Atentados
Nesses dias em que o mundo aguarda apreensivo o desenrolar de um novo conflito armado, volto-me às lembranças de fatos que parecem explicar, em parte, o que hoje se vislumbra. Muitos anos atrás, morando e estudando nos EUA, pude enxergar, como olhos acostumados a outras paisagens, aquilo que os cidadãos naturais não vêem. É inegável o encantamento que aquela sociedade organizada e eficiente causa de imediato. Após algum tempo, e arrefecido o deslumbramento inicial, percebe-se que o cidadão americano, preocupado em construir um país democrático e justo, rico e abundante, ignora quase sempre, os fatos que extrapolam suas fronteiras.
A nação americana, edificada sobre rígidos preceitos ético-religiosos protestantes, dos quais se orgulha, permanece alheia e indiferente aos métodos praticados por seus departamentos políticos mundo afora. Mentores da teoria da globalização, cuja prática tem se mostrado extremamente perversa com as nações menos desenvolvidas, são também responsáveis pela criação daquilo que o megainvestidor George Soros chamou de ''fundamentalismo de mercado'', cuja postura unilateral ''constitui uma séria ameaça à paz e à prosperidade mundiais''.
É impossível negar a insanidade de uma atentado como o de 11 de setembro. Da mesma forma, torna-se difícil encará-lo como um ato isolado, cujas causas últimas não tenham sido geradas lentamente pela prepotência ou pela ingerência histórica do agredido em assuntos internos do agressor.
Nesse momento em que, surpresos, os americanos feridos em seu patriotismo, levantam-se e exigem vingança a qualquer preço, contra um inimigo difuso, parece-nos claro que a preferência pelas velhas práticas retaliadoras continuam impedindo a reflexão.
Apenas uma pergunta: quantas vezes e sob que estado de espírito os clamores mundiais se levantaram para deflagrar uma operação ''Justiça Infinita'' e dar um basta às milhares de mortes causadas pela fome, pelas guerras tribais da África, pelos conflitos étnicos, pela presença israelense em território palestino, pelos conflitos religiosos na Irlanda do Norte, na Índia, no Paquistão, no Afeganistão e por outras tantas causas?
- NEUSA MARIA PASCHOAL LOPES, professora, Londrina
Educação
O primeiro plano que se apresenta quando abordamos o universo educação, é que o ato educativo deve estar a serviço do desenvolvimento e do bem-estar do homem e em profunda harmonia com ele mesmo e no meio em que vive. A educação não é uma transmissão do conhecimento, de um saber ou até mesmo de uma conduta, mas sobretudo uma iniciação à vida.
Pensando na escola, verifica-se que ali está o lugar das primeiras interações com um meio mais amplo (natureza e cultura); um dos espaços onde o ser começa a viver com os primeiros elementos simbólicos que lhe lembram o lugar de onde veio (família e ventre); um espaço onde será completada a sua gestação para que ele possa enfrentar e assimilar o contexto sociocultural. É este um espaço e um tempo intermediário entre o nascimento e o destino, o trabalho, a profissão, a vida madura e adulta.
Portanto, a educação precisa levar em consideração este traço de união, interação entre a vida familiar, uterina e a vida psico-sócio-cultural com todos os seus devidos fatores e correspondentes repercussões de uns sobre os outros. Assim, a escola pode ser considerada uma escola séria e responsável, em termos evolutivos e no desenvolvimento para o futuro do indivíduo.
Os anos que o educando passa na escola, não são simplesmente momentos de construção de novos conhecimentos, mas de uma vida palpitante, cheia de viscissitudes, de dores e de prazeres e, principalmente e em primeiro lugar de uma ''embriologia do ser''. Enfim, a educação deve fazer compreender já durante a escola que o conhecimento deve colocar-se sempre ao nosso serviço (do homem), isto é, um conhecimento a ser transformado em sabedoria.
- ELAINE REGINA RUFATO DELGADO, psicopedagoga e coordenadora pedagógica, Umuarama
Focinheira
Registro minha opinião sobre a lei (em Curitiba) que obriga donos de animais considerados agressivos ou com mais de 20 quilos a usarem focinheira. Aparentemente falta criatividade aos nossos políticos, que deveriam se dedicar a outros projetos muito mais importantes. Doravante, animais de grande porte não podem mais correr, pois é impensável fazer um cachorro correr com a focinheira amarrada em sua boca, pois sua transpiração é pela boca.
Acho necessário o registro do cão em um órgão adequado, bem como a existência de um seguro em caso de ataque e que o dono deve assumir toda a responsabilidade do ato e responder por ele perante a Justiça. É, por exemplo, inconcebível um weimaraner, um dálmata, um pointer, que são conhecidos como animais dóceis e de caça, serem obrigados a usar focinheira.
Tenho a sensação que atualmente os cidadãos que procuram se proteger de alguma forma contra a criminalidade são punidos. Porte da armas está praticamente proibido, ter um cão de guarda, só com focinheira! Faz rir ou chorar? O cão é menos corrompível que um ser humano. Desde pequenos ensinei meus filhos, caso tivessem, por algum motivo, que entrar numa propriedade que não a deles, deveriam, sempre, fazê-lo em companhia do proprietário, e nunca sozinhos, mesmo que fosse só pegar uma bola que lá havia caído. As pessoas têm o direito de poder se proteger, seja em seu quintal ou em seu veículo. Só falta agora sair a lei que obriga o cidadão a ter o cão em seu quintal com a focinheira.
- ELISABETH E. K. WONDRAK, analista de produção, São José dos Pinhais
PSDB
É desprovida de cabimento a declaração do deputado Basílio Villani, de que os ''alvaristas'' fazem ''jogo rasteiro'', porque não estão fazendo uma saída ''distinta'' do PSDB. Como se fosse atitude ''distinta'' querer ocupar um partido de forma arbitrária, truculenta, retaliatória e claramente marcada pelo signo da entrega em troca das 30 moedas da fama e da proximidade do poder.
O PSDB do Paraná passou a existir, como partido de gente, com o ingresso do senador Alvaro Dias. Os ''alvaristas'' são, na verdade, todos os peessedebistas do Paraná. Incluído, por sinal, o deputado-interventor (agora impedido pela Justiça), convidado a ingressar no partido por Alvaro, de quem o parlamentar quer ''eliminar os traços'' no PSDB.
Sei que essa atitude de Vilani não é de estranhar, pois da mesma forma procedeu com o ex-senador José Eduardo Andrade Vieira, que patrocinou seu ingresso na política, para depois ver-se abandonado pelo mesmo, o que, no meu entender, configura autêntica vilania. Por sinal, a única coisa notável que Vilani apresenta em seu currículo é, talvez, o fato de ter contribuído para ter arrastado o Bamerindus para o abismo.
- TEOFILO BACHA FILHO, Curitiba
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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