Contestando a contestação
Resposta à carta intitulada ‘‘Contestação’’, publicada dia 15, originária da chefe de Gabinete da Secretaria de Estado da Comunicação Social, Ruth Bolognese, Curitiba, na qual sou citado nominalmente: ‘‘Prezada senhora. Áulica. Esta palavra lhe cai bem. E vai ser áulica assim lá na tonga da milonga. Sempre tive, confesso, imensas dúvidas quanto à utilidade destas caríssimas e inutilíssimas repartições públicas, destinadas à propaganda oficial. É dinheiro dos nossos duros impostos e taxas, posto fora, gasto em filmetes de tevê, em campanhas de promoção para o ocupante do trono.
Sua carta, além de típica dos áulicos, faz uma afirmação extremamente séria, ao lançar suspeição sobre a minha carta. Suspeita é algo de integridade moral duvidosa, ou de má-fé, inconfiável, perigosa. A senhora o escreveu e lhe cabe, publicamente, materializar sua palavra, que logicamente envolve a Secretaria e, por extensão, o governador, aliás, em quem votei. Não guardo qualquer conexão política, pessoal, profissional ou similar, com o sr. Luiz Cláudio Romanelli, nem sequer com o sr. Roberto Requião. Aquele não conheço. Este, apenas de passagem. Talvez não lhe ocorra, comprometida com algum esquema político, que ainda haja pessoas independentes, de opinião honesta e não negociada. Os há, e muitas; talvez não nas cortes palacianas.
O desvio de nossos impostos, para montadoras de automóveis, é que é suspeito. Negar nossa agricultura e pecuária é ser inimigo de todos nós. Quanto à competência da equipe da Corte, me permito lembrar que toda regra tem exceção...
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, Londrina
Lei de Imprensa
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vem a público manifestar seu apoio aos avanços introduzidos no projeto da nova Lei de Imprensa, aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Entre estas inovações destacamos a garantia do sigilo da fonte, a substituição da pena de prisão, para jornalistas, pela prestação de serviços à comunidade - em sintonia com as tendências do moderno direito internacional - e proibição de qualquer forma de censura prévia, apontando assim para a revogação destes resquícios autoritários da Lei de Imprensa de 67, ainda em vigor. Constitui-se, também, numa importante conquista do projeto a agilização do direito de resposta, assegurando ao cidadão a sua rápida defesa, com mesmo espaço e destaque, diante de ofensas eventualmente veiculadas através dos meios de comunicação social.
- AMÉRICO ANTUNES, presidente da FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais, Brasília
Injustiça
Invoco, primeiro, um dos grandes heróis da minha vida profissional - o antropólogo Darcy Ribeiro, um dos maiores brasileiros no trato teórico da questão indígena. Ajudou-me a amar e respeitar, em especial, os índios. Sabia como ninguém relatar os fatos do cotidiano dos nativos e do indigenismo, aquilo que o dia-a-dia da atividade não nos permite fazer pelo consumo do tempo em busca de solução dos problemas que afetam estas minorias étnicas. Invoco porque vivemos um tempo sem ele, que sempre preocupado trazia à baila facetas ignotas da relação entre os índios ou destes com a sociedade nacional.
Neste momento sua presença não significa apenas mais um a somar forças contra decisão da juíza Sandra de Santis Mello, para quem o índio Pataxó Hã-hã-hãe foi vítima de crime de lesões corporais seguida de morte. Nada menos do que dois litros de álcool foram derramados no corpo de Gaudino pelos incendiários. O mesmo índio a quem muitas vezes recebi com outros da sua tribo, em busca de soluções para o problema das suas terras, das quais foram expulsos por fazendeiros e plantadores de cacau naquela região de solo fértil da Bahia, neste caso das reservas indígenas caramuru e paraguassu.
‘Sei que todos nós carregamos muito de índio na nossa cultura que nos guia e ilumina’, como diria o professor Darcy, e que haveremos de não permitir, através da nossa justiça, que prospere a capacidade artificial de alguns homens de amenizar tamanha deslealdade e crime contra o direito à vida, com aqueles que nos receberam nestas terras há 500 anos. Que diz a classe dos magistrados brasileiros? Ao agir brutalmente queimando o índio Gaudino, os infratores sabiam do risco que corriam, um crime qualificado. Se perdurar a decisão da juíza, esta pode ser encarada como ato de impunidade, significando um dos melhores fertilizantes como incentivo ao crime.
- EDÍVIO BATTISTELLI, assessor especial para assuntos indígenas na governadoria do Estado.
Radicalismo x PT
O que acontece com várias administrações petistas é a coisa mais terrível de se ver. O partido ganhou as eleições no Estado do Espírito Santo e, devido a divergências internas e ao radicalismo de alguns grupos, perdemos um companheiro de luta e de história, o companheiro governador Vitor Buaiz. O PT é um partido que nasceu das lutas e da resistência do povo trabalhador e, como partido político, tem sem dúvida um projeto político de poder para o povo. Isto é o que vários companheiros não enxergam, achando que o partido é para colocar em prática o sonho utópico da revolução pensada nos bancos da escola, totalmente fora da realidade vivida pelo nosso povo. Nós, que estamos no dia-a-dia nos defrontando com a realidade vivida pelo povo pobre do campo e da cidade, sentimos o drama diretamente na carne, e eu acho que, enquanto existirem companheiros que não tenham vivido esta dura realidade, não adianta sonharmos com a utopia da conquista do poder em mãos do povo trabalhador. O PT terá que, de uma vez por todas, no seu Encontro Nacional, dar um basta a este tipo de radicalismo atrasado.
- NELSON DIAS DA SILVA, vereador (PT) em São João do Triunfo, PR
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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