisação? Tem tomado enorme repercussão o problema da paralisação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Hospital Universitário (HU) nestes últimos dias. O governo do Paraná tem apelado aos servidores e professores para voltarem ao trabalho, a reitoria da universidade e o setor comercial de Londrina têm demonstrado os enormes prejuízos gerados pela obstaculização do vestibular, o setor de saúde demonstra o transtorno pelo qual vem passando.
Demonstram que, em detrimento de interesses sociais maiores, uma determinada classe, ou classes, vêm impor interesses particulares. Mas, o que realmente está ocorrendo é uma confusão, talvez até maliciosa, de quais seriam realmente os interesses sociais.
Os movimentos grevistas não estão buscando apenas interesses particulares, restritos a suas classes, mas sim reivindicações que, se a primeira vista aparentam ser individualistas, na essência beneficiam toda a sociedade. Não buscam apenas aumentos salariais, melhorias imediatas, a satisfação de interesses pessoais; e sim a readequação do ensino universitário e a reformulação do setor de Saúde em nosso Estado.
Entretanto, faz-se urgente que sejam tomadas algumas medidas imediatas, para não ocorrer uma total desestruturação desses setores. Apelar para ''interesses sociais'', como os prejuízos da não realização do vestibular, ou os transtornos no setor de saúde, é ser simplista; tentar colocar, no mínimo, interesses imediatos sobre interesses muito mais amplos.
É certo que toda paralisação gera prejuízos, pois estes não são, como tentam colocar, a finalidade em si destas, são somente um meio, infelizmente necessário, para se alcançar o real objetivo, a obtenção de melhorias maiores.
O prejuízo é a consequência, onde se percebe a real importância destas classes, que passam despercebidas enquanto seguem cabisbaixas. Se atualmente estamos passando por uma situação como esta, a culpa é exclusivamente do governo estadual, que deixou a situação chegar a este ponto, não restando mais alternativas a não ser ''parar'' ou se deixar destruir estes setores por esta política de desmonte e descredibilidade do Estado, que vem sendo difundida pelos ''diretores'' da máquina estatal.
- RAPHAEL OTAVIO BUENO SANTOS, universitário, Londrina
Greve (2)
Não aguento mais ouvir falar em antraz, terror, guerra bacteriológica, bioterrorismo. Será que essa é a nossa realidade? Será que quando abro a minha correspondência tenho medo do pozinho branco? Não. Nem penso nisso. Só consigo pensar que lutei para entrar na universidade e não estou tendo aula porque o governador não quer negociar com os grevistas, ou seja lá o que for. O que quero dizer é que nos veículos de comunicação em massa só se ouve falar neste assunto, que em nada muda o meu cotidiano.
No meu País, só se fala nos problemas do outro país, o grande ''Império''. Há quase um mês não assisto ao ''Jornal Nacional'', pois sei o que vão dizer e sei que não muda nada para mim. Não muda nada pra ninguém. A manipulação chegou a tal ponto que estamos preocupados com o sofrimento dos americanos e o seu medo de não aproveitarem o Dia das Bruxas.
O ensino público e a saúde de minha cidade, de meu Estado, de meu País, estão em condições muito precárias. O governador do Estado está de costas para os representantes da população (quando digo representantes, não entenda deputados). Não peço que ele atenda a tudo, mas ao menos não se faça de surdo.
Aqui, no Brasil, no Paraná, em Londrina, nós estamos com sérios problemas, de diversas ordens. Os americanos não são coitados, vão sair desta. Afinal, eles mesmos se colocaram lá. Mas que tal pensarmos mais próximos? E se a imprensa usasse de seu grande poder para resolver os problemas de quem não sabe como fazê-lo? Chega de antraz!
- RAFAEL GOMIERO PITTA, universitário, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Nações Unidas
No dia 24, a Organização das Nações Unidas (ONU) comemorou mais um ano de criação. Constituída ao término da Segunda Guerra Mundial, para assegurar o sentido de cooperação entre os países firmado durante o conflito, a ONU representa 192 Estados independentes que visam à preservação da paz mundial.
Porém, além das questões ligadas à paz e segurança, a tarefa de maior importância e alcance nas Nações Unidas é a promoção dos Direitos Humanos. Munida de instrumento internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e até mesmo a Carta das Nações Unidas, procura incentivar a consciência mundial quanto a essa importante questão.
Mesmo com a ocorrência de conflitos em várias partes do mundo, como os atentados terroristas nos Estados Unidos e os ataques militares ao Afeganistão, a proposta da ONU continua válida. O Prêmio Nobel da Paz, que a organização e seu secretário-geral Kofi Annan receberam, reafirma que os ideais sobre os quais a ONU foi construída são mais do que nunca necessários para enfrentar as novas ameaças à paz.
A Comunidade Internacional Bahá'í também participa deste processo de busca pela paz. Desde 1948, é reconhecida oficialmente, junto às Nações Unidas, como uma organização não-governamental. E em 1970 ganhou status consultivo no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc) e no Fundo das Nações Unidas para a Criança (Unicef). Também tem relações de trabalho com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e está associada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), assim como ao Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem).
Uma das atividades desenvolvidas pela Comunidade Internacional Bahá'í é a preparação e divulgação na ONU e junto aos governos das principais nações do mundo, bem como a proeminentes pensadores, nos diversos países onde atua, de documentos especiais, fruto do estudos das condições do mundo e a aplicação dos ensinamentos bahá'ís para contribuir na solução desses problemas. Desde o Ano Internacional da Paz, 1986, esses documentos têm sido traduzido e publicados também no Brasil.
- OSMAR MENDES, membro da Comunidade Bahá'í do Brasil, Brasília
Imprensa
Sou estudante de jornalismo. Questiono minha opção acadêmica quando leio e vejo os interesses econômicos se sobrepondo aos interesses da população brasileira com a cumplicidade de nossos meios de comunicação. Mas não posso deixar de manifestar minha satisfação e deixar de cumprimentar a Folha e o jornalista René Ruschel pelo artigo ''A imprensa e as guerras'', publicado no dia 26. Cumprimento a Folha, pela democracia interna em questionar o seu próprio papel. E ao jornalista pelo texto lúcido e claro, num momento em que o mundo vive um crise de valores.
- ANNA GALOTTI LIMA, universitária, Ponta Grossa
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





