O LEITOR ESCREVE
Racismo
Em reportagem veiculada no dia 29 na Folha, a socióloga Marcilene Garcia citou que há projetos tramitando na Câmara Federal para que 20% das vagas em universidades sejam ''reservadas'' aos negros. Não há nada mais absurdo que isso. Tal projeto não contribui em nada para a igualdade de direitos dos negros. Ao contrário, excluem-nos, uma vez que os trata como sendo uma classe ''diferente'' e por isso merecedora de um privilégio, que na verdade é comum a todos: independentemente da cor da pele, todos os estudantes brasileiros deveriam possuir vagas ''reservadas'' nas universidades.
É lamentável constatar que entramos no século XXI com conceito de racismo ainda presente na sociedade. Sabemos que, infelizmente, ele ainda existe, assim como também sabemos que só o fato de o citarmos, já constitui um ato racista: não se fala daquilo que é natural a todos.
A palavra ''racismo'' refere-se a uma doutrina que apregoa a superioridade de uma raça sobre a outra e está relacionada à etnia de um povo. No entanto, o termo se tornou mundialmente sinônimo de preconceito contra os negros. Por quê? Não podem ser racistas as pessoas que cultivam a xenofobia contra japoneses, por exemplo? Por que os negros são os mais perseguidos pela mídia e pelas conferências, como a que está acontecendo em Durban, na África?
Provavelmente, porque o trágico período da escravatura conseguiu não só espalhar a dor e a humilhação aos escravos daquela época, como também o triste equívoco entre as gerações futuras quanto à convivência com os negros. Em países asiáticos e africanos, geralmente de maioria negra, a prática ainda é uma triste realidade.
O princípio da ''superioridade'' da raça ariana, embasado por Adolf Hitler, continua sendo idealizado por inúmeros grupos radicais no planeta, uma verdadeira ignorância social. Os seguidores desta ordem sobrepõem seus ideais racistas aos valores humanos, esquecendo-se que se trata de pessoas e não de ''coisas'', que podem ser desprezadas e excluídas. Privar alguém do convívio natural entre todos, baseando-se em diferenças étnicas, religiosas, culturais ou qualquer outra, é crime, e como tal deve ser punido.
Mentores da Conferência de Durban pretendem enviar uma declaração coletiva, assinada pelos países ocidentais, em que expressem seu ''arrependimento'' por toda a barbárie cometida contra os escravos e colonos e, ao mesmo tempo, pronunciem-se a favor de ajudar financeiramente os povos mais atingidos. Porém, há obstáculo a essa possível ''reparação'': os países ricos, sempre preocupados consigo mesmos, alegam que tal medida poderia estimular as vítimas a reclamarem compensações monetárias, por intermédio dos tribunais.
Se não há interesse, por parte dos ditos ''países desenvolvidos'' em reparar um erro, por meio do dinheiro (compra), será possível que um dia haja a preocupação em repará-lo com os sentimentos (convivência mútua)?
- RITA DE CÁSSIA SIMÕES MARTELINI, universitária, Londrina
Plano de carreira
Atenção servidores: mais uma vez o Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) do município de Londrina será reformulado. Esperamos que dessa vez não seja para dar sequência aos erros cometidos nos PCCS de 1992 e 1994. Queremos crer que também não seja para resolver situações de meia dúzia de servidores, exatamente como ocorreu nos anteriores.
Servidores: não podemos esperar que essa reformulação resolva a nossa situação a curto prazo, mesmo porque existem muitos impedimentos, como exemplo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O que esperamos é que o novo PCCS propicie a nós, servidores, a possibilidades de crescimento dentro da carreira. A motivação, a busca de uma melhor qualificação, de novos conhecimentos, são consequências disso. Prestar um atendimento de qualidade é a tônica não só nos serviços público como em qualquer segmento.
Que a comissão constituída para esse fim seja isenta de influências de um certo grupo de servidores existente em nosso meio. Não podemos mais aceitar privilégio para apenas alguns, entendemos que as oportunidades devam ser iguais para todos. Devemos e precisamos ficar de olhos bem abertos.
- WILHIANS PEREIRA CARDOSO, administrador e funcionário público municipal, Londrina
Democracia
A palavra democracia é de origem grega. Em 510, Clístenes, governante ateniense, objetivando acabar com a tirania praticada por seu antecessor, implantou princípios democráticos. Atenas foi dividida em diversas partes, tendo todas elas representantes no governo para defender interesses de sua região simbolizando que ali se praticava democracia.
Péricles, que governou Atenas entre 443 e 429 a.C., dizia: ''Nossa Constituição é chamada de democracia porque o poder está nas mãos de todo o povo; todos são iguais perante a lei.'' No entanto, as mulheres, escravos e estrangeiros eram excluídos.
Isso é contraditório, pois se a democracia sugere direito de todos e todos são iguais perante a lei, não poderia haver ninguém sem direitos nesse local. E era absolutamente o contrário: apenas 10% da população ateniense tinha o direito de exercer a cidadania, deixando evidente que democracia estava longe de ser ou de prevalecer a vontade da maioria, pois privilegiava geralmente apenas uma pequena parcela da população.
Essa característica está muito presente no Brasil contemporâneo, pois vivemos uma democracia muito semelhante à praticada em Atenas no século V a.C.. Aqui, o governo federal apresenta baixíssimo nível de aprovação popular, assim como o governo do Paraná, que também tem popularidade muito baixa, nunca vista nesse pujante Estado. E não poderia ser diferente. Ambos os governos citados privilegiam menos de 10% da população governada, além de atender principalmente a interesses do exterior.
No caso da privatização da Copel e do Banestado, a imensa maioria da população do Paraná se manifestou contra a venda desses patrimônios, que acabaram (ou vão acabar) sendo entregues ao setor privado da economia apenas para atender aos interesses de uma pequena minoria privilegiada, ignorando os paranaenses que clamavam pela manutenção dessas empresas que são a identidade dessa população.
- DAVID TEIXEIRA DE SOUZA, professor, Cruzeiro do Sul
Gasolina
Na semana passada estive em Ribeirão Preto, onde residi por mais de 40 anos. Fiquei surpreso ao ver que o litro de gasolina ali varia de R$ 1,58 até R$ 1,64. Surpreso, porque lá esse combustível sempre foi mais caro do que aqui, mesmo em época recente. Hoje, até em posto de rodovia o preço é menor do que em nossa cidade. Voltando, num posto a apenas a 100 km de Londrina, paguei R$ 1,549 o litro, na última sexta-feira.
O fato é que, já antes do último aumento anunciado pelo governo, os postos daqui passaram a subir o preço paulatinamente, em poucos centavos, mas de forma continuada, de sorte que, depois, o aumento esperado incidiu sobre uma base maior. Por isso que, hoje, o menor preço em Londrina, R$ 1,76, excede em mais de 11,39% àquele praticado em Ribeirão Preto. Não convencem os argumentos utilizados em defesa dos postos locais, pois agridem a inteligência do consumidor. Oxalá o assunto não caia no esquecimento da imprensa e das autoridades, e o inquérito instaurado possibilite a punição dos responsáveis por mais essa violência contra a população.
- RUBENS CHIAROTI, advogado, Londrina
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