O LEITOR ESCREVE
Dia das Crianças
A grande oportunidade para o mundo está de fato nas mãos infantis. Sua sensibilidade no sentir, sua pureza no pensar e a sua doçura no agir nos fazem reprensar o novo milênio das nossas crianças.
É uma luta sem canhão, sem armas, é uma luta inovadora da pureza que se contrapõe à forma preventiva de agir, do grito da espontaneidade em detrimento do espírito crítico, da decisão inconsequente em substituição às ações maquinadas: é a voz e a vez da criança!
É a criança cobrando o pai que na pressa do dia-a-dia fura o sinal vermelho; é o desentendimento da criança com a mãe que joga na praça a casca de banana; é a cobrança do filho que busca o pai na porta de um bar quando falta em sua casa o pão, é a criança no exercício da cidadania.
Esse grito de percepção, profundo e silencioso, muitas vezes não ouvimos. É o grito de quem acredita no mundo em que vivemos, é o grito da sensibilidade e da doçura, é o grito da criança clamando por um mundo melhor! É a aceitação total da infantocracia, da criança no poder!
Que tenhamos todos nós a grandeza de perceber que nessa revolução silenciosa, todas nós ganhamos: escolas, professores e os pais comprometidos, porque estaremos entregando a mãos puras e corações apaixonados as decisões de nosso País. Deixemos jorrar toda esperança que flui dessas mentes, acreditemos na criança e façamos renascê-la também dentro de nós.
Assim, numa sintonia harmônica de paz e sinceridade, o trono do novo milênio estará sendo entregue a essa ''gente pequena'', de alma e coração grande, demonstrando que o mundo tem cura e tem amor abundante para ser distribuído com igualdade e sem limites.
- SANDRA GRAÇA, vereadora e presidente da Comissão Permanente da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Londrina
Roberto Campos
Após os anos 50, todas as atividades econômicas e administrativas no Brasil foram criadas ou passaram pelo crivo de Roberto Campos. Político, escritor, economista, ex-ministro, seu passamento, aos 84 anos, ocorrido no dia 9, deixa uma lacuna de opinião, de criação e, acima de tudo, de experiência.
O governo Getúlio Vargas viveu sob o auge da carreira de Roberto Campos que, ao ver Getúlio queimar parte de nossa safra de café no Porto de Santos, relatou que a atitude traria lucros ao País, e as futuras gerações veriam que o mercado manda e impõe medidas.
A construção de Brasília, o início do endividamento externo e a volúpia do crescimento de dívida interna foram sempre analisados por esse economista. Em 1964, com a implantação do governo militar, Roberto Campos foi idealizador do Banco Central que, com suas mudanças e procedimentos, criou o FGTS, com o famoso ditado: ''Criei um carneiro - o FGTS - que virou bode, mas não participei desta metamorfose''.
Criou ainda o Banco Nacional de Habitação (BNH) e seus procedimentos para atendimento à população, e ajudou na criação da caderneta de poupança, sua captação e definição de onde estaria lastreada a aplicação. Elaborou os planos do BNDS, sua finalidade, seus requisitos para aplicação de recursos, e implementou o atendimento. E mais: participou de resoluções do Banco Central, da fixação de indexadores etc.
Todos nós conhecemos as imperfeições dos planos criados, dos produtos lançados e, como dizia Roberto Campos, ''a maior imbecilidade de uma mudança é não mudar''. Campos brigou ainda pela abertura dos mercados, sempre a favor da estatização, e representou o Brasil junto ao FMI, participando também da sua criação. Sempre falava que o socialismo implantado não trazia resultados e o que o capitalismo era voraz e trazia resultados demasiados.
Era um economista e idealista que agradava administradores, advogados, contabilistas, matemáticos e outro profissionais despertando o respeito sobre seu trabalho e suas idéias. Com o falecimento de Roberto Campos, a economia brasileira perdeu seu melhor valor, e a economia mundial perde um dos principais valores que se tem conhecimento.
- PAULO AFONSO RODRIGUES, contabilista e assessor financeiro, Londrina
Estudantes
Gostaria de manifestar minha opinião inteiramente contrária à infeliz afirmação do assessor jurídico e ouvidor do Núclero Regional de Ensino (NRE) de Ponta Grossa, ao afirmar que ''aluno não tem que fazer protesto, porque lugar de estudante é na sala de aula'', publicada na página 3 de Folha Cidades de ontem.
Em primeiro lugar, estudante não apenas pode, como deve fazer protesto, com razão ou sem razão, pois é apenas desta forma que se aprende Cidadania e Democracia - e não com fórmulas estereotipadas em projetos pedagógicos ou por meio de ''aulas'' de cidadania (?).
Em segundo lugar, lugar de estudante é também na sala de aula, mas não somente: a educação também se faz nas ruas, nos movimentos, na organização estudantil, nos protestos. Infelizmente, o funcionário do NRE está equivocado, mal informado e expõe uma concepção deformada do significado verdadeiro de um processo educativo formador da Cidadania e transformador da realidade.
Os educadores devem, com certeza, orientar e discutir atitudes com seus alunos, mas sempre deixando a liberdade da opção - até para errar. Mesmo porque, como diz com acerto a sabedoria popular, é errando que se aprende. Todos nós que vivemos a fobia da ditadura militar aos movimentos estudantis temos dificuldade em aceitar que, em pleno estado de direito democrático, os estudantes se vejam arbitrariamente cerceados em seu direito a crescer, errar e aprender, por educadores ainda escravos de uma servil mentalidade ditadorial.
- TEOFILO BACHA FILHO, professor e membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná, Curitiba
Igapó
Como moradora da área e apreciadora da beleza do Lago Igapó, em Londrina, com pesar vejo a montagem de tendas sujas em um dos espaços de maior beleza do lago. Era repousante quando descia a Rua Souza Naves no sentido do Fórum e podia desfrutar da linda paisagem (lago, árvores, lindas casas). Agora, em vez do belo vemos montadas duas tendas horríveis que só causam má impressão a quem passa. Não quero aqui, entrar na questão ''espaços culturais'', pois se servem para essa finalidade, que não ocupem lugares nobres (IPTU caríssimo), etc. Quero o nosso cartão-postal de volta.
- SORAIA DE OLIVEIRA, Londrina
Correção
- Notícia publicada na quarta-feira, sobre a morte do ex-ministro Roberto Campos, no Rio (Política), acrescenta que ele foi imortal da Academia Brasileira de Letras. A frase apresentou óbvio erro de digitação, notado e reclamado também pelo leitor Osvaldo Baptista do Prado, de Londrina.
- O índice de correção da caderneta de poupança referente ao dia 9 de outubro, que consta dos ''Indicadores Econômicos'' da Folha Economia, é 0,7438%, e não 0,7938% como foi incorretamente publicado.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





