O LEITOR ESCREVE
Atentados (1)
Mesmo sem ser autoridade na matéria, gostaria de meditar sobre alguns dados que a mídia tem deixado de salientar, em grave prejuízo de muitos seres inocentes, muçulmanos e árabes, no momento, na mira de graves injustiças e de injustificáveis medos. Os velhos demônios do racismo e do preconceito religioso devem ser exorcizados de imediato, para que não nos envenenem com sua peçonha, nesse momento, confusos.
Recomendo uma breve espiada em um atlas a apressados e descontrolados, já que o mundo islâmico envolve uma população oito vezes maior a de todos os brasileiros, e está esparramada desde o Marrocos africano, até as milhares de ilhas da Indonésia, o maior país muçulmano, com 215 milhões de habitantes. O mundo árabe é muito menor, mais ou menos um quarto do total. Já o Afeganistão, que fica na Ásia Central, é terra dos pashtuns, e fica longe de tudo e de todos, é muito pobre e nem país árabe é.
Em resumo, para um total aproximado de 1,4 bilhão de religiosos muçulmanos, temos uns 350 milhões de árabes. Como os meios de comunicação admitem que, na melhor das hipóteses, existam menos de 2 mil terroristas em seu endemoniado ofício.
Não devemos nos esquecer que temas vitais para o nosso futuro estão sendo acobertados involutariamente pela tragédia americana. Devemos voltar às nossas trincheiras, para lutar contra o terror, real e ameaçador, de ver nossa Copel passar para um monopólio. Lutar contra o absurdo de ver que os R$ 100 milhões que foram torrados em uma montadora, agora são prometidos, se forem pagos, para recuperar estradas detonadas e abandonadas, e que deveriam há muito serem dirigidos para conservá-las, ao invés de dar dinheiro para estrangeiros ricos. Contra essa coisa absurda, que ronda por trás dos faxinais dos infernos, coisa que em país sério, acabaria em sérias consequências. Isso é que é um tipo de terror a terminar.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Atentados (2)
O assunto em voga é a catástrofe do dia 11 nos EUA. Mas, o que é admirável de se ver sobre as opiniões que envolvem esse acontecimento, é a capacidade de ''demonizar'' os muçulmanos e não olhar para o passado norte-americano de agressão militar a vários países, além da sua dominação político-econômica no sistema capitalista, que lhes enriqueceu e garantiu sua hegemonia.
O problema é que essa dominação econômica americana tem como consequência a marginalização e o empobrecimento de muitos. Como já dizia René Descartes, todos os homens são iguais e todos eles fazem o uso dessa razão, já que alguns podem saber utilizá-la melhor do que os outros, talvez os norte-americanos se achem mais capazes do que os africanos que morrem de fome a todo instante, ou do que os próprios brasileiros que se encontram na mesma situação.
Os EUA avançaram sobre Iraque, Iugoslávia, Hiroshima e Nagasaki, mas isso parece não ter sido assim tão catastrófico aos nossos olhos. Talvez o nosso olhar com relação aos norte-americanos seja aquilo que os cinema deles tem colocado. Nesse caso eles seriam os ''salvadores da humanidade''.
Os EUA têm a maior tecnologia de destruição militar do planeta, mas eles podem, são os incontestáveis defensores da humanidade. O Brasil, por exemplo, não precisa se armar porque as nossas principais decisões dependem dos norte-americanos e se nós nos armamos, nos tornamos uma ameaça para a humanidade.
Já dizia o historiador francês Paul Veyne, que o nosso interesse pela história se dá por pertencermos a uma nação, uma classe. E, acrescento, a uma religião. Veyne ainda fala que a história desvaloriza, desapaixona, porque sua verdade é sempre decepcionante. Quando olharmos para os fatos imprevisíveis, temos que ver a história enquanto continuidade e não como fatos isolados que vem à tona como pura ameaça. Se alguém é ameaçado, como os EUA agora, será que com a sua opressão político-econômica-militar, eles não ameaçaram ou não ameaçam ninguém? Temos que olhar para a essência da história não para sua aparência como temos feito até o momento.
- VINÍCIUS VITORINO GUIMARÃES, universitário, Londrina
Partidos
Preciso lamentar que o título da reportagem publicada na última sexta-feira não faça justiça à própria matéria. Nunca cogitei da possibilidade de ingressar no PSDB. Lamento ainda que, mesmo depois deste fato ter sido esclarecido por minha assessoria, a Folha tenha insistido em repercutir um fato que nunca existiu, abrindo espaços para afirmações levianas. Em nenhum momento posicionei-me em relação a qualquer partido que pretenda ingressar. Minhas falas, colocadas entre aspas na matéria, deixam claras minhas posições.
Quanto às agressões disparadas pelo deputado Luiz Carlos Hauly, gostaria de lembrar que não provoquei, nem sou responsável pelos problemas internos dele no PSDB. Não sou culpada por esta nova derrota política que ele está sofrendo agora em seu próprio partido. Seus habituais ressentimento e ódio devem ser provenientes das tentativas frustradas e das derrotas sofridas em todas as eleições ao Executivo das quais ele participou em Londrina.
Quanto à referência ao Ministério Público, quero mais uma vez reafirmar que não tenho, nunca tive, qualquer depósito irregular em minha conta corrente, fato que estou provando peremptoriamente na Justiça, que ainda não fez qualquer julgamento.
- EMILIA BELINATI, vice-governadora (PTB) do Paraná
Servidores
Por mais que os grandes meios de comunicação voltem a atenção do público para os atentados nos EUA, não há como ignorar o estado de caos e abandono de todo o Brasil, especialmente o Paraná. Ano após ano, os servidores públicos paralisam suas atividades em busca de melhores salários. Nesse ano, o funcionalismo federal também parou suas atividades.
Também não há como negar que a área da educação é a mais atingida com as paralizações. Os alunos do Cefet estão sem aula há mais de um mês, os acadêmicos de todos as universidades estaduais já tiveram suas atividades escolares paralisadas. Os alunos do ensino fundamental e médio estão caminhando para o mesmo rumo com a aplicação da operação tartaruga.
Mesmo que se tente voltar as atenções para os EUA, desta vez Jaime Lerner não vai poder ficar à parte dos acontecimentos da comunidade que ele hipoteticamente governa. O que é mais lastimável, é que parte da opinião pública se volta contra os manifestantes por seus filhos estarem voltando mais cedo para casa ou porque os filhos formandos correm o risco de adiar a data da grande cerimônia. Este é um dos artifícios usados para desmobilizar e desacreditar os movimentos sociais, que são de extrema legitimidade. Ou será que o servidor público que também tem filhos, só que estão na rede municipal de ensino, que está há sete anos vendo seu salário sendo corroído pela inflação, não tem seu direito de protestar? Creio que a comunidade deveria voltar seus olhos, sua indignação e até sua fúria para os verdadeiros ''culpados''.
Se nas manifestações das mulheres dos policiais militares, os PMs se somassem à suas esposas ao invés de reprimi-las, talvez Lerner não tivesse tantas oportunidades de vender a Copel. Porque estes mesmos policiais estavam armados nos dias dos protestos contra a venda da estatal, cumprindo as ordens de um governador que não teve coragem de mostrar sua cara para explicar à multidão os verdadeiros objetivos da entrega de uma empresa em potencial e estrategicamente útil. Agora, depois de muito desgate, talvez Lerner tente barganhar com a comunidade um pequeno reajuste salarial em troca da perda de milhões com a venda da Copel.
- MARCOS SILVA, universitário, Ponta Grossa, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
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