Greve
A greve é o último recurso de que se lança mão quando se esgotam todas as opções de diálogo. Ninguém faz greve sem que tenham havido anteriormente intensas rodadas de negociações na tentativa de resgatar o parâmetro das condições de trabalho, do salário, e do atendimento prestado ao público.
Ao longo de muitos anos, a crise instalada na Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem se arrastando. Foi um descaso atrás do outro, e a universidade foi perdendo seus recursos humanos para instituições particulares, foi depreciando seu patrimônio e perdendo suas referências.
O quadro funcional que lá permaneceu defende com muito brilho a nossa universidade e a coloca no cenário educacional como uma das melhores instituições públicas de ensino do País.
O Hospital Universitário (HU) é referência para mais de 200 municípios do Paraná e de São Paulo. Hospital público modelo, sempre lotado, o HU nunca deixou de atender um paciente sequer. Formando médicos e enfermeiros renomados, cumpre sua função de hospital-escola, e a principal que é de atender a população carente da região. São milhares de atendimentos por mês que aliviam a dor e tratam os mais diversos casos de patologias.
Infelizmente, o Poder Público estadual não atentou para a importância da UEL e do HU para a região Norte do Paraná. Quero aqui conclamar todas as lideranças políticas, e em especial os prefeitos e vereadores dos municípios que utilizam da estrutura da UEL para que, o mais breve possível, possam estar intercedendo perante o governo do Estado, visando ao final da paralisação, atendendo às reivindicações dos funcionários e reestabelecendo o tão necessário atendimento à população e aos estudantes, que correm o risco de perder o ano letivo.
Necessitamos da ajuda de toda a comunidade para que a normalidade volte à universidade. Enviem fax, e-mail e cartas aos seus representantes na Assembléia Legislativa do Paraná e ao governador solicitando imediata solução para os grevistas.
A UEL, o HU, Londrina e região merecem respeito. Vamos nos unir e mostrar que nossa região tem a força política necessária para mudar esse caótico estado de coisas que se estabeleceu no Paraná.
- HENRIQUE BARROS, vereador, Londrina
Guerra (1)
Depois de 11 de setembro o mundo nunca mais será o mesmo. Assim dizem os especialistas em relações internacionais. O atentado ao World Trade Center, ''símbolo'' do capitalismo moderno, transformou o mundo todo. Há uma apreensão geral, medo de uma guerra biológica, momento em que os agentes realizadores e intelectuais defensores do mundo globalizado repensam as transformações dessa aldeia.
Percebe-se que a globalização, o mundo sem fronteiras, é uma ideologia deficiente que não leva em conta as diferenças. Grupos islâmicos radicais e conflitos internos colocam em xeque tal estágio mundial.
O mundo parou, não há reação mercadológica e econômica, as economias estão frágeis, há uma recessão mundial, tudo somado ao medo do ''fim do mundo'' provocado pelas armas biológicas, que talvez nem seja de responsabilidade dos grupos islâmicos radicais. Podem estar por trás disso tudo, pessoas ligadas a grupos neonazistas, anticapitalistas, inclusive pessoas dos próprios Estados Unidos.
Hoje o cenário é de reflexão. Dúvidas pairam sobre o que será o futuro. É preciso colocar ordem na casa, saber aceitar as diferenças no mundo é primordial, pois o que é de valor para uns pode não ser para outros e vice-versa. Essa concepção pode ser enquadrada tanto em nível nacional como no contexto internacional. Mas também se faz necessário ressaltar que em momento algum a violência, as atrocidades tanto de uma parte como de outra podem ser aceitáveis para justificar ideologias, crenças etc.
O mundo precisa parar, refletir, discutir saídas para conflitos étnicos raciais, rediscutir o papel do Estado dentro de seus contexto interno, apaziguar e unir as diferenças de tal sorte que isso tudo venha a beneficiar uma maioria, que é o povo. A guerra não beneficia a maioria e ainda leva vidas inocentes, traz à tona o medo de que esses conflitos possam se espalhar como a poeira no ar, através das armas químicas e biológicas dizimando milhares de pessoas.
- JONATAS CESAR DIAS, geógrafo, Londrina
Guerra (2)
As grandes manifestações do mundo islâmico contra a América do Norte, por causa dos ataques ao Afeganistão, não foram tanto quanto se esperava. Todavia, houve exaltações do Taleban, e os muçulmanos, com exceções, demonstraram que estão dispostos não só a criticar os Estados Unidos, mas também se unirem ao terrorismo do Taleban. Eles gritavam palavras de ordem contra a América e ufanavam-se exibindo cartazes de Osama bin Laden, o maior assassino da história.
Se as manifestações islâmicas fossem restritas aos ataques americanos ao Afeganistão, eles receberiam aplausos do mundo inteiro. Quem não é contra a guerra? Nos últimos dias, as manifestações em prol da paz se multiplicaram em toda a terra. O que o mundo repudia com veemência são as manifestações em favor de um assassino frio e calculista, que, enclausurado numa religião, esconde-se com suas idéias satânicas capazes de provocar devastadora destruição. Ninguém, em pleno uso da razão, pode se posicionar ao lado de um homem que causou tamanha tragédia.
Desde o princípio, dos dias de Abel e Caim até hoje, a força do mal se faz presente nas ações maldosas do homem, sempre em nome da religião, na qual é fácil esconder a identidade do mal. É no meio religioso que convivem com maior número as pessoas humildes (massa de manobra). Exemplo disso é o próprio radicalismo do Taleban: no Afeganistão, o analfabetismo supera 65%, o que facilita a manipulação do povo pelo Taleban.
Quando um líder busca a força do mal, esse mal com certeza vai direcionar os acontecimentos. Os acontecimentos do dia 11 de setembro não pareciam ser reais. Não se imaginava que humanos fossem capazes de tão grande selvageria. O terrorismo mostrou ao mundo a face oculta de Satã, de modo cruel, desumano e diabólico. As famílias não puderam velar seus mortos, não houve flores nem sepulcro.
O ser humano se tornou selvagem, em nível mais baixo que os irracionais, ao rastejar como víboras mortíferas, satanizando sua própria imagem, desfigurando o caráter santo de Alá, o Deus de toda a humanidade. Não foi para produzir a guerra que Deus fez o homem.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, professor, Londrina
Correção - Na carta intitulada ''Greve'', de José Carlos Guitti, publicada ontem, o trecho onde se lê ''...é traço pessoal, equivalente à burrice...'', deve ser substituído por ''é traço pessoal, equivalente à turrice...''.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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