O LEITOR ESCREVE
Guerra
É espantoso como os atentados que ceifaram milhares de vidas nos EUA causam reflexos na nossa capacidade de optar ou exponenciar uma posição. Inicialmente, muitas pessoas foram a favor de riscar do mapa, literalmente, o Afeganistão, refúgio de Bin Laden.
Mediante o apelo das imagens veiculadas pela mídia, onde palestinos supostamente comemoravam a tragédia, algumas pessoas foram favoráveis ao ''extermínio dessa raça'', sem se dar conta da veracidade ou não das imagens. Outras, já começam a olhar com desconfiança o seu vizinho do lado, que professa outra religião, diferente da sua e igual a dos radicais terroristas. Atos que demonstram o nacionalismo exacerbado, principalmente nos EUA, e atitudes de xenofobia extremada contra islâmicos também pululam na mídia.
Na história da humanidade, a busca pelo ''bem-estar'' da maioria (que nem sempre é maioria), sempre oprimiu e oprimirá minorias (que quase sempre são maiorias) que não são agentes dos mesmos ideais.
Se nos posicionamos ao lado da ''maioria'', podemos ser tachados de xenófobos, genocidas, de nos aliarmos ao ''capital imperialista''. Se por outro lado nos posicionamos a favor da ''minoria'', somos rotulados de fanáticos religiosos, de sermos terroristas extremados, de sermos loucos suicidas. E ainda há o pior. Se não nos posicionamos, a favor ou contra a situação, somos aproveitadores e insensíveis perante os acontecimentos. E neste vai-e-vem de opiniões e posicionamentos pessoais ou coletivos, explode a guerra. Uma guerra onde o principal alvo é subjetivo, uma guerra contra o terror! E sendo subjetivo o inimigo, ele pode ser apenas um, ou vários ao mesmo tempo.
O resultado da guerra e seus reflexos serão proporcionais ao número de vítimas nos atentados de 11 de setembro de 2001? Só o tempo irá dizer. E o Vietnã é prova disso. Creio que o melhor posicionamento em um momento como este, é ser partidário da vida, por mais miserável ou oprimida que ela seja.
- GABRIEL EVANDRO MOREIRA NOVAES, metalúrgico, Londrina
Justiça
Temos, nesta coluna, elogiado o trabalho levado a efeito pelo Ministério Público, movendo as ações competentes contra todos que participaram da escandalosa apropriação do dinheiro público na Prefeitura de Londrina, dinheiro esse, na sua maioria, oriundo da mal explicada venda das ações da Sercomtel para a Copel.
É um trabalho cansativo e demorado mas que tem trazido à luz fatos comprovados da apropriação de dinheiro do erário por grande número de beneficiários, capitaneados pelo ex-prefeito Antonio Belinati. Para mim, com sinceridade, não foi e não é nenhuma surpresa ver os nomes que estão envolvidos. E podem estar certos: procurando a fundo, chegarão mais longe, até Curitiba, com certeza. Ou será que foi à toa que o governador e os deputados a ele ligados, não permitiram a instalação da CPI da Sercomtel/Copel?
Esperamos agora que os promotores agraciados com o prêmio internacional pelo seu trabalho (dado pela Transparência Internacional e recebido em Praga), continuem firmes no seu objetivo, buscando não só acionar civil e criminalmente os culpados mas, fazer com que sejam presos e que restituam o dinheiro roubado.
Paralelamente nos chamou a atenção a declaração da respeitada juíza aposentada Denise Frossard (publicada na Folha no dia 14): ''Se a Justiça atrasa (ou chega tarde) ela já falhou''. Ela tem razão: há tantas saídas e recursos jurídicos previstos em nossas leis que advogados, em nada comprometidos com os interesses da cidade e seus habitantes, conseguem ganhar tempo para que os corruptos comprovados fiquem impunes.
A pergunta que me ocorre é: será que os dignos juízes e desembargadores, se quiserem, não poderiam também atuar na mesma direção do Ministério Público? Agilizar a tramitação dos processos e, diante de tantas provas, prolatar as sentenças adequadas.
A falta de agilidade poderá trazer uma consequência pior: políticos envolvidos em corrupção ou ligados a ela, poderão se candidatar nas próximas eleições e ser eleitos. E não é só o caso da Sercomtel/Copel que tem uma grande quantidade de corruptos envolvidos. É só lembrar o caso Banestado Leasing. Aí entra a nova ONG a ser criada em Londrina. Ela pretende informar os eleitores sobre todos os políticos candidatos nas próximas eleições. Devemos ouvi-la.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Professores
Sou estudante, sim! Gosto de todas as matérias, mas Português para mim é uma sucessão sem férias! Sinto que todas as outras são subordinadas a ela. Até mesmo a Matemática, se não houvesse Português, ninguém passaria do 1º ano. A orgulhosa Ciência, que o mundo inteiro alerta, se não houvesse Português, não teria sido descoberta. A grandiosa História, que nos entrega o passado, se não houvesse Português, teria qualquer plano frustrado. A Geografia, que só fala do que é belo, se não houvesse Português, teria desmoronado o castelo.
Porém, com todo amor, digo que ninguém está a sós. Graças ao Professor, todas as matérias são importantes para nós. A Matemática me ensina a fazer a multiplicação, não me deixa enganado nas garras dos embrulhões. A Ciência me ensina, eleva-me em tão alta posição, faz-me conhecer meu corpo e melhorar até mesmo a alimentação. A Geografia para mim tem sentido bem profundo. Sem sair do meu Brasil, com ela conheço o mundo. A Educação Moral e Cívica me ensina a respeitar os pequeninos, o que faz parte da sociedade. O meu obrigado sincero a todos os professores, que mesmo com o baixo salário, têm o coração febril: independente de raça, educam o nosso Brasil.
- ANTONIO ALVES SOBRINHO, técnico em radiologia, Londrina
Universidade
Um país com quase 19 milhões de habitantes já teria motivo suficiente para se envergonhar. Mas, no Brasil, ou mais precisamente em Londrina, o quadro está contanto com uma pincelada extra de perversão. Refiro-me à proposta encaminhada pelo ocupante da cadeira Executiva à Câmara dos Vereadores, para abertura de crédito especial de R$ 2,8 milhões em prol da Pontífica Universidade Católica (PUC).
Doação de verba a uma universidade particular da qual apenas aqueles com condições financeiras de custear seus estudos terão oportunidades, ou melhor, pagarão pela oportunidade de usufruir dessa ''doação''? Ora, trata-se de uma instituição particular que visa como qualquer outra a busca pela tão conhecida matriz do capitalismo - o lucro. Assim, é inconcebível que tamanha quantia seja revertida a esta ou àquela instituição particular, sob o fraco fundamento de que tais investimentos trarão novos empregos à cidade.
Se o problema é emprego, porque não destinarmos vultosa quantia na criação de uma Fundação de Ensino Superior de Londrina, em que todo dinheiro que entraria seria revertido para o pagamento das despesas. Com certeza o custo do ensino seria bem menor, possibilitando, ainda mais, o acesso da população desfavorecida economicamente, não se olvidando da criação de novos postos de trabalho.
Imperioso, pois, que se tal doação ocorrer, esse governo - que se diz de oposição, estará se aproximando, e muito, de práticas outrora por ele combatidas, e que, aliás, legitimaram-no no poder. A questão deve ser analisada de forma profunda, e debatida por toda a sociedade, para que não sejamos acusados de aumentar o quadro de analfabetos, não os 19 milhões existentes, mas outros tantos milhões que, sabendo ler, escrever, não sabem, o que é pior, opinar.
- JUNIO CÉSAR MANGONARO, universitário, Londrina
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