O LEITOR ESCREVE
Políticos
Se há uma coisa da qual o Paraná precisa, encarecidamente, é de políticos competentes e que tenham decência. Este é um Estado belíssimo, a julgar pela bondade do seu povo, pelas belezas naturais, fertilidade da terra etc. Em contrapartida, a classe política desgosta todos os paranaenses, fazendo com que o sentimento, que poderia ser de orgulho, seja de vergonha.
Diante de tantos problemas relevantes que afligem e são pertinentes ao Estado, o deputado Durval Amaral, em nome da base de sustentação ao governador Jaime Lerner, tem a petulância e o descabimento de exigir que ''o governo repasse recursos a fundo perdido apenas a municípios onde os prefeitos são da situação'', excluindo os de oposição, conforme reportagem da Folha na sexta-feira.
Isto é revoltante e revela uma mentalidade medíocre, limitada e bairrista que permeia o pensamento dos nossos ''ilustres'' políticos. Estão lá não para trabalhar pelo bem comum, mas para defender suas conveniências e interesses bairristas, como se estivessem num permanente palanque eleitoral.
Paraná, um Estado sucateado. A saúde pública agoniza, basta ver o Hospital Universitário de Londrina; as universidades estão cada vez mais abandonadas; os pedágios são absurdos pelo preço e pela situação das estradas; arrocho salarial dos trabalhadores públicos. Enquanto isso, a maioria dos deputados, sobretudo os governistas, preocupa-se em defender a contrapartida pelo voto de fidelidade e sujeição ao governador Jaime Lerner por ocasião da aprovação da venda da Copel.
E quanta gente deve estar de olho no que vai render esta estatal? Nada mais do que incompetentes que nada entendem da arte de administrar, pois só sabem fazê-lo na base da venda do patrimônio público. Mais do que nunca é importante que o povo do Paraná, rodeado de oportunistas que só sabem servir-se de cargos públicos, esteja atento ao futuro, pois outros macacos velhos já conhecidos se despontam para o pleito de 2002.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Tecnologias
O Afeganistão está experimentando um imenso acervo de tecnologias de guerra desenvolvidas por agências federais dos EUA, como o Departamento de Defesa, a CIA, o Pentágono, a Nasa etc. Entretanto, nem toda tecnologia ou ''know-how'' científico desenvolvido por agências governamentais, centros e institutos de pesquisa e universidades espalhadas, são para fins belicosos.
Pelo contrário, atualmente, a demanda por novas tecnologias não se limita mais às avançadas naves espaciais, aos sofisticados veículos de Fórmula 1, ou aos miniaturizados circuitos eletrônicos que operam armas de guerra, mas também, aos simples modestos utensílios do dia-a-dia, como as lâminas de barbeas, feitas em aço inoxidável, recobertas por filme polimérico para aumentar a vida das lâminas e diminuir o lascamento dos fios de corte; as tesouras e facas de cozinha, feitas em material cerâmico, nunca perdem o fio, mas podem trincar se caírem ao chão; as roupas do cotidiano, feitas de plástico sintetizado, como náilons e poliésteres, atendem às demandas das indústrias têxteis e necessidades humanas de status e indumentárias de um modo geral.
Dentre muitos outros exemplos, os citados são apenas alguns casos de tecnologias para o bem das pessoas. Porém, em tempos de economia de energia, as inovações tecnológicas acabam sendo prejudicadas. Portanto, é vital a diversificação de geração de eletricidade, como as alternativas: eólica, oceânica, placas de células fotovoltaicas e eletrólise, para aumentar a oferta de energia elétrica. E, de quebra, não esmorecer quanto as inovações tecnológicas que estão em processo em nosso País, apesar do descaso do governo com a pesquisa e desenvolvimento científico.
Aliás, ditame muito diferente do que praticam os EUA, que conhecem bem a receita de liderança e crescimento econômico: investimento maciço em ciência e tecnologia resulta em contínua inovação tecnológica e irrefutável poderio militar e econômico. Dessa forma, coloca os demais países do globo na soleira de seus interesses de império, submetendo-os às suas prerrogativas de xerifes do mundo.
- ANTONIO AZEVEDO, engenheiro de materiais, Santa Cruz do Monte Castelo
Agenda 21
Difícil de acreditar? Não, isto é a pura realidade brasileira. Mais uma vez o Brasil vai participar da Conferência Rio + 10, marcada para 2002, em Joanesburgo (África do Sul) sem sua Agenda 21 concluída. É triste sabermos que o Brasil irá apresentar a Rio + 10 omissão, desinformação, relaxo, falta de vontade política, desigualdades socioeconômicas do governo federal, desinformações e desinteresses dos governos estaduais, que contabilizam esses valores de educação ambiental e capacitação de professores e profissionais da área, como despesas, diferente daqueles que cumpriram a Agenda 21.
O Brasil hoje colhe os frutos da falta de investimentos no ser humano e também de um profundo convívio com a natureza e a vida. Nas palavras do diretor para a América do Sul da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), é a demonstração e o descaso para um país que poderia ser o exemplo para o mundo e mais ainda, por ter sido o Brasil a sede do Fórum da ECO 92.
O documento, se estivesse em ordem, deveria influenciar muitos investidores e órgãos governamentais do G-7 para receber investimentos e conservação da biodiversidade. Mas lamentavelmente aqui no Brasil é assim mesmo. Enquanto não valorizarmos a educação, os professores e o meio ambiente, pouca coisa poderá mudar até a Rio + 50 ou Rio + 100. Nunca o país investiu tanto na construção de presídios e reformas de penitenciárias - para desespero de toda nossa população.
A única solução para a humanidade pós dia 11 de setembro, será construirmos (no lugar de paredes, grades, fortalezas) pontes que liguem a paz, amor, capacitação, igualdade, solidariedade, tolerância. Aí sim o homem terá um rumo a seguir no século XXI. Caso contrário não mais teremos direito ao tão esperado Terceiro Milênio. Com a palavra os nossos governantes e os donos do mundo.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Coisificação
Quando ontem entrei no açougue com minha mãe e vi uma vaca pendurada no gancho tive a sensação de haver presenciado esta cena outras vezes. Acho que foi no caminho da escola. Os outdoors estão cada vez mais sem graça e vendem o corpo feminino como carne em açougue. As novelas denigrem a maternidade e transformam o recato e a delicadeza da mulher em carne de segunda. Há um menosprezo e uma desvalorização da ''pessoa'' que está por trás deste corpo exibido.
Não está na hora das pessoas atuantes nos meios de comunicação tratarem a figura da mulher com dignidade e elegância ao invés de promover a sua ''coisificação''? Não será um bom momento para transformar a propaganda comercial em algo inteligente, criativo, limpo e simpático de tal forma a encantar as pessoas? Assim está difícil.
- MAURÍCIO GRADE BALLAROTTI, universitário, Londrina
ERRATA Por erro de digitação, uma das palavras que compõem o título da chamada de primeira página na edição de ontem, sobre o acidente com o navio da Petrobras em Paranaguá, saiu incorreta. O título correto é ''Resgate de navio começa hoje''.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





