O LEITOR ESCREVE
Sabedoria
Não há universidade onde não existem estudantes e nem onde não há professores. A constituição apostólica Ex Corde Eclesiae define a universidade precisamente como a instituição que ''se consagra à investigação, ao ensino e à formação dos seus estudantes, livremente reunidos com os seus mestres no mesmo saber''.
Mestres e estudantes constituem, assim, a razão de ser da universdade e as tarefas nela realizadas, seja no silêncio dos bastidores, seja no meio do grande palco da vida acadêmica, todas elas são serviços que visam criar as condições necessárias para que discípulos e mestres desempenhem com qualidade seus próprios papéis.
É tão grande a identificação entre os professores e a universidade que, em algumas línguas, como é o caso do inglês, a palavra faculty (faculdade) designa tanto o corpo docente quanto a própria instituição.
Gostaria de concentrar essa reflexão a uma das notas fundamentais que constituem a vida e o ser do professor: a sabedoria. Vivemos no que se convencionou chamar ''sociedade do conhecimento''. A sabedoria não é, certamente, idêntica ao conhecimento. Enquanto esse pode ser facilmente encontrado nos livros, aquela só se encontra escrita nas páginas da vida daqueles que pacientemente a souberam procurar.
Infeliz é a escola ou universidade onde os seus professores são exímios mestres na ciência, mas não são, também, mestres na vida. Não posso deixar de manifestar profunda alegria ao ver, diariamente, no rosto dos mais jovens e nas mãos daqueles mais acostumados ao giz e ao tempo, marcas dessa profunda sabedoria que tanto prezo.
Essa sabedoria de considerar-se sempre a caminho, como aprendiz, é uma atitude fundamental para o professor, sobretudo por algumas razões: 1) Os avanços na ciência são sempre reveladores de novos campos a conquistar; 2) Os erros revelam que o conhecimento humano é também falível e, muitas vezes, muito maior do que as teorias.
No caso da PUC, sobretudo nos dois últimos anos, tenho notado com alegria o empenho dos professores em se fazerem aprendizes, incorporando as novas linhas do novo Projeto Pedagógico. Sabedoria, nesse sentido, consiste na capacidade de perceber que existem novos paradigmas a serem descobertos. Como nos lembra Thomas Kuhn, sabedoria consiste em admitir que o paradigma não é ''o'' paradigma e, por essa razão, devemos estar sempre dispostos a aprender.
- CLEMENTE IVO JULIATTO, reitor da PUC-PR, Curitiba
Greve
Já estamos há mais de um mês sem aulas, e os professores e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) sem salários durante este período e seis anos sem reajuste. Cogita-se da hipótese da anulação do vestibular de verão e a anulação do ano letivo de 2001 da instituição.
A única coisa que se tem ouvido ultimamente na TV, nos jornais e nas rádios é a incessante ''guerra'' que o comando de greve está tendo com o governo, visto que o governo parece não estar nem um pouco preocupado com a paralisação que já dura quase quarenta dias em Londrina e dois meses em outras universidades paranaenses.
Mas o que muitos não estão vendo - ou fingem não ver - é o lado dos estudantes, seja universitário ou pré-vestibulando, que também estão sendo extremamente prejudicados devido a esta intransigência entre governo e comando de greve.
Sendo assim, a pergunta que fica é: por acaso o governo já parou para pensar que não está prejudicando apenas os servidores das universidades, mas também milhares de alunos de todo o Estado? E quando digo prejudicando, falo em termos financeiros, pois todos temos gastos, que por sinal, terão todos sido em vão e que com certeza farão falta nos bolsos de nossos pais, que tanto se esforçam para nos dar um estudo decente.
E há também os fatores psicológicos, pois o estudante fica o ano inteiro estudando para passar no vestibular e quando chega na hora de prestar o concurso, ele não acontece. E porque não falar em termos mercadológicos, pois não se esqueça que muitos estavam com seus estágios de conclusão de curso em andamento e os perderam devido a todos estes acontecimentos. Além do mais, existe também a questão das oportunidades de emprego que milhares de estudantes irão perder porque não irão se formar.
- RICARDO ALEXANDRE SANDOLI, universitário, Londrina
Serviço
Pedi na Copel uma ligação de energia elétrica, para um imóvel que durante algum tempo foi alugado para outra pessoa, que deixou um débito. A Copel primeiramente me pediu, tão-somente, um fax do contrato para fazer essa alteração; mandei pelo fax (uma, duas, três vezes), e o documento não chegava. Então resolvi mudar de estratégia e pedi a um mototáxi que levasse o contrato na Rua Chile, sede da Copel em Londrina.
Quando pensei que meus problemas tinham acabado, recebi um retorno da Copel pedindo uma declaração informando que o inquilino havia deixado o imóvel com débitos. Como se a própria conta que a Copel emite não demonstrasse isso, ainda me pediram mais: queriam saber para que o imóvel agora estava se destinando.
Cansado de tantos pedidos homeopáticos da Copel, retornei a ela pedindo ao funcionário que mandasse por escrito o que eles precisariam para ligar esta bendita luz. O funcionário disse que não poderia mandar por escrito; eu perguntei se eles não tinham um departamento jurídico, ele respondeu ''sim'' e que iria encaminhar para lá. Passados alguns dias, a Copel me retornou e por telefone me pediu que eu reconhecesse as assinaturas do contrato novo, sendo que eles nem tinham pedido o contrato novo.
Com tudo isso fiquei na dúvida. Será que a Copel não quer vender energia? Ou se lá ninguém sabe escrever, pedindo realmente o que quer? Relevo toda a canseira que estou tomando por um papel escrito com os desejos da Copel.
- ROBERTO G. TEIXEIRA, empresário, Londrina
Resposta
Esclarecemos que inicialmente a solicitação de religação foi indeferida em razão da indefinição do endereço do imóvel. Após visita ao reclamante e esclarecidas as dúvidas, a religação foi autorizada.
- ELSSON MARCOS SPIGOLON, Superintendente Regional de Distribuição Norte - Copel Distribuição, Londrina
Patriotismo
Até que enfim alguém falou grosso em Brasília. A questão não é nacionalista; mas de patriotismo. Com o aço que deixarmos de exportar, faremos espetos para saborear belos churrascos com a carne das vacas loucas. Espero que o ministro Pratini de Moraes continue com essa opinião.
- GALIANO PACCINI NETO, Campo Grande, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
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