O LEITOR ESCREVE
Igapó
O Lago Igapó, criado no final dos anos 50, constitui um dos cartões-postais de Londrina, patrimônio paisagístico. Em 1995, afirmamos a necessidade de qualificação dos espaços urbanos e da paisagem de Londrina e a valorização do Igapó como forte elemento de atratividade urbana. Tais premissas foram incorporadas como diretrizes ao Plano Diretor de 1998.
Há de se ressaltar as iniciativas da AMA, da CMTU e do IPPUL na organização de seminários sobre assuntos importantes como a Agenda 21, Poluição Visual etc. No entanto, o atual processo de Revitalização do Igapó 2 vem ocorrendo de maneira não sincronizada, tendo os diversos órgãos da prefeitura trabalhado segundo visões independentes.
De acordo com os jornais, ''arquitetos voluntários farão o projeto que terá ciclovia, floreiras e pista de caminhada''. Mais recentemente ''descobriu-se'' um projeto de revitalização da Avenida Higienópolis, no trecho sobre a ponte. Diz-se que será incorporado ao trabalho em andamento. Portanto, a revitalização do Igapó resultará numa ''colagem de projetos'' desenvolvidos por voluntários, e sem uma diretriz geral. Vale aqui lembrar a existência do importante Projeto: Parque da Cidade de Londrina, de 1970, de autoria do internacionalmente reconhecido paisagista Burle Marx, que se encontra engavetado até hoje.
O momento é de reflexão sobre o sistema de lagos Igapó. Após uma sequência de atos desastrosos como o desvirtuamento das Zonas Especiais, privatização dos acessos às margens, construção da unidade o Corpo de Bombeiros e da Casa do Papai Noel em áreas de preservação, aterro do Igapó 2, travessia aterrada da Maringá, construção da sede do TRE, estamos assistindo à ''copacabanização'' construção de paredões de edifícios junto ao lago, privatizando as vistas.
Vem à tona novamente, a inoperância do órgão de gerenciamento do Plano Diretor e consequente desarticulação entre as secretarias, tornando ainda mais árduo o caminho para a construção da Londrina que imaginamos. Somos pelo Projeto Integrado do Sistema Igapó, recuperação do Parque da Cidade de Burle Marx e desaterro total do Igapó 2. Não vemos necessidade de inauguração apressada. A cidade é algo que se constrói lentamente, conscientemente.
- HUMBERTO YAMAKI, presidente do IAB-Instituto de Arquitetos do Brasil/Londrina
Justiça
É justo concordar em parte com a opinião de Sérgio Toreto, que teve seu texto publicado na seção Destaque do Leitor do dia 31, quando defende que sejam tomadas sérias providências com relação à Justiça em nosso País. Mas, o que jamais deve ser endossado, é a institucionalização do assassinato, do homicídio, da atrocidade como combate e punição à criminalidade no Brasil.
Pena de morte não é, e nunca será, solução em nenhum país do mundo, eis que o ser humano é falível sob todos os aspectos, sobretudo em sua pretensa capacidade de julgar os outros. Quantos, em tantos países, inclusive no nosso, foram condenados e amargaram duras penas em função de equívocos judiciais?
Faz-se necessário sim investir na educação e na boa formação social de nossos cidadãos, a fim de que, futuramente, não façam opção pelo mundo do crime, não necessitando portanto preencherem vagas em penitenciárias. Porque a falta de educação, de justiça social e de apoio da sociedade aos mais necessitados gera não só miséria, mas também crise de identidade e revolta, agravando a situação da ferida na raiz de todas as mazelas sociais: a disparidade entre as condições das pessoas.
Vamos cobrar mais segurança de nossos governos, mas sem encarar o problema da violência como algo a ser erradicado a partir de seus efeitos, e sim atacando as suas causas, sua raiz, que é o injusto e indigesto contexto social em que vivemos.
- RICARDO ALEXANDRE GARCIA, Londrina
Greve
Desde 21 de agosto, quando foi deflagrada a greve na Universidade Federal do Paraná (UFPR), tenho refletido sobre o movimento. De maneira geral, as atividades docentes de graduação estão paralisadas, as demais não, tais como: aulas de pós-graduação, pesquisas, administrativo e extensão, que, com raras exceções, estão em plena normalidade.
Greve pode ser definida como acordo de operários, estudantes, funcionários etc que se recusam a trabalhar ou comparecer onde os chama o dever, enquanto não sejam atendidos em certas reivindicações. Greve, portanto, é mais que uma paralisação das atividades docentes de graduação, ou de um comunicado à (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) de uma assembléia que determinou: greve!
Esses fatos têm-me levado a pensar na atitude de lavar as mãos e que tem duplo sentido. O primeiro, um ato omisso, onde um personagem poderia ter tomado a decisão mais importante da história da humanidade, mas preferiu a omissão. O segundo, o ato da limpeza, do ditado popular ''uma mão lava a outra''.
Ou seja: podemos ter uma greve omissa suja ou uma greve limpa. Devemos definir bem os termos. Ou é greve ou é paralisação das aulas de graduação e, qualquer que seja a decisão, devemos utilizar as duas mãos no ato de lavar. Não à omissão, não à greve parcial, não a Pilatos, não ao prejuízo só das aulas, não à sujeira.
Professores, técnicos administrativos, pós-graduandos, alunos, comunidade universitária: por uma universidade pública, gratuita e de qualidade. Com professores satisfeitos e dedicados, com alunos bem preparados e educados, para uma sociedade mais justa. Temos que parar e definir greve é greve. Greve não é paralisação de aulas. Vamos adotar o termo correto e fazer um ato digno de uma universidade limpa.
- ARNOLDO MEISTER PIMENTEL, professor do Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná, Curitiba
Correção
- Ao contrário do que foi publicado no último dia 21, o analgésico AAS (ácido acetilsalicílico) não teve a fabricação e comercialização suspensa pelo Ministério da Saúde. O medicamento é fabricado pelo laboratório Sanofi- Synthélabo.
- A Folha esclarece que na reportagem ''Santa Casa (de Londrina) admite mudar maternidade'', publicada na página 6 de Folha Cidades de ontem, duas informações foram atribuídas de maneira equivocada ao promotor Paulo César Tavares. A informação sobre a nova destinação dos leitos da antiga maternidade (o espaço será adaptado para atendimento de emergência) foi passada por outra fonte, que solicitou sigilo. Tavares informou que Canavese disse apenas que a ala será usada pelo SUS. O promotor também não mencionou o valor da obra de remodelação da ala onde funcionava a maternidade. O valor de R$ 800 mil, citado na reportagem, refere-se ao custo total da obra, que atinge outras alas do hospital.
- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





