Copel
Jaime Lerner volta mais uma vez à TV, agora justificando a venda da Copel. O que aborrece é o atestado de otário que o governo tenta dar à população neste comercial. O governador compara a privatização da Copel com a privatização telefônica. Fala da concorrência e dos preços mais baixos. Ele só não fala das pessoas que perderam direito às ações das linhas telefônicas adquiridas, nem das contas que antes da privatização uma pessoa poderia gastar R$ 5 por mês e hoje para se ter um telefone comercial gasta-se R$ 36 no mínimo. Considerando uma inflação de 5% ao ano, num período de cinco anos, totalizando 25%, teve-se um aumento telefônico extratosférico na casa de 620%. Uma comparação extremamente infeliz do governador.
Ele também afirma nesta propaganda que os empregos, os rios e as usinas hidrelétricas continuarão no Paraná. Ainda bem, porque se tivesse jeito, nosso governador venderia os nossos rios para os árabes, as usinas hidrelétricas para os franceses e aumentaria a fila do desemprego. Obviamente, nessa propaganda paga por nós cidadãos paranaenses, o governador não menciona a transferência de R$ 500 milhões dos valores obtidos da venda da Copel para o Banco Itaú. Se com esse pronunciamento nosso governador tentou transformar a imagem da venda da Copel, em negócio aceitável, o tiro mais uma vez saiu pela culatra.
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
Besteirol do FHC
As ''cassandras'', os ''neobobos'', os ''fracassomaníacos'' e os ''despreparados'', ao contrário do que disse FHC (''crise só assusta os despreparados'') estão sabendo há muito tempo onde vai desembocar a política econômica neoliberal da ''competente'' equipe econômica de plantão. Que compete, compete, e a cada minuto que passa põe o País de joelhos frente ao FMI, afundando-o numa dívida impagável. Não é preciso ser economista para se saber o que vem pela frente. Também não é preciso ter bola de cristal. Basta dar uma olhada no nosso passado não muito distante.
Os brasileiros já passaram horrores nas mãos de outros economistas ''competentes'' (Roberto Campos, Simonsen, Delfim Neto), que fabricaram o ''milagre brasileiro'', prometeram que quando o bolo crescesse eles o repartiriam e outras bruxarias mais, que nunca se concretizaram. Não se enganem os brasileiros, pois os bruxos que aí estão no comando da economia são da mesma escola liberal ou neoliberal, e deles não se pode esperar senão magias e poções. E, quem sabe, mais dívidas.
O Fraga foi pego em flagrante delito, pois para um presidente do Banco Central tão competente e que até alguns dias atrás dizia ter controle da situação, ser surpreendido com a queda do PIB, maior que a esperada, é imperdoável. Nós, brasileiros, ficaremos muito gratos a FHC e aos seus bruxos se não mais abrirem as bocas para falar asneiras. Consultem suas bolas de cristal, mas guardem suas previsões no fundo baú, ou as enviem para o Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá). Que saudades do Stanislaw!
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Atentados
Este é um momento muito especial para as decisões empresariais. Uma característica do comportamento econômico, é esta entidade chamada ''mercado'', que não tem uma cabeça, não está em lugar definido. Ele habita as mentes e age por sentimentos difusos. Osama bin Laden, o principal suspeito dos ataques nos EUA, lançou um repto que atinge cada pequeno agente econômico. Todos estão aguardando que o conjunto de outros como ele mude de posição. Se todos ficassem aguardando indefinidamente, jamais sairíamos de qualquer recessão.
Empresas que evitam desmontar seus quadros são as que, a longo prazo, tornam-se as líderes. Isto ocorre porque o comportamento, de carneiros temerosos, faz com que os diretores das perdedoras sejam aqueles que se desfazem dos seus melhores quadros, descumpram seus tratos com os parceiros, quebrem a corrente de credibilidade.
A conduta dos campeões é diferente. Nenhum momento mais adequado do que este, para uma empresa saudável, para aproveitar a queda de movimento e se estruturar mais profundamente. Diagnosticar problemas, resolver ineficiências, aprofundar relacionamentos com os parceiros, reduzindo custos através de negociações voltadas para a eficácia. Como em qualquer negócio, andar junto com a maioria, evitar as iniciativas, ''para ver como é que vai ficar'', é o caminho certo da mediocridade.
- PETRUCIO CHALEGRE, empresário, Porto Alegre
Cigarros
No dia 13 de agosto, completei um ano de abstinência nicotínica. Um processo iniciado há uns sete anos, quando diminui o consumo de 20 cigarros diários, para apenas dois. Tomei a decisão porque comecei a perceber os efeitos negativos da nicotina, debilitando a circulação, principalmente na palma da mão, que começava a se mostrar arroxeada. Já tinha, também, um formigamento em toda extensão esquerda do corpo. Achei que os meus dias já estavam contados. Comecei até a rezar. Hoje canso menos no meu dia-a-dia, embora a recuperação do sistema circulatório esteja lenta. Mas, acredito que dentro de um ritmo normal, considerando-se que o organismo sofreu vários anos de agressão.
Entretanto, o importante é o fato de eu ter conseguido vencer, sem maiores traumas psico-somáticas. Este é o ponto fundamental. Isso porque existem pessoas que, deixando de fumar, caem em estado de extrema depressão, ficando com preguiça de trabalhar, de estudar, de ler ou de exercer qualquer outra atividade, ainda que esforço mínimo. Alguns ficando chorando, curtindo a sensação de loucura; outros podem até chegar ao suicídio. Um conhecido que estava também em fase de abstinência tentou se matar, saltando de um prédio de 12 andares. Mas teve sorte. Não morreu. Ele só tinha caído da cama.
Há que se esclarecer que foi um tanto longo o período de restrição porque o plano inicial era apenas de diminuir a dose da nicotina, sem a exigência de deixar o cigarro em definitivo. Esse artifício foi adotado para que o espírito pudesse confundir o cérebro, transmitindo a idéia de que se tratava apenas de redução temporária, não de renúncia total. Assim, o cérebro, que é o elemento principal do vício, foi gradativamente se acostumando com a nova situação. Quanto à redução do período restritivo, naturalmente depende do poder de vontade de cada um.
Acrescente-se também que, para não sofrer os sintomas da carência, ao invés de buscar a terapia de substituição, como chicletes, balas etc., eu experimentei as vitaminas do Complexo B, tomando cinco gotas diariamente, tendo em conta que esse tipo de medicamento contém a nicotinamida. Ela é uma substância com possibilidade de substituir, de alguma forma, a nicotina ao nível das células nervosas, unidades do sistema nervoso que, no estado de dependência, mais se ressentem da falta de nicotina, originando aqueles distúrbios emocionais.
- ANTONIO TUNOUTI, farmacêutico, Londrina
Correção - Na notícia sobre cooperativas, publicada na página 4 de Folha Cidades de ontem, os números referentes a trabalhadores mortos (3.094) e que ficaram inválidos (15 mil) em acidentes de trabalho em 2000 são nacionais e não do Paraná, como ficou indevidamente subentendido. Os números também se referem a todos os ramos de cooperativas e não apenas agropecuárias.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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