O LEITOR ESCREVE
Atentados
Atacar, aniquilar, destruir, não dar trégua nem quartel ao inimigo. Qual inimigo? Quem foram os responsáveis por tamanha barbárie? Pode ter sido um ato puramente especulativo, pode ter sido vingança, provocação ou simplesmente para ocasionar trauma geral, provando que ninguém está livre de ataques suicidas de organizações muito bem estruturadas e regiamente financiadas.
Para quem acredita na força poderosa da mente, pode acreditar também que o atentado possa ter vindo dos milhões de seres humanos atingidos pela famigerada globalização, dos famintos do Brasil, África, Ásia, ou de qualquer parte do planeta onde falta casa, comida, remédio e, principalmente, dignidade.
Combater todas essas necessidades custaria muito menos que uma escalada de violência, quando mais inocentes seriam sacrificados. No lugar de bombas e armamentos, os B-52 deveriam descarregar tratores e maquinários agrícolas no Afeganistão e outros países. Os B-1 levariam aparelhos completos de irrigação, aviões de caça lançariam torpedos para abrir canais de irrigação.
Ao invés de soldados armados, gostaria de observar a chegada de agrônomos, veterinários, técnicos em irrigação, médicos, sanitaristas, engenheiros para trabalhar e dignificar o nome da maior potência mundial. Essa deverá ser a maior de todas as batalhas, a Guerra Santa pela qual vale a pena lutar. É uma luta sem trégua e sem quartel, é a guerra do milênio.
Falar em paz sem praticar caridade, implorar clemência sem estar com o coração aberto, clamar por justiça sem pensar em distribuir corretamente toda a renda do planeta é o mesmo que pregar no deserto: não encontra eco. Ninguém está pregando a caridade pura e simplesmente, visto que tal prática leva sempre à submissão e ao ódio, estamos defendendo uma melhor distribuição de renda, viabilizada por um projeto técnico, claro, objetivo, duradouro, exaustivamente discutido e criteriosamente executado. Desse conjunto de ações, só poderá resultar reconhecimento e muito amor e, quem ama, não comete atos terroristas.
- ESMERALDINO FRANCO, professor, Santa Mariana
Problemas sociais
''Quando falo nos pobres, sou elogiado como cristão; no entanto, quando me refiro às causas que levam à miséria, sou tachado de comunista.'' As palavras do saudoso arcebispo D. Helder Câmara deixou muito clara a hipocrisia do ser humano, principalmente dos brasileiros. Todos nós, pessoa física ou empresária, comum ou sumidade, ficamos encolerizados perante a indigência de uma significativa parcela da população brasileira. Porém, a história muda, quando se refere às causas que levam a exclusão dessas pessoas.
Infelizmente, não existe uma magia para solucionar o problema da desigualdade social. Se alguém tem demasiadamente, outros ficarão sem ou terão o insuficiente para sobreviver. Aí é que está o problema. O rico jamais concorda em dividir suas posses; ao contrário, está sempre insaciado. Isso quando é lícita. Em muitos casos, grandes fortunas são conquistadas de maneira ilegítima, através de corrupção, contravenção, opressões, grilagens etc.
Iniciativas oficiais como o Bolsa-Escola, cestas básicas; Criança Esperança e outras não-governamentais, são fundamentais e louváveis, mas paliativas, de curta duração. A miséria é uma questão estrutural, política; portanto, somente através de ações políticas efetivas poderá ser erradicada, ou melhor, amenizada.
A presença do Estado é imprescindível para solucionar os problemas sociais. Um bom exemplo para a Grande Depressão de 1929, nos Estados Unidos, foi a implantação de amplo programa desenvolvimentista patrocinado pelo Estado, como obras públicas e reformas sociais.
É isso que falta ao Brasil. Políticas voltadas para o bem-estar da população. Infelizmente nossos governantes, até agora estiveram preocupados simplesmente com o exercício do poder ou favorecer determinados grupos, que financiam suas campanhas.
O modelo político-econômico em vigor, o neoliberalismo, opõe-se à presença do Estado na economia, deixando-a sob as regras do mercado, que é inescrupuloso e visa apenas ao lucro, contribuindo ainda mais para a desigualdade social. Não se combate a exclusão social com intenções ou demagogia, é preciso, acima de tudo, vontade política.
- SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, Londrina
Regime militar
Nos últimos 30 anos tivemos, na primeira metade, a ditadura ou regime militar. Muitos que hoje estão no poder eram exilados daquele período, inclusive o presidente Fernando Henrique Cardoso. O regime militar foi acusado de muitas coisas, mas o seu maior erro foi não ter banido o cidadão Fernando Henrique Cardoso para sempre, ao invés de tê-lo apenas exilado, pois o indigesto cidadão voltou para mergulhar o Brasil numa condição de subserviência aos interesses de grupos internacionais, fazendo do povo escravo desses artifícios econômicos piorando e muito a qualidade de vida do brasileiro.
O País se encontra numa recessão econômica perigosa, com o serviço público sucateado e os seus servidores na maior penúria, sem reajuste há mais de sete anos, enquanto a dívida pública salta de R$ 60 bilhões para R$ 750 bilhões, sendo que o patrimônio público foi quase todo privatizado e vendido. Se não bastasse tudo isso, ainda insiste novamente na taxação dos aposentados que já contribuíram a vida toda para esse benefício.
Como povo que sou, tenho saudade do regime militar. Os servidores tinham os salários reajustados com regularidade. A economia crescia satisfatoriamente. No setor energético foi construída a grande usina de Itaipu e dado início a muitas outras. O povo era feliz. O militar tem por formação o patriotismo e o nacionalismo. Esse amor à pátria o faz tratar com zelo a coisa pública.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Esclarecimento
Em carta publicada nesta seção no dia 29 de setembro, sob o título ''Velocidade'', expus minha revolta contra os motoristas que me tiranizam no trânsito, contra a lentidão do meu Fusquinha e, por analogia, sem pretensões, estendi minha palavra, em colocação latu sensu, aos professores em geral. Fiz isso depois de ler o livro ''Pedagogia do Oprimido'', de Paulo Freire.
Notificado fui, então, em 1º de outubro, pelo professor Nely Lopes Casali, coordenador do curso de Direito, para apontar quais os professores tiranos e, na contranotificação, aponto os motivos que não ultrapassam os de um modesto estudante. Diferentemente não poderia sê-lo.
Venho a público dizer que nada tenho contra professor algum. Muito pelo contrário. Tenho por todos os professores, em especial pelos da Unopar, um profundo respeito e afeto, pois venho de família humilde e, senão todos, ou quase todos, são professores.
Do exposto, faço um desagravo aos professores em geral, pois se algum deles ofendi, peço, humildemente, minhas sinceras deculpas. Nunca houve, como arcabouço de idéias, assaques pessoais. Frise-se ainda, que comungo do sofrimento desses operários do saber, e já contam anos que não repousa, sobre seus contracheques, reflexo algum que espelhe uma correção financeira séria. Substancial.
Isso posto, desejo saúde e paz aos professores. Aliás, paz, paz até pelos poros, como bem escreveu José Maria Eça de Queiroz.
- EDUARDO GODOY, universitário, Londrina
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