O LEITOR ESCREVE
Mudanças
O editorial da Folha, ''Mudanças para melhor'', publicado anteontem, caminha - felizmente - na contramão da maioria da imprensa verde-amarela. Sem dúvida que vivemos um momento de angústia e expectativa, com os riscos de uma guerra sem precedentes e cujas consequências podem ser inimagináveis. No entanto, isso não justifica o estado de terrorismo e temor que se apregoa. O momento deveria ser o ''de rever políticas, não apenas dos Estados Unidos mas de todas as nações'', no entanto o que vemos é uma prática que nada muda dos tempos da guerra fria. Ao invés de comunismo conjuga-se islamismo; aos invés de Rússia é Afeganistão. Mas os métodos são, sim, tão cruéis quanto no passado. No entanto, precisamos sim ''depositar toda confiança (...) afinal, não há nada que a inteligência humana não possa reconstruir''. Parabéns à Folha pela dose de otimismo num mundo tão cruel e violento.
- RENÉ RUSCHEL, Curitiba
Atentados (1)
De tudo que se tem falado, comentado e escrito sobre os atentados terroristas cometidos nos Estados Unidos, uma coisa está bem clara: o fanatismo está presente em tudo. Fanatismo, principalmente, dos mentores e executores dos atentados cruéis e impiedosos. Pelo que se ouve e vê, esses fanáticos não vão parar por aí e todo cuidado com a segurança no mundo se faz absolutamente necessária.
Agora, corre-se um outro risco: a sede de vingança de parte dos americanos, que também estão se tornando fanáticos, insuflados pelos dirigentes daquele país, principalmente pelo presidente Bush.
A mídia do mundo todo se encarrega de potencializar o ódio contra os muçulmanos, mas na realidade até agora não há provas de quem realmente são os culpados pelos terríveis atentados, já que os executores morreram. O que sei com certeza, é que o fanatismo é irracional e odioso.
Para não sair do Brasil, basta lembrar as perseguições contra alemães, italianos e japoneses durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Ainda menino, sofri algumas vezes essa perseguição, principalmente na escola, por parte de ''colegas'' insuflados pela propaganda antinazista capitaneada pelos Estados Unidos. Bastava ser loiro e falar alemão para ser considerado ''quinta-coluna''. O ódio gerado pelo fanatismo é terrível e atinge tanto culpados como inocentes.
Voltaire classificou bem o fanatismo num de seus pensamentos: ''O fanatismo é mais perigoso que o ateísmo e mil vezes mais prejudicial, pois esse não inspira paixões sanguinárias, enquanto aquele pode levar à prática de crimes''. Os interesses em jogo são enormes e há sempre os que querem tirar partido da situação a qualquer custo. Colocar cada coisa no seu devido lugar é mais do que importante nesse momento. Será que a razão prevalecerá num cenário tão propício para o recrudescimento do fanatismo?
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Atentados (2)
Segundo informações que nos chegam dos EUA, existe uma crescente revolta por parte da população americana em relação ao apoio dado a Israel pelo governo. O apoio incondicional dado ao governo israelense e a intransigência do mesmo em aceitar o estado palestino e as atrocidades cometidas contra civis provocou a ira dos Estados árabes é o principal responsável pela revolta dos fundamentalistas que apóiam todo o tipo de ação, inclusive o terror.
O povo americano sente que ele é que está pagando por isso. A imagem de Israel e de seus governantes está abalada perante a opinião pública e o apoio oficial do governo vem torcendo o nariz dos americanos. Sente-se que se a política externa do governo americano em relação à Israel não mudar, o governo irá enfrentar uma desaprovação ainda maior, dentro de seu próprio território.
- RODRIGO HOEFLE, Londrina
Patrimônio
Londrina foi reconstruída três vezes em 60 anos: cidade de madeira, cidade de tijolo e cidade de concreto. Se considerarmos a arquitetura um ato de otimismo, preservar os fragmentos dos vários momentos da cidade, é preservar o otimismo. Sob esse aspecto, a decisão de criação de um Programa Municipal de Preservação do Patrimônio, incluídos aí edificações notáveis, conjuntos arquitetônicos, espaços públicos, paisagens, documentos e técnicas, constitui uma das grandes conquistas da 1ª Conferência de Cultura da Cidade de Londrina.
Diz-se que patrimônio não é o que existe e sim o que você vê que existe. Aprender a olhar a cidade, resgatar valores, ensinar a olhar é preciso. Cidade não é só sistema viário. É preciso sensibilidade para que em bairros históricos, ao mesmo tempo em que se promove a segurança e disciplinamento do transito, não se destrua o espaço suporte à convivialidade, o ritmo do tempo. Vida à Casoni.
- HUMBERTO YAMAKI, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Londrina
Primeiro Mundo
Acho inaceitável a colocação de ''Estado de Primeiro Mundo'', por um coronel da PM, para justificar a compra ou aluguel de helicópteros (para uso no Paraná). Há prioridades mais evidentes. Os soldados recebem em nível de Terceiro ou Quarto Mundo, enquanto há um papo persistente e antigo de que os oficiais da PM de altos escalões ganham de acordo com a realidade de Primeiro Mundo. Seria bom os contribuintes saberem os ganhos claramente, com direitos, vantagens e comissões, antes de se falar em ''Primeiro Mundo''.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Velocidade
Dirijo-me todas as noites, rumo à Unopar, pela Avenida Madre Leônita Milito. O meu ''possante'', um Fusquinha 1962, quase presente do meu irmão, o professor Godoy, por quem nutro profundo respeito, consideração e carinho, tem suas limitações e, uma delas, é a sua velocidade, que, naquela subida, aponta o seu velocímetro os cinquentões quilômetros por hora.
Nada obstante as placas, poste sim poste não, que orientam velocidade máxima de 50 km/h, motoristas há que buzinam, xingam, mostram o dedo médio em sinal conhecido por todos, dão luz alta e costuram outros veículos, com velocidades que calculo entre 90 e 100 km/h.
Afora ter de me submeter à tirania dos professores ''doutos educadores sobre o manto do conhecimento, aliás tanto conhecimento que às vezes nem os alunos e nem mesmo eles se entendem'', tenho que me submeter à tirania dos Audis, dos Passats, dos Golfs e de Santanas outros que, dia qualquer destes, conhecerão a fúria do meu fusquinha.
Bem me lembra, o quadro acima, a figura do Senhor Ayrton, personagem de Monteiro Lobato no livro ''Mr. Slang e o Brasil''.
- EDUARDO GODOY, universitário, Londrina
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