Copel
Começo pela palavra ''governador''. Dela foi que Descartes derivou ''kibernetos'', donde a popular cibernética ou ciência do governo, na qual quem governa só merece tal título quando modifica seus atos pelas consequências que eles produzem. E é difícil na história do Paraná, um momento em que foi tão clara, clamorosa, e indiscutível, a voz unânime, e discordante do povo, contra esse desplante democrático de se vender algo (a Copel) que pertence a 10 milhões, por ato de vontade suspeito e antipovo, de um governador e de 27 maus deputados estaduais.
Escreve-se sobre o terror de 19 pessoas que mataram mais de 6 mil, deixando outros 5 mil aleijados ou deformados (nos EUA), e não se enxerga a enorme semelhança entre aquela violência e outra, que mata nossa vontade, e aleija gravemente a representatividade popular?
Na medida em que o silêncio das minorias se consola com suas próprias vozes, que em momento algum representam a vontade expressa da imensa maioria do povo paranaense. Essas 28 pessoas nos lembram a triste figura do Doutor Coppelius, imortalizado em um ballet de Delibes, por sua vez baseado em um conto de Hoffmann, autor de contos de terror.
Lembro aos nossos deputados, que a Copel nasceu aqui, da união da Empresa Elétrica de Londrina com a Usina de Apucarana. Nasceu como a mais genuína filha pé-vermelha, e da mentalidade de estadista, de um bom governador. Seguramente, essa sua história não pode acabar em um golpe de mão de Coppelius e de 27 bonecos mecânicos, sem qualquer vida popular a lhes certificar seus votos impuros e antipovo.
Que se segure esse absurdo, e para tal só nossos togados podem justificar a investidura de seus encargos, e que o povo seja chamado a assessorar e resolver os problemas de caixa que Coppelius alega para vender, contra tudo e todos, algo que seguramente não lhe pertence, e que os donos não querem vender.
No momento em que 27+1 se propõem a vender algo de 10 milhões, afirmo que só um poder pode nos livrar desse estupro da vontade do povo. Ou ser ele também, relegado à vala comum onde repousarão os vendilhões da Copel, por Coppelius, o que engana mas não governa, se Descartes estava certo em seu secular raciocínio. Eu fico em este.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Lauro Campos (1)
Na edição de segunda-feira não poderia existir entrevista de melhor valor que a feita com o senador Lauro Campos. Uma verdadeira contribuição à cultura, à inteligência e à política paranaense. Parabéns aos jornalistas Giovani Ferreira e Dimitri do Valle. No entanto, o texto apresenta um leve erro, que embora não comprometa a mensagem geral, constitui-se num equívoco histórico que uma vez referenciados por outros se tornará fonte de informação equivocada.
Ao responder a uma das perguntas sobre os rumos do pensamento neoliberal, consta ser palavra do professor Lauro Campos a afirmação: ''O neoliberalismo surgiu em 1873, três anos depois de uma outra crise.'' Não sei se as palavras do entrevistado foram mesmo degravadas com exatidão ou o grande patriota se equivocou.
O geográfo Igor Moreira e o cientista social Rudimar Fabrício Ribas (''A origem do neoliberalismo - Inserção do modelo neoliberal na América Latina'') baseiam-se no historiador norte-americano para afirmarem que o ponto de partido desse modelo surge com uma publicação de Fridrich A. Hayek escrita em 1944, período da Segunda Guerra Mundial.
Assim o ''neoliberalismo vem sendo aplicado desde os anos de 70 e com maior intensidade a partir dos anos 80. Nasceu logo depois da Segunda Guerra Mundial, na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo'' e que no Chile foi essa teoria aplicada pela primeira vez, mas que ''o Chile era um país da periferia e o neoliberalismo somente obteve alcance mundial quando, em 1979, na Inglaterra, foi eleito o governo Tatcher...'' (Rudimar Fabrício Ribas)
Espero que essa correção possa ser feita ou que uma discussão saudável seja aberta porque a entrevista dos nobres jornalistas merece.
- ACIR DA CRUZ CAMARGO, Ponta Grossa
Lauro Campos (2)
A entrevista concedida pelo senador Lauro Campos no dia 15, para a Folha, é um diagnóstico da pior crise que assola o Brasil: a crise intelectual. O senador, infelizmente, parece conhecer nada sobre o que fala, mas mantém sua posição de intelectual ao usar conceitos científicos como artifícios retóricos.
Primeiro mostra que o neoliberalismo é um movimento histórico real, na medida que este afirma o desemprego, deflação, quebra de bancos etc.. Enfim, que o liberalismo é agente dinamizador da crise pela qual passa o capitalismo. Mais adiante, ele afirma que o capitalismo é uma realidade histórica e o neoliberalismo é apenas uma ''deformação da cabeça, que não consegue olhar o mundo''. Ora, como pode algo ser e não ser, como pode o neoliberalismo ser um agente essencial no processo histórico do 'ultimo século e ao mesmo tempo não passar de uma ''deformação da cabeça''?
Segundo: afirma que o FMI e a ONU estão quebrados e são sustentados pelos EUA, mas esse, na visão do senador, também esta quebrado, com uma dívida de US$ 20 trilhões. Se o Brasil consegue um empréstimo do FMI de US$ 16 bilhões, eu devo perguntar: de onde vem esse dinheiro? Talvez o senador veja o mundo como um hindu: sob FMI estão os EUA, sob os EUA um elefante, sob o elefante uma tartaruga, e sob essa tartaruga, só há tartarugas. É com base nesta visão que ele faz o diagnóstico da crise: o país mais rico do mundo é o mais endividado, e por tal razão a economia mundial está encalhada.
O capitalismo, como fenômeno histórico concreto, dinamiza-se, sofre metamorfoses internas ao passo que transforma a realidade social. Ao entender as transformações atuais do capitalismo como crise, nega-se a sua dinâmica histórica, tornando-o algo rígido e incapaz de assimilar o movimento dialético entre base econômica e superestrutura social.
Por último, quando questionado se o senador defendia outro tipo de sistema em contraposição à dobradinha neoliberalismo/capitalismo sua resposta foi categórica: ''Eu não defendo nada'', Campos nega a responsabilidade do cargo que ocupa. É um político, um homem prático por excelência, abdicando-se de seu caráter de agente transformador (e responsivo para seus eleitores) para ser um mero espectador da história.
- SILVIO GRIMALDO CAMARGO, universitário, Londrina
Prêmio Nobel
Eu achei o maior cinismo a ONU ganhar o Prêmio Nobel da Paz! Que coisa mais sem sentido! Se fosse o Prêmio Nobel da Guerra, aí sim essa organização teria todo o direito de levar a premiação, mas o da Paz não. É tudo política para mostrar uma ONU benfeitora e não uma organização que só faz a guerra.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Correção
- Ao contrário do que foi informado na Folha Esporte de segunda-feira, Jayme Luiz Lino ocupou o cargo de preparador físico das categorias de base do Londrina, no período de 1993 a 1997.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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