O LEITOR ESCREVE
Povos
As recentes declarações do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e do historiador inglês Paul Johnson, respectivamente, de que o ''Ocidente é superior ao mundo árabe'' e que ''toda a religião do Islã é fundamentalista'', podem ser o prenúncio do que está por vir no cenário internacional: a possibilidade de um cisma entre cultura ocidental e o mundo muçulmano.
Por enquanto, as costuras diplomáticas levam a crer num amplo apoio árabe no cenário internacional. Todavia, Irã, Iraque e Paquistão estão visivelmente com má vontade em relação aos arranjos na região. São lideranças poderosas e de muita autoridade moral-religiosa. Quando a gritaria árabe se fizer presente maciçamente - após as primeiras investidas militares - com a adesão majoritária das populações do mundo islâmico, os respectivos governos deverão rever o apoio que ora oferecem aos Estados Unidos.
Pode-se perceber que a dificuldade de convivência - para além dos ritos cotidianos e banais de uma convivência prosaica - entre a cultura judaico-cristã e o Islã deverá aumentar significativamente. Em nossos países ocidentais, começa-se a sentir uma espécie de mal-estar, uma certa sensação de inadequação por parte da comunidade árabe-descendente. Contudo, muitos deles já são cristãos convertidos, razão pela qual será amenizado o desconforto subjetivo, do conflito vivido.
O recente fracasso da conferência sobre racismo em Durban confirma não tanto a dificuldade de entendimento entre as diferentes raças, propriamente ditas, mas a dificuldade de aceitação da cultura do outro; ali, o que se viu foi a incapacidade de se falar o ''idioma'' da globalização, cristalizado na supremacia ideológica judaico-cristã, israel-norte-americana. Fazer a mundialização do capital parece ter sido tarefa fácil se comparada à tarefa de globalizar uma visão de mundo, uma ideologia, uma crença religiosa.
Berlusconi pode ter sido sincero, mas foi inábil diplomaticamente. A provocação enseja a xenofobia, a intolerância e dificulta a convivência pacífica entre os povos. Foi quase uma palavra de ordem fascista.
- JOÃO LUIZ NEVES, jornalista, Curitiba
Setembro negro
Sempre que observamos grandes historiadores e também outros especialistas em premonições e previsões, verificamos que setembro é considerado um mês negro. Um exemplo foram as geadas dos anos 50 e 70, que culminaram com a perda de grandes cafezais, mudando sobremaneira a economia brasileira.
Nesse ano, setembro foi por deveras rigoroso. Os acontecimentos com a economia argentina, ressentindo-se a cada passo das instabilidades impostas pelas medidas econômicas; o setor político no Brasil, que sofreu denúncias e difamações; e por último a renúncia do presidente do Senado e a entrada malsucedida do atual presidente já na primeira sessão.
Acrescenta-se ainda o episódio do dia 11 nos Estados Unidos, que foi por demais tenebroso, que deixou o mundo perplexo e a grande potência sentindo que está à mercê das economias emergentes. De negativo, a atitude terrorista, a morte de inocentes e o prejuízo material e psicológico que o mundo sofreu. De positivo, a reflexão que deve se fazer a grande potência mundial quando tomar atitudes de forma impensada.
Se de um lado estamos reclamando do acontecido, imaginemos se comunicássemos aos nossos falecidos avós ou bisavós, que hoje se encontram reunidos em uma mesma mesa, de forma inseparável, russos, árabes, americanos, ingleses, franceses e alemães. Quem acreditaria? É o mundo observando que a paz é o melhor caminho em detrimento dos loucos de plantão.
Até o Papa João Paulo II acha que os terroristas não devem ficar impunes. Setembro está indo embora e, com ele, toda a esperança de dias melhores para fortalecerem o futuro enfraquecido de uma globalização perversa, que expôs as deficiências de quem não estava preparado para as mudanças.
Temos que interpretar o ditado que diz que Deus escreve certo por linhas tortas. Na realidade, Deus escreve certo por linhas retas, mas o homem as conduz de forma irregular.
- PAULO AFONSO RODRIGUES, contabilista, Londrina
Prêmio
Com satisfação tivemos conhecimento da concessão do ''Prêmio Integridade 2001'' ao Ministério Público do Paraná (de Londrina) e também ao Movimento pela Moralização na Administração Pública.
Trata-se seguramente, de justa homenagem a esses corajosos promotores Solange Novaes Vicentin, Bruno Galatti e Cláudio Esteves que, diante das fartas provas coligidas, adotaram as medidas legais prontamente, buscando a restauração da moralidade, já muito abalada pelos vastos desvios verificados no chamado escândalo AMA/Comurb.
De valor também a atuação do Movimento pela Moralização na Administração Pública, representando pelo empresário Walter Orsi, que conscientizou a grande massa sobre os desvios que ocorriam na administração pública com os recursos do povo.
O Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional (GPDR) parabeniza o Ministério Público e também o Movimento pela Moralização na Administração Pública pelo justíssimo prêmio que estão recebendo, que é na verdade alento aos cidadãos de bem desta Nação.
- PAULO MAGALHÃES NOLASCO, diretor jurídico, Londrina
Copel
Como paranaense, gostaria de deixar aqui um protesto exigindo mais respeito com o povo do Paraná. Não sou contra privatizações, mas sim como elas são feitas neste governo. Não medem esforços, não ouvem, não pedem permissão e não respeitam ninguém para fazê-las. Nestes últimos dias tenho visto uma propaganda na TV, onde o governo tenta mostrar membros da oposição contra a privatização da Copel como vagabundos, desordeiros e fanáticos. Eu sou um dos que não aprovam esta privatização, e me sinto ofendido e agredido por esta maneira como o governo age.
Pago impostos, gero empregos e cumpro com as minhas obrigações. Tenho vergonha que o nosso governo estadual seja tão arrogante, ao ponto de se achar no direito de ofender aqueles (povo) aos quais ele deveria servir e respeitar. Sou livre e tenho deveres, mas também tenho direito de ter a minha própria opinião sobre como o governo age, e nem por isso saio ofedendo ou agredindo as pessoas. Como eu, acredito que haja milhões que têm este mesmo direito.
Hoje não tenho mais vontade de ligar a TV, e quando ligo e vejo que vai passar aquela propaganda, mudo de canal ou desligo o aparelho. Gostaria que minha cidadania não ficasse restrita somente ao título de eleitor, e sim nos meus direitos constitucionais, que todo governo deveria conhecer e respeitar.
Respeitar direitos do povo não é favor, e sim uma obrigação por parte de quem humildemente deveria exercer o simples ato de administrar, e utilizar o dinheiro público em algo mais construtivo para o Estado. Se estou certo ou errado, com certeza o tempo irá responder. Por isso, nada justifica uma ação tão irresponsável por parte deste governo, no qual acreditava que havia pessoas com bom nível de educação e habilidade para exercer a função tão importante de administrar o Estado. E não perdendo tempo e gastando dinheiro público, para ofender e difamar os que são contrários a suas decisões. Se quiserem fazer isto, façam usando a sua imagem de cidadão, como eu estou fazendo, e com o seu próprio dinheiro.
- NEWTON HORIUCHI, comerciante, Londrina
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





