O LEITOR ESCREVE
Atentado (1)
Com toda certeza, se o ataque dos terroristas aos EUA não tivesse atingido tamanhas proporções a ponto de constranger todas as nações da terra, à exceção de algumas castas de idiotas, o seu mentor Osama bin Laden estaria sendo coroado com flores e honrarias por 90% dos povos do Oriente Médio. Estaria dando milhares de entrevistas. Mas o tiro saiu pela culatra. A coisa foi muito grande e desumana, sórdida, suja. E o mundo todo encolheu e tremeu quando Bush, leão ferido, veio diante das câmeras e disse que varreria da face da terra os assassinos, fossem quantos fossem e estivessem onde estivessem.
Ao pressentirem sobre si as consequências da espada da lei, muitos líderes de hordas assassinas em todo o mundo, tornaram-se, de repente, solidários ao povo americano. Os próprios mentores do sinistro evento se apavoraram com a repercussão de seus atos e agora proclamam ao mundo uma falsa inocência na tentativa de salvarem a pele.
Muito embora jamais cogitei em morar naquele país, gosto da nação americana. Foi difícil conter as lágrimas diante de dantesco espetáculo. Olhando a expressão de espanto, dor e ódio no rosto do presidente americano, não dá para não se solidarizar com ele e seu povo. Não foi só os EUA que foram vilipendiados, foram todos os países democráticos do mundo que foram achincalhados, aviltados, tolhidos na sua honra. Mas a dor maior é a do povo norte-americano, que só será aliviada após o acerto de contas que com certeza virá. A mais poderosa nação da terra não pode cruzar os braços e deixar que uns poucos assassinos atirem impunemente à lama, a honra de todo um povo.
Mesmo que fosse a menor nação em poderio, a soberania do seu povo e de seu território tem que ser respeitada. Quem somos nós para dizer o que o presidente dos EUA deva ou não fazer? A sua dor possivelmente é uma dor cheia de vergonha e rancor. Uma dor de orgulho ferido que só se aplacará quando tiver a honra lavada. Que Deus esteja com George W. Bush e o povo americano, como esteve com Josué e o povo hebreu nas guerras além do Jordão.
- ROBERTO AFONSO PINTO, Londrina
Atentados (2)
E por eles, você já chorou? Um ataque simultâneo, covarde e altamente planejado, colocou medo na maior potência mundial. Os americanos, pela primeira vez na história, estão abalados psicologicamente. Com a morte de milhares de civis, o governo dos EUA procura de todas as formas um culpado. Mas quem? Que país ou um grupo terrorista poderia assassinar milhares americanos inocentes, acabar com o maior símbolo econômico e destruir o ícone da segurança mundial? Talvez poderia ser o Iraque. Ou o Paquistão, ou a Palestina, ou ainda o Líbano. Será o Vietnã? Não, eles não. Pensei na Sérvia, poderia até ser o Japão. Mas e a África? Não, não. Lá na África eles morrem aos milhares de fome. E Cuba, dos 40 anos de embargo econômico? Talvez.
Inimigos eles têm e tiveram em toda a sua história. A milícia fundamentalista islâmica Taleban, que controla o Afeganistão, disse que não vai entregar o saudita Osama bin Laden enquanto os EUA não apresentarem provas concretas de que foi ele o responsável pelos atos. Mesmo não tendo provas de quem é o seu inimigo, os americanos estão prontos para uma ''guerra que o mundo nunca viu''. Mas o que, onde e quem vão atacar? O Afeganistão, já totalmente destruído? Milhares de inocentes morreram.
O mundo inteiro chora. Foram minutos de silêncio, lágrimas, missas, velas. Mas nós já choramos, fizemos 1 minuto de silêncio ou rezamos pelos milhões de africanos que morrem de fome devido a um embargo econômico? Pelos vietnamitas? Pelas mortes de paquistaneses e palestinos, entre elas crianças? Por um país que vive há 40 anos sofrendo embargo econômico? Não. Os EUA, hoje, são vítima. São vítima do que eles criaram. Condeno qualquer ato de violência, mas os americanos foram, em grande parte, responsáveis pelos ataques.
- DANILO VERPA, universitário, Londrina
Atentados (3)
Quase 60 anos depois, os americanos conseguiram descobrir o real significado do ''vômito'' causado pelo Enola Gay, em Nagasaki e Hiroshima, onde milhares de civis também foram mortos de forma covarde. Nunca um dito popular conseguiu expressar com tanta nitidez e realidade uma determinada situação: ''Pimenta nos olhos dos outros é refresco''.
Acredito que nesse momento você pode estar me indagando sobre as diferenças existentes entre os fatos registrados no dia 11, com os históricos ataques às cidades japonesas. Os que alimentam o pensamento ocidental capitalista, logo vão dizer que os ataques no Japão eram legítmos. Afinal, aquela ação estava fundamentada e respaldada pela guerra declarada. Porém se faz necessário tentar ao menos entender as posições e o significado de cada cultura e seus valores. Enquanto para o americano do Norte só interessa o consumo e seu consequente lucro, transformado em poderio e dominação absoluta, existem povos com crenças e objetivos diferenciados e que não se intimidam e não vivem a imitar os habitantes da terra do ''imortal'' e ''inatacável'' Rambo.
A guerra está para os políticos americanos, assim como as cestas básicas estão para os políticos do Brasil. Ao defender a bandeira da dominação e pretender ser o xerife do mundo, os políticos americanos conseguem a dominação de um povo que se julga acima do bem e do mal e que imagina que o mundo se resume aos Estados Unidos.
Para surtir efeitos políticos, os EUA elegeram um culpado para os ataques: Osama bin Laden, nascido na Arábia Saudita, mas que teve sua cidadania cassada. É o homem mais procurado no momento. Recompensas milionárias estão sendo oferecidas. É importante lembrar que quando ocorreu o atentado em Oklahoma, os americanos também se apressaram em acusar os radicais do islamismo como responsáveis. Porém, os americanos dormiam com o inimigo. Investigado, preso, julgado e condenado à morte (já executada), não foi um membro do islamismo, e sim, um ex-soldado americano que lutou na Guerra do Golfo, sendo inclusive condecorado por ato de bravura.
- HERALDO FARIAS, radialista, Londrina
Reforma agrária
Cumprimentamos a Folha pela excelente entrevista realizada com o arcebispo de Curitiba, D. Pedro Fedalto, publicada no dia 24. Seu posicionamento firme e crítico com relação aos atos radicais praticados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reflete claramente a indignação e a insatisfação da maioria dos paranaenses.
Somos favoráveis à reforma agrária, a modificações na legislação trabalhista rural para gerar mais empregos aos trabalhadores braçais, mas não podemos concordar com os abusos exercidos pelos integrantes do movimento. Como bem salientou D. Fedalto na entrevista, mais do que demonstrar força e ideologia, é preciso aprender a respeitar as decisões políticas.
- VOLDIMIR MAISTROVICZ, presidente do Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional (GPDR), Londrina
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