O LEITOR ESCREVE
Sequestro (1)
Certa feita, William Jefferson Clinton III, então presidente eleito para decidir alguns dos rumos da nação mais poderosa do planeta, fora ameaçado por terroristas (praticantes de situações hediondas no atacado) que rosnaram algo como ''nós o dinamitaremos e aos seus, se pisarem em nossa pátria'', ao que Bill respondera, sem qualquer bravata: ''A agenda do presidente destes Estados Unidos nunca se pautou nem jamais se organizará devido a ameaças de pessoas ou grupos que não se manifestarem de outras formas que não sejam a via democrática e o diálogo.'' Consta que nem rojão teve, das autoridades, para recepcionar a vasta e curiosa comitiva.
Cá no nosso País, um desembestado cidadão e agora sequestrador (praticante de situações hediondas no varejo), fruto dos desperdícios que agora cobram sua grossa fatura, após 500 anos de usufruto duvidoso, associado a negligências colossais, negocia a presença física do mandante máximo do, nada mais, nada menos, maior Estado-país destas bandas, considerando a região do México para baixo.
Um docinho-de-coco para aquele que conseguir adivinhar qual será o próximo da hierarquia, em caso semelhante no próximo bimestre.
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
Sequestro (2)
É comum lermos manifestações favoráveis à pena de morte, no Brasil, como instrumento de contenção da violência. Estudos realizados nos Estados Unidos mostraram que Estados que adotam a pena capital apresentam um índice extraordinariamente maior (aproximadamente 300%) de latrocidas (aqueles que matam para roubar).
Na verdade se descobriu que os marginais matam para não deixar testemunha viva, já que seriam reincidentes. Chacinas também são comuns, vez que matar um ou 30 resulta na mesma pena, e entre matar um e deixar 29 testemunhas, o bandido prefere girar a metralhadora sem piedade. E é nesse aspecto que gostaria de fazer a reflexão sobre esse tema.
Lendo essa carta em sua poltrona, fica fácil determinar qual decisão a ser tomada pelo marginal no momento do crime cuja adrenalina está a mil e muitas vezes sob efeito de drogas. Na prática, atitudes emocionais se sobrepõem às racionais nessas horas de tensão extrema.
Veja o caso do sequestrador do apresentador Silvio Santos, Fernando Dutra Pinto. O que o levou a ousar descer nove andares pela parede de um prédio e voltar à casa do empresário? Simples. ''Morrer por morrer, morrerei na ousadia.'' Ele mesmo reconheceu isso.
A própria polícia explicou que ele queria garantias que não morreria. Mas por que morrer por morrer? Temos a pena de morte no Brasil? Eis aí onde quero chegar. Em todas as rodas era comum ouvir que o rapaz morreria por ter matado dois policiais. Mas cadê a pena de morte regulamentada? A garantia constitucional em matéria de direito do preso somente se cumpre quando obtemos a palavra de honra de um governante?
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades de classe que preservam as instituições jurídicas e democráticas devem dar continuidade a esse importante debate.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, universitário, Londrina
Cidadania
Os que se omitem da responsabilidade de uma atuação política também são culpados pelos desmandos e escândalos que afligem a política no Brasil. O Estado é a entidade que organiza a vida social, ou seja, o poder político que dita normas obrigatórias para todos os membros da sociedade.
Nessas situações, surge outra obrigação do eleitor: reformá-lo de alto a baixo através do voto, a fim de transformá-lo em um Estado que favoreça a plena realização de todos os seus cidadãos. Como? Através da atividade política.
Se as pessoas não cumprirem essa obrigação elegerão maus políticos que farão leis injustas e passarão a mão no dinheiro destinado aos serviços públicos. A omissão de eleitor, portanto, ajudará os desonestos a oprimirem o povo.
Temos realizado um trabalho político, advertindo, instruindo os eleitores para o preparo para atuação política consciente. Mil pretextos são levantados para dizer que ''política é coisa suja'', para que o eleitor fique livre para votar sem o menor cuidado. Outros não querem saber da política porque dizem que ela divide a comunidade, por isso não podemos discutir política.
O eleitor que usa o argumento de ''política suja'' para escapar da responsabilidade, tem uma parcela de culpa nos escândalos que maculam a nossa política, pois, em razão desse voto frívolo, irresponsável, elegem políticos desonestos. Esses eleitores não podem alegar ignorância para justificar seu comportamento leviano, já que se trata de uma ignorância culposa.
A política é, por natureza, uma atividade complexa. Razão para vencer a preguiça mental que leva à omissão e justifica o descumprimento do dever cívico. É necessário começar a participar das reuniões, ler e aprender interpretar, pois os veículos de comunicação muitas vezes pertencem a grupos políticos e distorcem a realidade.
Onde obter essa informação? Na própria comunidade, nas reuniões, através de discussões. Aí se adquire as noções básicas de cada partido, a história dos políticos que estão pleiteando o voto dos cidadãos.
Com essa base de conhecimento, o eleitor está preparado para entrar nos movimentos, sem fazer o triste papel de inocente útil. Recusar-se a esse esforço é deixar de dar a contribuição responsável para um Estado melhor.
- WILSON ANTONIO DE CASTRO, Cruzeiro do Oeste
Esclarecimento
Sobre a carta de Zilá Oliveira, publicada nesta seção, na edição do dia 3 da Folha, a Urbs, que gerencia o sistema de transporte coletivo ®MD77¯(em Curitiba) ®MDNM¯esclarece: 1) Pesquisas mostram que 90% dos usuários estão satisfeitos com os serviços; 2) Mantém constantes pesquisas de campo em cada linha para análise dos fatos usuário e horário; 3) Qualquer cidadão pode solicitar pesquisa específica, mas no caso, a subscritora foi genérica, devendo identificar linhas e horários; 4) Aumentar a qualidade de ônibus não resolve o problema de superlotação constratada em horários de pico; 5) Por isso, a Urbs defende o escalonamento dos horários de trabalho para os diversos segmentos econômicos; 6) Mais ônibus em horários de pico aumentaria os congestionamentos na cidade e forçaria elevação de tarifa pela ociosidade dos veículos fora desses horários.
- SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, Curitiba
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





