Política
Parabenizo a professora Maria Lucia Victor Barbosa pelo seu artigo publicado na Folha na edição do dia 20 (''Nem para síndico'') que, de certa forma, mostra-nos claramente a realidade triste da política brasileira. Sempre que chegamos a momentos que antecedem as eleições, surgem os mesmos profissionais da política com soluções para todos os problemas do País e com a mesma característica de nunca mostrar os meios através dos quais efetivamente farão tais ''mágicas'' acontecerem.
Sem dúvida, a partir de agora, estaremos expostos a todo tipo de soluções absurdas, com os políticos prometendo-nos a transformação do Brasil na maior das potências mundiais com o objetivo de novamente se reelegerem, fato este que acontecerá nas esferas federal e estadual.
A situação é tão absurda, beirando ao puro oportunismo, dado o momento de total descrédito e vergonha pelo qual passa a classe política, que está colhendo exatamente aquilo que tem plantado ao longo do tempo, que verificamos o surgimento de pessoas que nunca administraram nada em suas vidas, a não ser interesses políticos próprios e de seus partidos, propondo-se a nos governar. Fato esse que também ocorre em nosso Estado e, por coincidência, no mesmo partido de Lula, que cada vez mais nos mostra porque é somente um eterno candidato.
No entanto, temos que reconhecer que somos também culpados por esta situação, pois se temos sempre que votar nos mesmos candidatos - e, mais triste ainda, naqueles menos ruins - é porque também não buscamos e não apoiamos o surgimento de novas lideranças providas, quem sabe, de algum idealismo e verdadeira vontade de contribuir para o surgimento da Nação e do Estado que todos sonhamos.
Tal posicionamento de inércia política talvez até nos tire o direito de reclamar e criticar estes que aí estão, já que chegamos à conclusão de que a classe política é um ''espelho'' da sociedade brasileira da qual fazemos parte. Ocorre-me, inclusive, algo sobre a nossa responsabilidade para com as gerações futuras, uma vez que que viverão no Brasil que para elas estamos preparando. E que país será este?
- LUIZ GASTÃO PINTO JÚNIOR, empresário, Londrina
Guerra
Os conflitos bélicos, que sempre eclodem em várias partes do mundo, desnudam os interesses econômicos que existem por trás de ações ''salvadoras'', ''contra o mal maior'', ''contra o Satã'', et caterva, personificadas, muitas vezes, em um único dirigente de Estado que venha a destoar do ''Consenso de Washington'' e da globalização. As guerras escondem na verdade, embaixo da máscara da luta contra o mal, a decadência de um modelo econômico e social vigentes.
Mesmo que isto signifique a perda de vidas inocentes e a violação do consagrado direito à soberania nacional dos povos, o capital internacional, na sua fase mais cruel e próxima à agonia, cuja faceta é o imperialismo, não titubeia em saquear a dignidade e as verdadeiras liberdades democráticas dos países que procuram um caminho próprio de desenvolvimento em todos os aspectos (político, econômico e social), não-atrelados à ''matriz''.
Na conjuntura atual caracterizada pelas incertezas que vêm se acumulando ao longo dos anos, cabe a nós, profissionais do Sistema Confea/CREA, fazermos uma profunda análise crítica do papel que podemos desempenhar na construção de uma nova ordem social, política e econômica para o Brasil. Para isso é mister que compreendamos e divulguemos as noções básicas de fraternidade e justiça social entre os nossos.
A sociedade brasileira espera dos profissionais de todas as modalidades as saídas necessárias para os problemas morais e éticos que a afetam em decorrência das desigualdades sociais. A população reconhece também a importância de nossa contribuição devido à peculiaridade das intervenções que realizamos no cotidiano, pelo altruísmo que invocamos ao arregaçar as mangas na edificação das mais complexas obras inerentes à melhoria na qualidade de vida de todos.
Não somos pretensiosos o bastante para reivindicar ao Sistema Confea/CREA a panacéia, mas, a partir desta 58º SOEAA e do 4º Congresso Nacional dos Profissionais, que realizar-se-á entre os dias 3 e 7 de novembro, em Foz do Iguaçu, queremos deixar um legado, uma contribuição apenas, às gerações atual e futura. Queremos lutar com o coração por um país com mais igualdade, fraternidade e justiça social. Queremos um país ética e moralmente superior ao atual, uma nova ordem.
- LUIZ ANTONIO ROSSAFA, presidente do CREA-PR, Curitiba
Ciência e religião
No século XVI, o cientista polonês Nicolau Copérnico desferiu um golpe na crença religiosa de que a terra não era o centro do universo e sendo assim não poderia ocupar um lugar especial no firmamento divino. Ele pôs em xeque a teoria do ''Céu e Inferno''. A Igreja, protegendo sua economia, obtida pelas vendas de indulgências e lotes no céu, e aproveitava-se do grande poder junto à nobreza, impunha a ''Santa Inquisição'', pela qual se assassinavam os ''bruxos-cientistas''.
Hoje, com a proliferação de tantas religiões, igrejas e seitas, que incondicionalmente impõem seu modo de pensar a bilhões de adeptos, a ciência ainda é malvista entre aqueles mais fanáticos. Isso porque o cientista, ao contrário do crente fanático, não acredita nas coisas simplesmente porque tem fé, e usa métodos palpáveis e não ocultos em simbolismos.
A ciência, porém, compartilha com a religião a existência de Deus como sendo nosso único Senhor e Salvador, pois foi Ele que deixou ao homem a inteligência científica para responder perguntas sobre a natureza da vida e do cosmos, explicadas por propriedades físicas, químicas, biológicas e matemáticas que emergem de um complexo mundo particular de infinitas fórmulas e combinações de elementos materiais, os quais fomos conhecendo ao longo da nossa história.
O fanatismo religioso é uma das estratégias que Satanás usa para atingir a vida de muitos crentes, pois, cegos, eles não vão evoluir, renovando seus conceitos, deixando de progredir em suas vidas e de alcançar as bênçãos. Além disso, eles estão interferindo negativamente nas vidas dos outros por acharem que seus caminhos são os únicos e verdadeiros.
O cientista não é um ateu, como sempre é rotulado por tantos pregadores radicais e preconceituosos. Pelo contrário, ele é um abençoado, pois tem o dom de edificar as pessoas com seu conhecimento apurado sempre visando o bem da humanidade, independente de raça, cor ou religião, já que para a ciência e a maioria dos homens de bem, o ateísmo é uma afronta a Deus, e o fanatismo religioso é uma ''fábrica de loucos''. Cada descoberta científica é um momento de encontro com Deus e sempre que o crente seguir o caminho da fé sem fanatismo, acreditando na ciência, ele vai se aproximar cada vez mais de Deus.
- ALEXANDRE S. LUPPI, desenhista industrial, Londrina
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