Fanatismo
O mundo está mais uma vez às voltas com um embate bélico no Oriente Médio, e apreensivo com o desenrolar dos acontecimentos iniciados pelo covarde ataque terrorista aos EUA, ocasionado pelo ódio, extremismo e fanatismo religioso. A nossa geração, que iniciou o século XXI, tem a obrigação de advertir, vigiar e pôr um freio a todo e qualquer ato ou doutrina que institui, aconselha ou ensina fundamentos religiosos os quais insuflam condições exageradas, impõem regras absurdas, normas injustificáveis e adesões cegas, preconizando soluções extremas e retaliadoras a quem não se manter em excessivo e desmedido zelo religioso.
Fanatismo esse que se estende de alguns a toda uma comunidade, estabelece o seu ''dogma'', impõe às pessoas incondicionalmente sua filosofia e o seu modo de ser, pensar e agir, como sendo o correto, mas se isenta da responsabilidade de que sua ''doutrina'' se torna prejudicial, no momento em que induz as pessoas a incorporá-las em suas vidas de forma exagerada e incondicional, através de uma eficiente ''lavagem cerebral''.
O fanatismo de grupos evangélicos, católicos, islâmicos, judaicos, espíritas, budistas e ateístas, dentre tantas religiões ou seitas, é o resultado dos discursos demagógicos dos ''fazedores de opinião'' que ''incucam'' na mente de seus rebanhos e enchem as igrejas, templos e mesquitas com preconceitos umas das outras, desrespeito mútuo e ''egoísmos teológicos'', que são refletidos diretamente na vida de todos nós.
Reflexos esses que, estando fundamentados nos dogmas religiosos ou em nome da fé, passam a ser justificáveis motivando atos extremados e inconsequentes como o ''terrorismo nos EUA'' por exemplo, ou também pensamentos e estilos de vida antagônicos à realidade em que a ''religião permite ou não permite isso ou aquilo'', da mesma forma em que se permite os espancamentos para a libertação dos endemoniados.
Temos que ser vigilantes, atentos a esses fundamentalismos extremados, para que nesses tempos turbulentos, o fanatismo religioso não se torne uma justificativa para a proliferação do mau, da intolerância, da sujeição, do sofrimento, do preconceito e da guerra.
- ALEXANDRE SERRANO LUPI, desenhista industrial, Londrina
Atentados
Acho que o terrorismo é injustificável sob qualquer forma. Mas metade dos exércitos do mundo foram treinados (e equipados) pelos Estados Unidos. Não é a primeira vez que eles enfrentam os monstros que criaram. Enquanto o governo americano não perceber como está promovendo a máquina de guerra mundial, com suas inovadoras tecnologias de morte, esse tipo de incidente acontecerá.
- RENATO ALMEIDA, Curitiba
Opinião
É de se lamentar a coluna semanal da professora Maria Lucia Victor Barbosa. Sua estranha obsessão em agredir a esquerda, especialmente o PT, indicativo de algum problema de ordem psíquica (talvez um recalque do passado), não deixa de representar um desperdício diante do potencial intelectual que seus títulos sugerem possuir.
Todavia, o artigo do dia 29 de setembro ultrapassou os limites ao abraçar, implicitamente, a tese de que Islã e terror seriam sinônimos e, numa clara tentativa de associar a imagem do ''terrorismo islâmico'' aos movimentos sociais e políticos brasileiros que lhe causam urticária, afirmar que ambos ''ainda não saíram da Idade Média''. Deu-se o direito até de fazer um gracejo, no final, associando a sigla PT à famosa milícia islâmica do Afeganistão. Difundir a teoria do ressentimento para explicar os atentados é direito da articulista, até porque ressentimento é a marca registrada de seus escritos.
Ademais, a tribuna é livre, cabendo a cada leitor formar sua própria opinião. Já agredir a fé de milhões de pessoas pacíficas que absolutamente nada têm a ver com o terrorismo, imputando-lhes a pecha de fanáticos medievais, parece-me além do que permite o exercício da livre expressão. Creio que o terrorismo pode ser combatido sem que preconceitos religiosos sejam estimulados.
Nesse aspecto, em nada contribui o texto, já que apenas reforça o estereótipo de um Islã fanático, atrasado e terrorista. Ora, em toda a história da humanidade, as duas bombas atômicas que o homem teve a coragem de jogar contra seu semelhante eram ocidentais, brancas e cristãs. E não foi na Idade Média que isso aconteceu.
- TÉRCIO TOKANO, Rolândia
Resposta de Maria Lucia
Se o senhor Tokano lamenta minha coluna, também lamento que não possa trocar comigo idéias e discutir civilizadamente os temas e as teses por mim apresentados, como se faz numa sociedade democrática. Lamento também que o senhor apenas parta para ataques pessoais e bastante preconceituosos. Não creio que seja médico psicanalista ou psicólogo. Se o fosse, não detectaria em mim nenhum vestígio de ordem psíquica, obssessão ou recalque, como disse em tom de patrulhamento, pois há de convir que quem escreve como eu (mesmo que não concorde com minhas idéias) está em ótimo estado de saúde mental.
Logo, só posso constatar na sua atitude um traço acentuadamente stalinista. Não sei se sabe, mas Stalin ou matava ou enviava para o hospício os que não aceitavam o sistema comunista. Quanto à referência ao islamismo ''estar ainda mergulhado na Idade Média'', eu o aconselharia a reler meu artigo, pois tão-somente citei o historiador Paul Johnson em entrevista à ''Veja''.
Sobre a ''teoria do ressentimento'', que o senhor também não assimilou bem, convenhamos, é genial, é de Nietzche, e eu apenas a interpretei. Asseguro-lhe também que em Johnson e em Nietzche, nem Stalin poderia diagnosticar problemas de ordem psíquica, recalques ou coisa que o valha. Outrossim, parece que emocionalmente afetado, o senhor não leu direito o que escrevi. O que disse e reafirmo é que os terroristas que cometeram o ato brutal de 11 de setembro, eram fanáticos psicóticos. Ou o senhor é a favor do terrorismo? E não queira distorcer minhas citações com relação ao islamismo, onde aparece a indicação de antiamericanismo e não terrorismo, que são coisas diferentes.
Correção
- A reportagem ''Filhas de escravos vivem guerra racial'', publicada na edição de ontem, contém erros; 1 alqueire é o equivalente a 24,2 mil metros quadrados e não como foi informado. Outra imperfeição está no box ''Ocupação irregular caracteriza município''. O verbo xingar está grafado de forma incorreta. Na mesma página, no destaque ''Multa por radar no primeiro flagrante'' houve erro de digitação. O correto é: ''Desde 1999, Curitiba só notificava o infrator a partir do terceiro aviso''. A Folha pede desculpa aos leitores.
- A correção publicada na edição de ontem reprisa erro contido em notícia publicada no domingo, no Folha2, sobre o Cine Inajá de Ponta Grossa. Ao contrário do que foi publicado, as salas de cinema do Shopping Total deverão ser inauguradas na segunda quinzena de novembro, e não em agosto de 2002. Portanto, a cidade deve ficar cerca de um mês e meio sem cinema, e não mais de um ano, como dito na primeira página da Folha de anteontem.
- Cálculo feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômico (Dieese) indica que as montadoras Renault e Volkswagen/Audi deveriam pagar, cada uma, cerca de R$ 70 milhões em ICMS por ano ao governo do Paraná e não ao mês como se informou domingo em Folha Economia. A informação correta foi divulgada na edição de sábado e o Dieese forneceu os números corretos. O jornal lamenta o equívoco.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup