O LEITOR ESCREVE
Amigos?
Vi numa propaganda sobre os ''Amigos da Escola'', um homem que tem por profissão engenheiro civil dando aula de basquetebol para crianças de uma certa escola. É um trabalho voluntário muito bonito? Errado. Que preparo o voluntário pode ter para ministrar uma aula, de qualquer esporte que seja? Mesmo que ele já tenha sido atleta um dia, isso não o credencia para dar tais aulas.
É necessário conhecer a fisiologia da criança, suas fases de desenvolvimento motor, cognitivo, seus diferentes tipos de maturação, flexibilidade, níveis de coordenação. E estes são apenas alguns dentre muitos outros aspectos a se considerar. Então como pode uma campanha se autodenominar ''amigo'' se em longo prazo ela causará danos que podem vir a ser irremediáveis? Além do mais, não é do governo a responsabilidade de dar condições à criança e ao adolescente de se desenvolver, estudar, dar segurança.
É necessário ajudar, ter atitudes que venham a contribuir, mas também é importante avaliar as possíveis consequências que podem ser causadas. Você já pensou se amanhã forem lançadas campanhas de ''Amigos da Medicina'', ''Amigos da Construção Civil'', ''Amigos da Polícia Militar'' e você quando precisar ser operado ter como médico um policial, ou ter sua casa construída por um vendedor de carros? E ainda mais: sua segurança feita por engenheiros armados com revólveres e metralhadores, todos prestando serviços voluntários e sendo nossos ''amigos''? Se não pensou, está na hora de começar.
- DALAS DANTHON DOS SANTOS, professor e empresário, Londrina
Atentados
Antes do ''demônio americano'' acontecer nos EUA, o nosso demônio já estava se mostrando aqui para nós, metamorfoseado em ''apagão''. Um evento tão concreto e que mobilizou toda população é digno de ser referendado como um fenômeno psicomitológico. Ao se aplicar a hermenêutica a partir daí, pode-se perguntar a esse fenômeno como se ele estivesse ali deitado ao divã do analista, o que deseja, de onde veio e para onde vai.
Como todo demônio, como toda ''sombra'' sua manifestação em ''apagão'' é apenas um sintoma de um extenso e intenso trauma que veio se instalando há muito, muito tempo. Nossos intintos e perfil psicológicos foram primeiramente dissociados e posteriormente relegados ao inconsciente desse nosso desmemoriado povo brasileiro. O apagão significa o apagar das luzes da nossa consciência. Um alerta de que estamos no escuro e na inconsciência de nossas próprias potências e dinâmica de forças que podem ser resgatadas ao reconhecermos que somos índios e negros por excelência.
A miscigenação das raças aponta para uma pluralidade e vieses de perspectivas mil que só podem gerar riquezas e força, sem contar com imenso território geográfico e milhares de indivíduos que sabem rir de si mesmo, sambar, fazer tudo virar pizza, se encantar diante do novo e brincar concomitantemente com sua fúria para criar e descriar mesmo diante do inevitável, mesmo diante da miséria educacional circunscrita pelo banco da união que decretou, por escrito, que países em desenvolvimento devem ter uma educação de repetição daquele criado pelos desenvolvidos.
O brasileiro rejeitou esses instintos dionísicos em prol da importação do modelito ''pensamento'' característico da América do Norte que foi nos imposto com toda sas suas leis ''democráticas'' perfazendo um sistema que serve muito bem a eles e não a nós.
Talvez a tragédia dos EUA, reconhecido no íntimo de todos os países subjugados, possam ajudar a acordar aquele que não quer mais dormir em berço esplêndido para não mais sofrermos suas consequentes ações demoníacas e vivenciarmos sua pujança. De sujeitos e objetos passamos para sujeitos da nação.
- SONIA LUNARDON VAZ, psicoanalista, Londrina
Universidade (1)
Sou contra a doação do terreno pertencente ao Jockey Club à PUC. Ao tempo em que se lê diariamente sobre os desvios ocorridos na prefeitura e o imenso ônus a ser suportado pela população, descobre-se que nem tudo está perdido. Não se sabe se é antiga promessa, feita ainda nos tempos de seminarista, se é alguma dívida pessoal, mas o prefeito do PT quer doar um terreno de milhões de reais à PUC, é algo inimaginável.
Primeiro, a PUC não precisa de esmolas, pois se trata de uma universidade riquíssima. Desconhece-se um aluno sequer que tenha bolsa de estudo. Suas mensalidades são muito caras, e não é qualquer um que consegue terminar o curso que começou. Haja dinheiro para se estudar na PUC.
Segundo, tome-se como exemplo as montadoras trazidas pelo íntegro governador. Onde estão os milhares empregos gerados? Cadê os milhões em arrecadação de impostos? Ora, ninguém vende uma mina de ouro, como também não se compra gatos em sacos. Então, governo, poupe-nos, a nós londrinenses de mais essa dívida porque fazer caridade com o chapéu alheio não garante um lugar no céu. Nada contra a família Arns, dona da PUC/PR.
Sou católico praticante mas entendo que há outras maneiras de se fazer penitência. Se o pecado é seu, de nada adianta eu fazer promessa, para salvar sua alma. Ademais, até hoje ninguém deu valor ao que recebeu graciosamente. Em vez de agradar quem não precisa, que tal devolver o dinheiro dos telefones aos íncolas?
- TADEU ARILSON STULZER, advogado, Londrina
Universidade (2)
A vinda da PUC para Londrina não é um mar de rosas como fazem querer que nós acreditemos. A falta de dinheiro já serviu de justificativa para a (tentativa de) venda da Sercomtel Celular, para cortes de recursos nas escolas municipais e, mais recentemente, para esfriar a discussão sobre a implantação da Defensoria Pública em nosso município.
Todavia, a situação se reverte num passe de mágica, e já se cogita da hipótese de se comprar um terreno e dar de presente para uma instituição que tem recursos próprios. Unifil e PUC disputam a tapas o direito a um terreno que não deveria ser nem comprado. A Lei de Responsabilidade Fiscal, que servira de muleta política para suplantar benefícios em nossa cidade agora é esquecida. Sejamos francos: a PUC virá para Londrina se quiser. Não é dever da administração pública oferecer subsídios para instituições privadas.
Os problemas de se trazer mais uma instituição privada para nossa cidade incidem, a médio prazo, no agravamento do movimento conhecido como ''emigração de cérebros'' (saída de professores da instituição pública para as instituições privadas) de que padece a Universidade Estadual de Londrina, e, a longo prazo, pode culminar na privatização, propriamente dita, da UEL, vilipendiando o artigo 207 da Constituição.
Não vamos pôr em pauta a colaboração expressa da Igreja Católica à candidatura de Nedson. Nem tampouco vamos satanizar as instituições provadas, condenando-as pelo processo de sucateamento da UEL. Mas o fato é que a educação não segue a lógica de mercado - a concorrência traz prejuízos sociais inestimáveis. O que deve ser feito pela prefeitura na disputa pelo terreno do Jockey Clube entre Unifil e PUC é mais ou menos como o julgamento de Salomão: não se concede nada a ninguém. E quem quiser comprar o terreno, que, com todo o respeito, se vire!
- ULISSES TASQUETI, estudante, Londrina
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