O LEITOR ESCREVE
Águas
Por razões de afirmação incontestável, água é bem de domínio público, é recurso natural limitado, de alto valor econômico, de uso prioritário ao consumo humano e animal, indispensável à preservação das espécies. Esse tão importante assunto, a água, representa comprometimento e implicação socioeconômica, política e ambiental.
Quando me refiro ao binômio comprometimento e implicação, sugiro que falemos do enfrentamento responsável, dessa já tão propagada problemática de escassez e de uso irracional da água, e que sem dúvida se assevera cada vez que nos reservamos de forma insensata, em aguardar que providências sejam tomadas.
Participação significa ''visão democratizada e racional'' diante dos processos decisórios, criando um ambiente favorável às decisões coletivas e bem negociadas. O controle social se mostra como forma das mais transparentes no enfrentamento e na tomada de decisões diante da problemática que envolve a gestão dos recursos hídricos em nosso município, Estado e País.
Toda gestão de recursos hídricos deve necessariamente contemplar a participação efetiva e responsável dos representantes do Poder Público, das comunidades e dos usuários de forma geral. Representa dizer que somente a partir da adoção de formas participativas e comprometidas com o uso e conservação dos nossos recursos hídricos é que podemos almejar a possibilidade de implementarmos, em futuro próximo, políticas públicas exemplares.
O papel atribuído a todos nós, usuários, por esse bem tão preciosa e divina substância, exige que nos unamos em comitês, conselhos deliberativos, rodas de discussão, assumindo definitivamente a sorte, o futuro e o destino de nossas comunidades, tornando-nos cada vez mais dignos de pertencermos à raça humana.
- RUY ALBERTO ZIBETTI, advogado e consultor para assuntos de meio ambiente, Foz do Iguaçu
Aterro
Pressões políticas exigem que o aterro sanitário de Rolândia seja ativado o mais breve possível. Corre o boato que a data provável da ativação do aterro será o próximo dia 25. Porém, irregularidades e falhas que deveriam ser sanadas antes do aterro sanitário entrar em funcionamento continuam existindo, assim como a falta de esclarecimento da população.
As notificações e os questionamentos sobre o aterro, feitos pela sociedade civil à administração municipal, ao IAP e às Promotorias do Meio Ambiente, não obtêm respostas. Silêncio absoluto é o que recebemos de todos os órgãos competentes quando exercemos o direito de cidadania e procuramos esclarecimentos em defesa do meio ambiente.
A quem nos dirigir quando os responsáveis e os competentes se escondem atrás de uma barreira de silêncio, livrando-se, assim, de participação ativa e responsabilidades? Quantos aterros sanitários ainda terão que se tornar lixões no Brasil por falta de esclarecimento e a não consideração da população consciente?
- DANIEL STEIDLE, presidente da ONG Movimento Nossa Terra, Rolândia
Workaholic
No início deste ano, um dos nossos diretores, de apenas 31 anos, sem vícios, não fumante, boa forma física, esportista, sofreu isquemia falta temporária de irrigação no músculo do coração. O ''piripaque'' aconteceu quando ele se preparava para pilotar um jantar de negócios. Ainda no aeroporto, começou a passar mal. Dali foi direto para a UTI. Dias depois, voltou à ativa, porém, mais moderado e prudente com sua jornada.
Episódios como esse assustam o coletivo corporativo e denunciam os malefícios de um personagem que há pouco tempo foi motivo de orgulho nas grandes corporações: os workaholics.
Atualmente, ser workaholic beira o ofensivo. Esse tipo de profissional é infeliz, não tem qualidade de vida e nem família, é um iludido. Além disso, não é criativo, e sobrevive agarrado numa nefasta dependência psicológica com o trabalho.
Passar horas e mais horas confinado dentro de um escritório não é garantia de eficiência, nem sinônimo de produção. O caminho, nesse caso, é conciliar o pessoal com o profissional, sem prejudicar nenhuma das partes. Um estudo da Unicamp indica que cerca de 26 milhões de brasileiros trabalham mais do que as 44 horas semanais estabelecidas pela Constituição Federal de 1988. Isso significa que 37% dos trabalhadores dão um jeitinho de burlar a lei e esticar a jornada.
Desempenho eficiente requer harmonia das necessidades do corpo, mente e espírito. O jogo é pesado e competitivo, sem espaço para deslizes, mas é preciso lembrar sempre que não há máquina que suporte tal carga de estresse. Todavia, como doutrinar esses indefectíveis workaholics, sua ansiedade e frustração? Parte dessa estratégia consiste em convencer os companheiros a introduzir novas práticas cotidianas. Fora do trabalho, a ordem é desligar os motores nas horas de lazer. Sem essa de carregar o escritório para casa.
O estresse esgota as reservas energéticas, acelera o desgaste físico, limita a capacidade de inovar e implementar. O corre-corre frenético pode custar caro. O diretor da nossa empresa que o diga. Afinal de contas, ver um companheiro de trabalho sofrer sério problema de saúde é de deixar qualquer um alarmado. Fica uma lição: existe sim, vida fora do escritório.
- JÚLIO SÉRGIO DE SOUZA CARDOZO, executivo, Curitiba
Educação
Como formar um cidadão para o futuro partindo de uma criança ou adolescente sem conhecer o universo de onde vem? A injustiça social no Brasil se confunde com a própria história do País, e uma herança dos tempos de colônia. A necessidade diária do básico para sobrevivência (tais como alimentação, saúde, educação e carinho familiar) acaba afetando a criança, tornando-a revoltada contra todos.
O comportamento de alguns alunos nas escolas é o reflexo da desagregação familiar e da pobreza. Quando a criança atinge a adolescência e vai descobrindo a sua vocação, as informações que chegam até ela determinam sua formação. A restrição do ensino vai formar o caráter desse adolescente, quando os bons se sentem desestimulados e agredidos pelos maus.
A criança abandonada representa um retrato social que não se quer ver. A falta de um planejamento familiar contribui para essa tragédia social. Há muita dificuldade de se educar uma criança que chega a escola carregada de traumas, com histórias trágicas.
Os pais jogam os filhos na escola e esperam que os professores os transformem. Os traumas causados pelas necessidades na infância são visíveis na criança que apresenta reações variadas: algumas se fecham na indiferença, outras choram ou reagem agressivamente. Muito ainda se tem a discutir para aprender a lidar com situações novas que surgem a cada dia, como drogas, prostituição, alcoolismo e desagregação familiar, heranças genéticas que deixam marcas profundas.
É preciso mudar e reverter essa situação, pôr em prática a boa vontade, a paciência e a generosidade, que há muito tempo deixa mágoas que corroem a
auto-estima do professor.
Não é difícil oferecer educação, saúde e proteção social para nossos jovens: bastaria vontade política para tornar nossos filhos cidadãos do futuro. Faço aqui minha sugestão: ''Pré-seleção'' através de assistente social, psicólogos, separar os alunos problemáticos, colocá-los em escolas dentro de quartéis e mantê-los ocupados o dia todo com o ensino regular e profissional, corrigindo assim as injustiças cometidas a anos e resgatando o respeito pelo mestre.
- MANOEL RAIMUNDO BERLIM, Londrina
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