Greve (1)
Tenho seguido atentamente o desenrolar da greve da UEM. Sou professor desta instituição desde 1990, lotado no departamento de Odontologia. Como professor em regime de trabalho Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (TIDE), meu único sustento provém dos vencimentos desta instituição. Atualmente encontro-me afastado para o doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e estou na Grã-Bretanha desenvolvendo meu projeto de pesquisa. É com pesar que tenho que admitir o descaso e a falta de respeito aos direitos constitucionais que o atual governo estadual vem conduzindo as negociações (se podem desta forma serem chamadas) para a solução da greve.
Apesar de não estar nem mesmo presente nas atividades de ensino da instituição, por estar afastado, meu salário também foi descontado. Fico aqui a perguntar se deveria eu entrar em greve aqui na University of Ulster e explicar ao meu orientador e aos membros da Comunidade Européia (que patrocinam o projeto de pesquisa) a situação no Brasil. É claro que eles entenderiam a situação. Mas antes eu teria que explicar o porquê, após ter produzido consideráveis resultados científicos, suplantando inclusive a média de produção dos alunos de doutorado local, eu voltarei ao Brasil para sobreviver com 25% do salário básico de um pesquisador daqui. Sem contar que terei que produzir com menos de 1% dos valores aqui investidos em pesquisa.
A pergunta óbvia dos colegas bretões será por que eu não desisto do Brasil e encontro uma posição aqui? Propostas não me faltam. Eu então teria que responder que estou obrigado a um ''termo de compromisso'' assinado por mim antes de meu afastamento. Entretanto, este mesmo termo é bilateral e obriga ao Estado o pagamento ''integral'' de meus vencimentos durante meu afastamento. Qual seria o desenrrolar judicial deste impasse? É triste saber que além de negligenciar a pesquisa, o Estado está arriscando o investimento em capacitação científica.
- JOÃO CARLOS MIGUEL, professor, Grã-Bretanha
Greve (2)
Apóio a greve nas instituições de ensino do Estado. A propósito, estou convicto de que nossa combalida economia municipal sofrerá muito com o descaso e desprezo com que nossas instituições vêm sendo tratadas. Os grandes pesquisadores irão para outras instituições, que pagam bem melhor que aqui. A tecnologia, antes gerada aqui, gerará riquezas em outros locais. Os perdedores: todos nós de nossa região.
- SANDRO NOBREGA, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Incentivo (1)
Lá se vão dez anos, madrugada afora, enfrentando o frio do inverno e os perigos da noite. Foram anos a fio, trabalhando incansavelmente dentro da economia informal. O ambulante, agora empresário (Arnaldo Lanches), gera 12 empregos diretos, paga impostos e continua sua luta pela sobrevivência. O ambulante que saiu da rua não pediu ao Poder Público um centavo sequer para montar seu novo estabelecimento, não obteve da prefeitura um incentivo sequer e continua a seguir seu caminho.
Enquanto isso, há empresas que vêm para o Paraná e para Londrina exigindo terrenos, incentivos tributários e fiscais. Muitas delas ''dão o cano'' e vão embora, levando consigo o suado dinheiro do povo. São grupos econômicos de grande potência, às vezes multinacionais que solapam o Estado e se vão com a mesma facilidade da areia escorrendo por entre os dedos. Elas são merecedoras de todo o crédito, de vozes empostadas ao microfone do rádio e da televisão. Enquanto isso, o ambulante amigo da lua não pode nem sequer receber um elogio da Câmara de Vereadores.
São os hipócritas de plantão que somente defendem quem já está estabelecido, talvez, pelas gordas contas publicitárias das empresas nacionais e multinacionais. São os medíocres que fazem do microfone a arte de defender a suas coisas e não as da cidade. Parabéns ao lancheiro de sucesso, ao amigo da madrugada. Conte com seus clientes.
- ARTUR YOSHIO TAKEHANA, aposentado, Londrina
Incentivo (2)
São coisas como as mostradas na reportagem ''Marcas Locais'', publicada na Folha Economia, da Folha, no dia 7, que nos motivam a continuar a árdua luta de manter a atividade industrial, em uma cidade e um Estado que nada têm feito pelas indústrias locais. Parabéns à jornalista Benê Bianchi e toda a equipe da Folha de Londrina por mais este gol.
- ANTÔNIO CARLOS VIANA, empresário, Londrina
PSDB
Sou filiado ao PSDB de Londrina e estive na reunião com o vice-prefeito de Curitiba, Carlos Alberto Richa, que pretendia esclarecer o projeto de reestruturação de um novo partido no Paraná após os embates com os senadores Alvaro e Osmar Dias e a dissolução do diretório estadual, e que rende disputas judiciais.
Não posso deixar de manifestar algumas opiniões acerca da conversa com o ex-filiado do PSDB que retorna ao partido depois de passar pelo PTB onde disputou o cargo com o candidato a reeleição pelo PFL, Cassio Taniguchi. Ele situou a questão partidária no projeto de um ''novo'' PSDB como se algo acontecesse de mudanças em nosso ideário, estatuto ou programa partidário, mas não é o que realmente aconteceu.
O que ficou claro: tentativa de se levar o prefeito de Curitiba a trocar de partido, busca desesperada de reacomodação de candidatos a cargos eletivos no ano que vem, imaginativa reestruturação do comando partidário para uma nova coligação com o PFL de Jaime Lerner e que haveria candidatos a governador e senador sem declinar nome ou projeto político substancial.
Na hora da réplica das lideranças regionais e de Londrina, o vice-prefeito da capital não soube precisar com exatidão quem comandaria o partido, não lembrava dos nomes da junta interventora, deixou de declinar a projeção de alianças nas eleições majoritárias, como ficaria a situação das direções municipais e ainda como seria a postura de oposição a Lerner. Ao responder a uma pergunta sobre se continuaria no cargo de secretário de Cássio Taniguchi, ele afirmou que sim, pois não via impedimento.
O que extraímos da primeira visita do vice-prefeito aos tucanos do Norte do Paraná: toda a iniciativa era para desalojar os irmãos senadores; a dissolução do diretório seria para facilitar a filiação de deputados sem passar pelo crivo de votação nominal; preparar o terreno para a candidatura de Cassio Taniguchi e que não foi vitoriosa, e nem ao menos possuem um plano B para a ''saída rápida pela direita''.
Sempre é tempo de resistir e reinventar o partido ético e progressista que é o PSDB. Por isso remeti a impugnação de alguns nomes que compõem o velho modo de pensar da política paranaense, que pretende fazer esquecer a população do vexame da votação do projeto de iniciativa popular contra a venda da Copel.
- JOSÉ PEDRO MOYSÉS, aposentado, Londrina
Esclarecimento
A foto da reportagem ''Londrina tem excesso de farmácias'', publicada ontem no Folha Cidades, é meramente ilustrativa. Ela foi usada para mostrar ao leitor que por falta de uma lei de zoneamento é permitido a abertura de farmácias uma ao lado da outra.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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